Agir para prevenir

Editorial da edição do julho do Jornal da Família

São cada vez mais as vozes que se levantam, alertando para os ‘danos’ de um uso desregrado do digital, sobretudo entre crianças e adolescentes. Uma situação preocupante, que tende a gerar solidão e dependências e a afunilar o leque de desejos, interesses, relações e interações.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), no dia 18 do passado mês, segundo fontes do público (19/06/2018), classificou os “distúrbios com videojogos” como um problema de saúde mental, na nova edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças…”. A condição é definida como uma “falta de controlo crescente ao longo de um período superior a 12 meses, em que se dá cada vez mais importância aos videojogos, mesmo com consequências negativas: (falta de sono, irritabilidade, exclusão de outras atividades do dia-a-dia)”.

Embora para ser considerado “distúrbio de saúde mental”, exija contornos severos e constantes, observados durante um período de tempo, não deixa de ser mais um alerta, a reclamar uma intervenção urgente e cuidada, por parte dos pais e demais educadores, para atempadamente, prevenirem comportamentos compulsivos.

É urgente agir. As crianças e os adolescentes, não têm a força de vontade educada, nem desenvolvida a capacidade de avaliar os riscos de um uso excessivo destes meios, tão aliciantes, e até úteis, e que ilusoriamente e sem esforço, parecem oferecer segurança, sentido e companhia. Um uso mais equilibrado destes meios requer definição de limites e firmeza de orientações, por parte dos pais e educadores, para proteger e cuidar a saúde mental das crianças de hoje e dos adultos do amanhã. Há que formar para o discernimento e a oportunidade e ao mesmo tempo dosear o tempo e o conteúdo, acompanhando,  informando, esclarecendo e sobretudo ensinando a gerir as frustrações inerentes a este processo.  

É urgente educar e resgatar o desejo, destas ‘manipulações subtis’, fomentando o desenvolvimento da capacidade interativa: consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente e estimulando a abertura da mente e do coração a outros valores, desde tenra idade.

Vieira Maria

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Educação dos filhos pede tempo, limites e testemunho de vida, defendem Andreia Pereira e Paulo Saraiva

Educar não é apenas ensinar os filhos a portar-se bem, mas ajudá-los a tornarem-se boas pessoas. Esta foi uma das ideias centrais da conversa com Andreia Pereira e Paulo Saraiva no mais recente episódio do podcast ‘Amoris Laetitia’ – 10 anos depois. Na releitura do capítulo VII da exortação do Papa Francisco, o casal de Viseu refletiu sobre os desafios da educação dos filhos, sublinhando a importância do amor, dos limites, da paciência, do testemunho dos pais e da fé no crescimento integral das crianças.

Ler Mais >>

Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!

“Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!”. A divertida queixa da neta de oito anos serve de ponto de partida para a reflexão de Jorge Cotovio sobre os resultados do PISA. Mas é também um alerta para o papel da família, da escola face a uma geração que cresce rodeada de respostas imediatas, mas cada vez menos habituada ao esforço de pensar.

Ler Mais >>

Artesãos da fraternidade e da paz

Perante um cenário internacional cada vez mais marcado por tensões e narrativas de força, para Juan Ambrosio os cristãos são desafiados a escolher outro caminho: serem “artesãos da fraternidade e da paz no quotidiano”.

Ler Mais >>

Entre os dois

“Diz ao pai que…”, “Diz à mãe que…” Frases aparentemente simples podem colocar sobre os ombros de uma criança um peso demasiado grande. Nesta carta aberta, uma filha pede algo essencial: que os pais encontrem a sua própria forma de comunicar e lhe permitam ocupar apenas o lugar que lhe pertence, o de filha amada pelos dois.

Ler Mais >>