Novas tecnologias: Que relação?

Não há dúvida sobre o espaço que hoje e, daqui em diante, as novas tecnologias ocuparão no mundo e nos nossos mundos. Ao pensarmos nas novas tecnologias, eis a questão: serão as novas tecnologias benéficas ou maléficas? E, mais, serão elas um potencial no desenvolvimento da comunicação do ser humano e pontes de envolvimento recíproco e afetivo na construção de sociedades mais comunicadoras? Onde nelas mora a relação? E que relação?

Muitos poderão ver nas novas tecnologias e no padrão de comunicação que elas conferem a evolução negativa de uma sociedade e, em sua consequência, a fatalidade de tudo e de todos. Contudo, não creio que as novas tecnologias distorçam ou desfoquem por completo a relação connosco e com os outros. Dependerá da forma e por quem forem utilizadas, porque se forem bem utilizadas ninguém é indiferente ao seu benefício, mas se o seu uso for distorcido, conheceremos o seu malefício.

E é aqui que se centra a questão: nas novas tecnologias onde mora a relação? E que relação? Evidentemente, as novas tecnologias podem configurar um padrão de comunicação aquém do potencial humano, uma vez que na sua maioria podem estabelecer uma comunicação afetivamente não investida ou falsamente investida, na qual se podem desenhar alguns riscos, como: a diminuição do limiar entre a realidade e a fantasia, a diminuição da capacidade de conter impulsos de natureza vária, menor tolerância à frustração e a distorção do ideal do eu, entre outros.

Mais ainda, se as novas tecnologias se inserem em contextos sociais e familiares mais perturbadores e/ou patológicos, podem ter o seu efeito acrescido, com padrões de relação e comunicação com interferências ao nível da superficialidade das relações, a fraca capacidade de investimento emocional, a inacessibilidade emocional e a procura de respostas rápidas para alívio pulsional.

Contudo, as novas tecnologias também têm sido a luz que ilumina áreas até então desconhecidas e têm permitido uma nova relação com o saber e o conhecimento numa informação globalizada. Num passado recente, no presente e no futuro as novas tecnologias têm imprimido um novo e constante avanço tecnológico que o Homem permitiu-se conhecer e saber.

Mais uma vez. As novas tecnologias dependerão sempre da forma e por quem forem utilizadas, porque no mundo haverá sempre mundos que avançam com uma nova e alta tecnologia, mas o mundo psíquico do ser humano dependerá sempre da capacidade e qualidade relacional e comunicativa.

Marina Amaro - Jornal da Família - edição fevereiro 2018