Servir a Igreja na família e nas famílias

Maria das Neves – Cooperadora da Família da Diocese de Guanhães - Brasil

Nasceu no seio de uma família cristã e cresceu na fazenda de S. João no estado de Minas Gerais, no Brasil. Maria das Neves é a terceira filha de uma família de 11 irmãos. A necessidade de educação das crianças levou o agregado familiar a mudar-se da fazenda para Morro do Pilar, uma pequena cidade a 2h30 de viagem de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. É nesta pequena cidade, mais concretamente na paróquia de Nossa Senhora do Pilar,  na diocese de Guanhães, que a Cooperadora da Família Maria das Neves desenvolve a sua missão.

A vocação para o serviço à Igreja sempre esteve presente na vida de Maria das Neves. Uma família cristã, muito unida, cimentaram um trabalho sempre muito ligados à vida paroquial. Em 1985, problemas de saúde, trouxeram uma aposentação precoce. Maria das Neves deixou uma carreira ligada ao ensino da Geografia e da História e passou a dedicar mais tempo à vida paroquial desempenhando funções a nível da Pastoral Familiar, Pastoral do Batismo e Catequese.

A família era o centro das preocupações de Maria das Neves. Por um lado tomava conta da sua mãe, dado que todos os irmãos já tinham saído de casa, e por outro apoiava as famílias na paróquia no processo de formação e vivência da vida cristã. Enveredar por uma congregação religiosa poderia ser uma opção mas nenhum carisma a cativava. Recorda um exemplo próximo de uma prima monja: “Quando ela foi para o Mosteiro teve de passar cinco anos sem ir a casa. Podia morrer o pai ou a mãe e ela não podia ir a casa. Isso não é humano”.

No final dos anos de 1980 o padre da paróquia dá-lhe a conhecer o Instituto Secular das Cooperadoras da Família. “O Instituto deu-me a oportunidade de eu servir a Igreja, como sempre quis, sem ter de me afastar da minha família”. Foi uma vocação imedita. Maria das Neves iniciou logo a formação e em 1993 fez os Primeiros Votos. Tinha, na altura, 45 anos. Desde então tem dedicado a vida ao serviço da paróquia ao mesmo tempo que continua a cuidar da mãe, hoje com 93 anos, embora duas das irmãs tenham regressado a casa para ajudarem nesta missão. “Os meus irmãos ajudam-me a viver a minha vocação, a minha missão”, conta Maria das Neves ao referir-se à disponibilidade que todos os irmãos têm para a ajudar na vivência da consagração.

Maria das Neves conta hoje com 70 anos. De 1986 a 2017 serviu de forma efetiva a paróquia de Nossa Senhora do Pilar. Hoje coordena alguns serviços mas delegou muita da responsabilidade. Embora sempre tenha estado ligada à vida paroquial, Maria das Neves afirma que foi o Instituto que lhe deu formação para poder desempenhar a sua missão. “Aquilo que eu fazia sem formação passei a fazer com a formação dada pela Instituto. A consagração trouxe-me essa mais-valia.”

Quanto às problemáticas da vida familiar na paróquia onde reside, esta Cooperadora não vê grandes diferenças com as problemáticas que a família enfrenta um pouco por todo o mundo, embora considere que as influências cheguem um pouco mais tarde às pequenas cidades como Morro do Pilar. “ Mas já temos ´famílias homossexuais´, temos muitas mães solteiras que ficam grávidas precocemente e muitos casais a viverem em união de facto”, conta Maria das Neves, embora constate que nos últimos anos tem aumentado o número dos que pedem o  sacramento matrimónio.

São sinais de esperança num mundo onde a família se debate com várias problemáticas e onde as vocações não abundam. Maria das Neves passou por Portugal a meio de uma viagem que a levou a Roma para participar num congresso sobre Vida Consagrada. “Ninguém tem vocações”, afirma. Mas não se pode perder a fé. Depois destes anos todos, Maria das Neves está a acompanhar uma vocação. Uma jovem adulta de 30 anos que, do outro lado do atlântico, quer seguir o carisma de Monsenhor Alves Brás.
 

Presença das Cooperadoras da Família no BrasilFoi um ano após a morte de Monsenhor Alves Brás, falecido a 13 de março de 1966, que as Cooperadoras da Família começaram a desenvolver a sua missão no Brasil. Chegaram em 1967 para tomarem conta de um lar de jovens estudantes na cidade de Guanhães e hoje estão presentes em duas dioceses: Guanhães e Diamantina. Na diocese de Guanhães estão presentes  em Morro do Pilar, Conceição do Mato Dentro, Rio Vermelho, Santa Maria do Suaçui e Guanhães. Na arquidiocese de Diamantina estão presentes em Curvelo e em Pirapora.

Atualmente são 12 as Cooperadoras da Família no Brasil. Cinco Cooperadoras são de origem portuguesa, sete de origem brasileira e uma formanda também ela brasileira.

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