Partir da memória para construir o futuro

O fórum “Família e Jovens – memória e projeto” juntou cerca de 160 participantes numa iniciativa dinâmica e interativa que reuniu várias gerações

“Eu não seria eu sem a memória”. O ponto de partida e o ponto de chegada do fórum “Família e Jovens – memória e projeto” dinamizado pelas Cooperadoras da Família e coordenado por Juan Ambrosio, professor da Universidade Católica Portuguesa. Uma iniciativa que decorreu, no passado dia 6 de abril, na Casa de Retiros do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, em Fátima, e que traçou um itinerário onde os cerca de 160 participantes se transformaram nos próprios protagonistas da dinâmica estabelecida.


Divididos por grupos, os participantes foram olhando para a “Família”, para os “Jovens”, para a “intergeracionalidade” e para a “Obra do Pe. Brás” através dos filtros da “memória e do projeto”. É neste dois pilares da “Família” e dos “Jovens” que “a vida está a acontecer” afirmou Juan Ambrosio. Tentou-se transmitir a ideia de que “sem a memória não há identidade, não há raízes, não se pode construir o futuro”, mas não podemos ficar só com a memória, “a memória tem de se abrir ao projeto, ao futuro”, afirmou o coordenador do Fórum.


Durante a manhã, quatro oradores dinamizaram os vários itinerários por onde iam passando quatro grupos de participantes. 


O itinerário “Família – memória e projeto”, esteve a cargo de Joaquim Novais, arquiteto, filho de uma família de 11 irmãos e pai de sete filhos. Deixou um testemunho de esperança perante as adversidades da vida. “Perante os sofrimentos que nós temos na nossa vida e que muitas vezes rejeitamos”, esses sofrimentos “salvam-nos”, afirmou no final dos trabalhos.

O Pe. Nuno Folgado, da diocese de Portalegre-Castelo Branco, dinamizou o itinerário “Jovens – memória e projeto” onde a palavra de ordem foi “calma” e explicou porquê. “Assim como o trigo e o joio crescem juntos e só no fim se percebe o que é bom e o que é mau, também muito do que é a vida dos nossos jovens ainda não estamos em condições de perceber se é bom, se é mau”, afirmou. “Tenham calma”, pede o Pe. Nuno Folgado, “o tempo de Deus dirá o que é pedra que constrói, que é basilar, e o que é areia que necessariamente voará com o vento, com a água, com o tempo e que no fim não terá importância nenhuma. A nós, é-nos dado semear, outros serão os que colhem”.

O itinerário “Intergeracionalidade – memória e projeto” esteve a cargo de Carlos Campos, advogado, pai de dois filhos e avô de dois netos, que se orgulha de sentar à mesma mesa quatro gerações, coisa rara nos dias de hoje. Neste itinerário centrou-se na relação avós e netos e bisavós e bisnetos para abordar “os desafios que se colocam à família no momento em que os índices de fecundidade colocam um problema gravíssimo nas sociedades europeias: o problema das gerações não se estarem a substituir”, explica.

Outro dos quatro itinerários abordava a “Obra do Pe. Brás – memória e projeto”. Dinamizado pelas Cooperadoras da Família, quis olhar uma Obra que foi crescendo através dos tempos. Agora, cabe às Cooperadoras “projetar essa obra no futuro” que “tem como núcleo essencial o projeto da santificação da Família”, explica Conceição Vieira, uma das dinamizadoras. Através de um jogral as Cooperadoras tentaram transmitir o que foi, o que é hoje e o que será amanhã “este projeto que Deus confiou à Família Blasiana”.

Já da parte da tarde, e numa quinta dinâmica, foi pedido a cada grupo que encontra-se um verbo, um substantivo, um adjetivo, um símbolo e uma ação que traduzisse o que cada grupo foi adquirindo nos vários itinerários. “O objetivo não foi que as pessoas viessem escutar passivamente mas que as implicasse no sentido de uma maior responsabilidade que todos temos na transformação deste mundo e da Família”, afirmou Conceição Vieira que acredita que quando cada um descobre o sentido das coisas esse sentido acaba por “dinamizar muito mais” a vida de cada um.

O resultado ficou expresso em quatro frases saídas dos quatro grupos que foram rodando pelos itinerários:


“À mesma mesa continuaremos a reunir-nos para falar de amor, para transformar a brasa em luz, para encarar o futuro com audácia e para levar o exemplo do Monsenhor a todas as cidades que pudermos”.

“Ir através de um diálogo com humildade, de mãos dadas, construir um mundo melhor nas famílias de hoje”.

“Sejamos ousados como Monsenhor Brás no cuidar da família, fonte de vida e de esperança”.

“Muda! porque é na mudança que aprendes a renascer como Pessoa e como Família”.


No final, a partir das dinâmicas criadas e dos trabalhos apresentados, Juan Ambrosio traçou em sete pontos o que ficou de uma iniciativa que não foi realizada apenas pelos oradores mas que contou com a participação de todos. Deste fórum ficou a convicção que devemos “estar onde a vida acontece” e aí “viver o testemunho da fé”. Devemos “cuidar uns dos outros” e sermos “qualificados e qualificadores” ou seja “ressuscitados e ressuscitadores”, sempre a partir “de uma ética assimétrica”, isto é, uma ética que assente no dar “porque sim”. E a santidade existe “onde a vida acontece, vivendo de uma forma extraordinária as coisas ordinárias”. Para quê, pergunta Juan Ambrosio. A resposta vai buscá-la a João 10:10 – “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”.

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