Editorial agosto/setembro

Instituído há dois anos, com o lançamento da Encíclica Laudato Si, a celebrar a 1 de setembro, o ‘Dia Mundial de Oração e Cuidado da Criação´ enfatiza uma vocação comum a todo o ser humano a de «Guardião da criação» e constitui, por determinação do Papa, uma ‘nova obra de misericórdia’. “Tomo a liberdade de propor um complemento aos dois elencos das sete obras de misericórdia, acrescentando a cada um o cuidado da casa comum”. E explica: “Como obra de misericórdia espiritual, o cuidado da casa comum requer ‘a grata contemplação do mundo’, que ‘nos permite descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir por meio de cada coisa’. Como obra de misericórdia corporal, o cuidado da casa comum requer aqueles ‘simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo’ e manifesta-se no amor ‘em todas as ações que procuram construir um mundo melhor’”.

Ganha cada vez mais urgência a necessidade de uma conversão ecológica, que contraponha à lógica do lucro o respeito pelos ritmos da natureza, e promova o equilíbrio da complexidade dos ecossistemas, gravemente alterado pela intervenção humana. Na condição de habitante da ´casa comum`, cada pessoa é indispensável na construção desta ´conversão’…

Pelo contacto privilegiado que proporcionam com a natureza e de uns com os outros, as férias são uma óptima oportunidade para fomentar hábitos e relações mais ecológicas, como nos recorda o Papa na Laudato Sí: “Utilizar com critérios o plástico e o papel, não desperdiçar água, comida e eletricidade, diferenciar o lixo, tratar com zelo os outros seres vivos, usar os transportes públicos e partilhar o mesmo veículo com várias pessoas”. Entre o ser humano e a criação, existe uma aliança inseparável, pelo que, maltratar a natureza, é maltratar os seres humanos.

Vieira Maria

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