Prevenção ou perversão?

A época de incêndios que se avizinha e a defesa da "casa comum". Temas do editorial do Jornal da Família deste mês de junho.

As mensagens que nos chegam de todo o lado, desde os governantes até aos mais diversificados meios de comunicação, de todo, não são de esperança, de confiança e de segurança. Todos anunciam a “inevitável fatalidade”: os incêndios vão voltar. Sim, o fogo pode acontecer, mas o absurdo está em dar isso como um facto consumado. Porque não colocar a hipótese contrária, que leva a envidar todos os esforços para que a situação não se repita, pelo menos com as mesmas dimensões, o que exige uma linguagem diferente.

O que aconteceu o ano passado foi crime. Não podia ter sido de outro modo, tratou-se de uma ação criminal concertada e de grande alcance. Para além de todo o apoio humano e material, que revelou grande espírito de solidariedade, o que se fez já para encontrar ‘essa mão’ criminosa e castigá-la severamente?  A discussão focou-se na ausência e no estado obsoleto dos meios à disposição, na culpabilização de muitos, mas os autores do crime, estiveram ausentes da discussão. É mesmo tudo muito estranho, no que aos incêndios diz respeito, na hora do apuramento, sobejam os diagnósticos dos distúrbios psíquicos. É significativo!…

Educar e defender a terra, porque casa comum, é uma tarefa de todos e de sempre, mas se não existe, na mesma proporção, a condenação e punição de crimes desta natureza e com esta amplitude, toda e qualquer ação, por si só cai no descrédito. Será que estamos irremediavelmente condenados a este inferno, todos os anos, sem nada se poder fazer? Quem ganha com tudo isto? Ainda que ganhem alguns, nada justifica esta destruição da natureza, da vida humana e dos haveres das pessoas. E se foi crime, como muitos viram e muitos outros afirmaram, porque tem que acontecer outra vez?

Vieira Maria

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