Conselho Geral do ISCF visita Cooperadoras do Brasil

Uma visita para apoiar, incentivar e refletir a situação real do Instituto.

A presença das Cooperadoras da Família no Brasil remonta ao ano de 1967. Monsenhor Alves Brás já não teve a alegria de presenciar a expansão do Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF) até ao continente americano. Faleceu um ano antes, a 13 de março de 1966. Mas o seu carisma atravessou o oceano e instalou-se em duas dioceses no Brasil. Hoje as Cooperadoras da Família estão presentes na diocese de Diamantina, com um centro, três Cooperadoras e uma formanda, e na diocese de Guanhães com um centro e três Cooperadoras. Ao todo são 12 as Cooperadoras presentes no Brasil, vivendo cinco na modalidade de grupo e as restantes inseridas nas suas famílias e nas comunidades. Desempenham as suas profissões e reúnem-se mensalmente para formação. Muitas delas são professoras do ensino básico e pedagogas.

No passado mês de janeiro, Coordenadora-geral, Alice Cardoso, e Vice-coordenador, Conceição Vieira, do ISCF efetuaram uma visita ao Brasil para poderem constatar a realidade dos vários grupos e centros das Cooperadoras da Família nesta região do globo. “Faz parte das nossas funções, como Conselho Geral, visitar os grupos, os centros em cada região, mas a nossa visita quis também ter um fator motivacional: estar com as Cooperadoras e participar na vida e no trabalho delas”, conta Alice Cardoso, Coordenadora-geral do ISCF.

Em traços gerais, a visita do Conselho Geral ao Brasil quis, por um lado, “apoiar e incentivar as Cooperadoras a uma vivência cada vez mais comprometida com a missão e vocação assumida” e por outro “ ajudá-las a refletir sobre a situação real do Instituto”, explica Alice Cardoso. Tal como em Portugal, o Instituto no Brasil debate-se com o envelhecimento dos seus membros e com a escassez vocacional.

 Num dos momentos da visita, que reuniu a grande maioria da Cooperadoras presentes no Brasil, refletiu-se sobre o tema escolhido para este ano: “Ide onde ninguém vai – humildade e profecia”, mas também sobre a sustentabilidade do Instituto em termos de recursos humanos, vocacionais e organizacionais.

Missão social

É em Guanhães que se situa “O Lar dos Pequeninos”, uma creche que acolhe 159 crianças. É uma fundação do Instituto gerida juntamente com um grupo de leigos da própria comunidade e tem acordos com a Prefeitura local. “Aqui há uma dinâmica muito interessante porque a comunidade está muito envolvida na creche”, conta Alice Candoso. Há um grupo chamado “Amigos em Ação” que todos os anos realiza uma atividade solidária para melhorar a creche. O ano passado conseguiram mudar as janelas e neste ano propõem-se construir mais salas de aulas para fazerem face à lista de espera e, com o dinheiro angariado, pretendem também construir um salão polivalente.

Missão pastoral

Para além destas atividades sociais as Cooperadoras da Família no Brasil desenvolvem importantes atividades pastorais com particular destaque na pastoral familiar onde, para além de outras iniciativas, coordenam um programa semanal de rádio. Tal como em Portugal, também neste país, os sacerdotes não chegam a todo o lado e as Cooperadoras da Família acabam por ter um papel preponderante na vida pastoral das comunidades. Presidem à  celebração da Palavra, às exéquias,   fazem catequese, animação litúrgica, estão presentes na Pastoral da Criança ou no Conselho da Saúde.

Refletir o futuro

Nesta visita, as responsáveis do Conselho Geral procuraram motivar ao trabalho com os jovens. O Sínodo sobre os Jovens, o Encontro Mundial da Juventude são para as Cooperadoras incentivos para se continuar a apostar no trabalho com as novas gerações. “Um trabalho fundamental para que o Instituto progrida e prossiga na sua missão”, refere a Coordenadora-geral do Instituto. “Tivemos a oportunidade de estar com alguns jovens e perceber as suas inquietações, o seu apreço por este carisma. Não podemos falar de certezas mas sim de sinais. Deixámos-lhe também este repto de cuidar o testemunho de vida”, conta Alice Cardoso. Para já as Cooperadoras contam com uma formanda que se prepara para fazer este ano os primeiros votos. Uma alegria para o Instituto em tempos de escassez vocacional.

Do tempo que passaram junto das comunidades cristãs, Alice destaca a participação e a alegria nas celebrações litúrgicas. “As celebrações litúrgicas ao domingo ou dia de semana estão cheias de famílias, de crianças, de jovens. Um nível de participação e de alegria que nós não temos por cá”. Uma feliz constatação mas que lança uma interrogação sem resposta para esta responsável do ISCF. “Como é que existem tantos jovens com tanta participação na vida da Igreja e existe este `inverno vocacional´: quer ao nível das vocações do sacerdócio quer ao nível da vida consagrada?”. Uma pergunta a que o Instituto todos os dias tenta dar resposta.

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