O que dizem os adolescentes sobre a escola?

Na continuidade da última edição do Jornal partilho com os leitores algumas curiosidades acerca do que os adolescentes, à data (2012) de um estudo realizado por mim, disseram sobre a escola. O relevo da informação recolhida e aqui expressa refere-se à necessidade de conhecer o sentir dos adolescentes em relação à escola.

A “voz” dos adolescentes sugere que a sua relação com a escola é diferenciada. Por um lado, há adolescentes com sentimentos positivos face à escola. A título de exemplo: «na escola sinto-me seguro»; «na escola sinto-me confortável»; «na escola sinto-me bem, pronta a aprender». Por outro lado, sentimentos negativos, como por exemplo: «na escola sinto-me cansada»; «na escola sinto-me triste»; «na escola sinto-me sozinha».

Alguns adolescentes apontam algumas causas do seu sentir. Por exemplo: «na escola sinto-me bem, porque estou com os meus amigos. Mas, porque as últimas horas que estive de manhã com os meus pais podem ter sido as últimas»; «na escola sinto-me bem, exceto quando há algum drama ou teste me corre mal»; «na escola sinto-me, às vezes, muito triste. Ultimamente perdi muitas amigas e não percebo o porquê.»

Os resultados podem expressar, ainda que com pouca expressão, por exemplo, que era bem a escola e as aulas não existirem - «gostaria mais que não existisse escola»; «eu penso muitas vezes que não quero ir às aulas»; «gostaria mais que não houvessem aulas». E alguns adolescentes reclamam porque «eu não gosto que em 12 meses percamos 10 em aulas»; «eu gostaria mais de estar nas aulas se estas não durassem uma hora e meia»; «custa-me muito ter de me levantar todos os dias muito cedo para ir para as aulas.»

Com estas “vozes” podemos, eventualmente, refletir que há adolescentes que não rejeitam a escola em si, reclamam a forma como está organizada/estruturada e sentem-se invadidos no seu dia-a-dia pela escola. Talvez possamos ainda pensar que é importante encontrar a origem do desapontamento, zanga com a escola e que o desinteresse e a desmotivação podem espreitar e têm motivos.

Ainda descobri que para os adolescentes o sucesso é importante. Por exemplo «estou melhor quando tenho boas notas»; «o que me agrada mais é ter bons resultados na escola»; «estou muito feliz quando tenho bons resultados no teste». E a presença do desejo de obter bons resultados. A exemplo «gostaria mais que tivesse melhores notas»; «eu gostaria mais de tirar melhores notas»; «gostaria de ter melhores notas, apesar de ter boas notas».

Poderemos, eventualmente, verificar que é importante, ainda que com pouca expressão, para alguns adolescentes ter sucesso escolar. Contudo, poderemos também pensar que o nosso contexto sociocultural concede à escolarização e aos seus resultados uma pertinência indiscutível.

Na verdade, a escola é um campo onde o adolescente faz uso das suas “armas”, as exercita, as aperfeiçoa, onde trava “guerras” de conhecimento, de sedução e de poder, por vezes, de relação ambígua. Contudo, nunca poderemos que o adolescente espera que a escola extravase a simples atividade do ensino e da aquisição de conhecimentos (Braconnier & Marcelli, 2000).

 Texto: Marina Amaro/Psicóloga - edição de outubro do Jornal da Família