Adolescência: por dentro e por fora!

A escola é responsável pela transmissão de normas e padrões comportamentais, e representa um papel determinante no processo de socialização das crianças e dos adolescentes. A entrada na escola traz consigo a importância crescente de ambientes físicos e sociais externos à casa/família, a importância crescente do grupo de pares, e constitui um tempo de aprendizagem e de teste das competências pessoais e sociais (Baptista, Tomé, Matos, Gaspar & Cruz, 2009). A escola é um grupo privilegiado de encontros e interações.

Vários estudos têm mostrado que a escola constitui uma das principais preocupações dos adolescentes, logo após as relações com os amigos, que constituem a sua principal preocupação. Só depois vêm as preocupações com o tempo de lazer, condições de vida, relações amorosas e relações com os pais. Constituem também, dado ser uma das principais preocupações, um dos temas centrais de discussão com os amigos, os colegas e com os pais (Braconnier & Marcelli, 2000). Paralelamente, a escola representa, talvez algo mais do que se imagina, porque o adolescente espera dela não somente uma preparação para a vida profissional, uma aprendizagem pessoal, mas também uma possibilidade de desenvolvimento para o conjunto da sua vida e da sua personalidade. Há estudos que salientam algumas características do contexto escolar como preponderantes na adaptação e satisfação do adolescente neste contexto, nomeadamente: a cultura da escola (McWhirter et al., 1998; Samdal, 1998; Samdal, Nutbeam, Wold, & Kannas, 1998, cit. por Simões, 2007), a proteção física e emocional adequada (Bearman, 1998; Samdal, 1998; Samdal et al., 1998; Simmons, 1987, cit. por Simões, 2007), a promoção de atividades extracurriculares (Bearman, 1998; Horn, Chen, & Adelman, 1997; Simmons, 1987, cit. por Simões, 2007) e a continuidade dos grupos próximos na escola (Bearman, 1998; Simmons, 1987, cit. por Simões, 2007). Donde se conclui que, a relação do adolescente com a escola extravasa a simples atividade de ensino e de aquisição de conhecimentos, se assim for não corresponde aos desejos dos própios jovens (Braconnier & Marcelli, 2000).

De facto, face à escolaridade, nem todos os adolescentes são iguais: eles obedecem a ritmos diferentes e as suas necessidades sociais, físicas e afetivas não são as mesmas. Há os que são sonhadores, tímidos, faladores, calmos, agitados, agarrados aos estudos. Todavia, a escola apresenta um forte impacto no ajustamento dos adolescentes. Dados de vários estudos têm mostrado que a ligação à escola é importante para o bem-estar do adolescente e constitui um importante fator de proteção contra o comportamento desviante (Simões, 2007).

Em síntese, a esfera da escola é particularmente implicada pelos processos da adolescência. Se alguns adolescentes se refugiam numa hiperatividade intelectual em detrimento de domínios demasiado dependentes da atividade libidinal (desportos, passatempos, por exemplo), outros, pelo contrário, pagam com o insucesso as dificuldades em integrar a puberdade e as respetivas consequência na sua vida psíquica (Delaroche, 2006).

 Texto: Marina Amaro/Psicóloga – Jornal da Família / edição maio 2017

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