3700 pessoas já passaram pelo CAF de Coimbra em 18 anos de existência

O Centro de Aconselhamento Familiar de Coimbra (CAF), afeto ao Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, celebrou no passado dia 31 de janeiro, na sua sede, na Casa de Santa Zita, o 18.º aniversário de funcionamento. Como costume, houve uma reunião de avaliação com os colaboradores, que contou com a presença habitual do Bispo Virgílio Antunes.

No tempo de partilha, ouviu-se dizer que há muito sofrimento escondido nas pessoas e nas famílias, resultante de uma cultura hedonista instalada na sociedade. Surgem em primeiro lugar os conflitos conjugais, muitas vezes com violência doméstica. Os efeitos nos filhos são imediatos, causando problemas no desejável crescimento harmonioso e até levando à sua institucionalização ou adoção.

Também se ouviu dizer que, pela primeira vez na história da humanidade, “o virtual é maior do que o real”, provocando conflitos imprevisíveis, que assentam, forçosamente, na “relação”. Sim, o problema está na “relação” e não no casal! Falta paciência, perdão, capacidade para aceitar o outro, capacidade para renunciar e fazer sacrifício; e, quando também falta dinheiro, muitas vezes por uma inadequada gestão financeira, dá-se uma grave crise.

Perante tantos problemas, as respostas ficam aquém das necessidades. Mas o CAF foi, sem dúvida, um singelo oásis de esperança para a quase centena e meia de homens e mulheres que o procurou em 2016 (que correspondeu a cerca de 220 atendimentos) e para as 3700 pessoas que por lá passaram nestes 18 anos de existência.

Se perscrutarmos a razão da solidez e credibilidade do CAF, chegaremos facilmente à conclusão que reside no atendimento a qualquer hora do dia e da noite, pela respetiva coordenadora, Emília Cardoso, do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, diplomada em família, e pelo profissionalismo do leque de colaboradores  – sacerdote, médico psiquiatra e médico de saúde pública, gestor financeiro, juristas, assistente social, psicóloga, enfermeira (especialista em violência doméstica) – que atendem as pessoas presencialmente, o tempo e as vezes que forem necessárias.

D. Virgílio Antunes ouviu com atenção todas as intervenções, confirmou que os problemas assentam na “relação” e apelou a que a Exortação Apostólica Amoris Laetitia fosse bem divulgada junto das famílias, pois, numa linguagem muito acessível e prática, contém orientações que podem contribuir para que os casais e os filhos experienciem relações mais sólidas e duradouras.

E porque se acredita que cada pessoa tem capacidade para, a qualquer momento, dar uma volta à sua vida, o CAF vai continuar a servir com abnegação a Igreja e a sociedade.

Quem necessitar de recorrer a este serviço poderá fazê-lo através dos seguintes contactos: 969 881 159; cafcoimbra@sapo.pt.

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

O amor no matrimónio: entre a beleza e os desafios

O Capítulo IV da ‘Amoris Laetitia’ ganha vida na voz de João dos Santos Silva e de Maria Margarida Bogalheiro, que revelam um matrimónio construído na entreajuda diária, na amizade e na fé que lança “uma corda” quando “o barco está a afundar”. Há dias que “não são fáceis” e reconhecem que já se deitaram “sem fazer as pazes”. Mas o amor salva o matrimónio.

Ler Mais >>

A Grandeza da Pessoa Humana

A ‘Magnifca Humanitas’ convoca-nos para a “apaixonante missão de dar forma ao nosso tempo”, afirma Juan Ambrosio na análise que faz da primeira Encíclica do Papa Leão XIV. Para o professor de teologia da Universidade Católica Portuguesa o documento papal convida-nos a construir uma história onde “a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça seja promovida e a fraternidade seja possibilitada”, onde “o progresso deve estar ao serviço da pessoa e nunca contra ela”.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada vivida no coração do mundo secularizado como presença da Igreja sinodal

Num tempo em que a fé parece afastar-se do espaço público, a secularidade consagrada emerge como um sinal discreto da presença da Igreja no coração da sociedade. Vivendo plenamente inseridos nos ambientes profissionais, culturais e familiares, os consagrados seculares tornam visível uma Igreja sinodal que escuta, dialoga e participa ativamente na construção de um mundo mais humano.

Ler Mais >>