Não deixar nenhuma família para trás

Cimeira Mundial da Família decorreu em Lisboa e quis destacar a inclusão da família no processo de desenvolvimento. O mote para a refelxão de Juan Ambrosio.

Dando resposta a uma sugestão do então secretário geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do 10º aniversário do ano internacional da família, a Organização Mundial da Família, juntamente com um conjunto de Universidades e Organizações não Governamentais suas filiadas, tomou a iniciativa de realizar anualmente uma Cimeira Mundial sobre a família.

O principal objetivo das várias edições da Cimeira é promover o contributo da família para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Trata-se de uma grande parceria em ordem a construir um futuro com mais paz, segurança, justiça, tolerância, solidariedade, prosperidade e integração, mobilizando e promovendo aquela que é a unidade base económica, política, sociocultural e sustentável da sociedade, que é a família.

As Cimeiras Mundiais da Família querem ser um legado para as gerações futuras, por meio do compromisso de todos os setores da sociedade, numa opção de comum e mútua aprendizagem, diálogo e ação.

É verdade que as diversas temáticas abordadas ao longo destes encontros raramente incluíram uma reflexão religiosa ou teológica e que, muitas vezes, foram afirmadas e partilhadas posições que entram em conflito com a visão cristã da vida e da família, mas talvez isso não seja suficiente para justificar a ausência das instituições cristãs destes fóruns. Damos muita importância às temáticas relacionadas com a família, mas nem sempre estamos atentos àquelas iniciativas que, sobre esta realidade, se levam a cabo noutros âmbitos que não os cristãos. Julgo mesmo que esse é um hábito que devemos alterar, pois a reflexão e perspetiva cristãs certamente enriquecerão o que nesses encontros se reflete, tal como o que neles se partilha certamente poderá ajudar a aprofundar e consolidar a própria reflexão cristã. Atrevo-me mesmo a adjetivar de necessária e indispensável essa partilha, uma vez que o mundo global em que vivemos não pode continuar a ser edificado sem um dialogo e uma ação que envolvam todos.

A edição deste ano decorreu de 13 a 15 de maio em Lisboa. Este importante acontecimento passou praticamente desapercebido, motivo pelo qual decidi partilhá-lo convosco. No documento de trabalho distribuído a todos os participantes apresentava-se a seguinte visão:

“A humanidade alcançou nas últimas décadas progressos sociais e económicos sem precedentes. No entanto, esses progressos foram desiguais. Em todos os lugares, alguns indivíduos e grupos confrontaram-se com barreiras que os impediram de participar plenamente na vida económica, social e política, deixando-os para trás. O foco da Agenda 2030 e a aspiração central da Cimeira Mundial da Família 2019 é destacar a inclusão da família no processo de desenvolvimento, de modo a que nenhuma família seja deixada para trás. Para isso é necessário fortalecer as autoridades locais e as famílias, em ordem a construir cidades e comunidades humanas inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.”

Leave no family behind (não deixar nenhuma família para trás) esse era o lema desta Cimeira. Certamente que muitos e variados terão de ser os caminhos de concretização deste objetivo. Certamente que não estaremos de acordo com todos. Mas o que não podemos deixar de fazer é de dar o nosso contributo para promovê-lo, porque   não deixar nenhuma família para trás é também o objetivo da proposta cristã. Também a este nível ganharemos muito mais, promovendo o encontro entre todos aqueles que têm responsabilidades na dignificação da(s) família(s).

Juan Ambrosio 
juanamb@ft.lisboa.ucp.pt

Artigo da edição de junho do Jornal da Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

O primeiro lugar onde aprendemos a amar

No Dia Internacional da Família somos convidados a olhar para o lar como o primeiro espaço onde se aprende a amar. Entre gestos de escuta, partilha, perdão e cuidado, é no quotidiano familiar que se formam os laços e se constrói, dia após dia, a educação do coração.

Ler Mais >>

O contexto histórico da ‘Provida Mater Ecclesia’

Tornar mais conhecida a Consagração Secular é o objetivo de uma série de artigos que o Jornal da Família vai publicar ao longo dos próximos meses. A iniciativa tem no horizonte o dia 30 de janeiro de 2027, data em que os Institutos Seculares Portugueses vão celebrar os 80 anos da Constituição Apostólica Provida Mater Ecclesia. Este documento, publicado pelo Papa Pio XII, reconhece a Consagração Secular como uma forma legítima de vocação na Igreja. No primeiro artigo olhamos para o ano de 1947 para “O contexto histórico da Provida Mater Ecclesia”

Ler Mais >>

Redes sociais degradam bem-estar dos adolescentes

À medida que estudos e relatórios revelam o impacto negativo das redes sociais no bem‑estar dos adolescentes, torna‑se claro que a família, a escola e a sociedade têm um papel fundamental a desempenhar: educar para o amor, para os limites e para um uso responsável da tecnologia. Opinião de Jorge Cotovio.

Ler Mais >>