A pandemia “torna-se um desafio também para a missão da Igreja”, afirma Francisco

“Eis-me aqui, envia-me” é o título da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões que a Igreja celebra a 18 de outubro.

É um ano “marcado pelas tribulações e desafios causados pela pandemia do Covid-19”, começa por afirmar Francisco na Mensagem para o 94º Dia Mundial das Missões intitulada “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8).

Para o Papa “a compreensão daquilo que Deus nos está a dizer nestes tempos de pandemia torna-se um desafio também para a missão da Igreja” que é interpelada pela “ doença, a tribulação, o medo, o isolamento”.  

 “Interpela-nos a pobreza de quem morre sozinho, de quem está abandonado a si mesmo, de quem perde o emprego e o salário, de quem não tem abrigo e comida”, escreve Francisco. Em tempos marcados pelo isolamento “somos convidados a redescobrir que precisamos das relações sociais e também da relação comunitária com Deus” e  “esta condição deveria tornar-nos mais atentos à nossa maneira de nos relacionarmos com os outros”.

O texto recorda a intervenção da bênção especial ‘Urbi et Orbi’ de 27 de março, numa Praça de São Pedro deserta: “Fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada e furibunda. Demo-nos conta de estar no mesmo barco, todos frágeis e desorientados mas, ao mesmo tempo, importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E, neste barco, estamos todos”.

“Estamos verdadeiramente assustados, desorientados e temerosos”, escreve agora Francisco que considera que o sofrimento e a morte “fazem-nos experimentar a nossa fragilidade humana” mas, ao mesmo tempo, “todos nos reconhecemos participantes dum forte desejo de vida e de libertação do mal”. É  neste sentido que o chamamento à missão “aparece como oportunidade de partilha, serviço, intercessão” e “a missão que Deus confia a cada um faz passar do «eu» medroso e fechado ao «eu» resoluto e renovado pelo dom de si”.

Francisco continua a desejar uma “Igreja em saída” e “a missão é resposta, livre e consciente, ao chamamento de Deus” mas só pode ser sentida quando se vive “numa relação pessoal de amor com Jesus vivo na sua Igreja”. E Francisco questiona: “Estamos prontos a acolher a presença do Espírito Santo na nossa vida, a ouvir a chamada à missão quer no caminho do matrimónio, quer no da virgindade consagrada ou do sacerdócio ordenado e, em todo o caso, na vida comum de todos os dias? Estamos dispostos a ser enviados para qualquer lugar a fim de testemunhar a nossa fé em Deus Pai misericordioso, proclamar o Evangelho da salvação de Jesus Cristo, partilhar a vida divina do Espírito Santo edificando a Igreja? Como Maria, a Mãe de Jesus, estamos prontos a permanecer sem reservas ao serviço da vontade de Deus (cf. Lc 1, 38)?”

Para Francisco “esta disponibilidade interior é muito importante para se conseguir responder a Deus” com a frase de profeta Isaías  “Eis-me aqui, Senhor, envia-me” (cf. Is 6, 8). “E isto respondido não em abstrato, mas no hoje da Igreja e da história”, escreve Francisco.

A celebração do Dia Mundial das Missões acontece anualmente no terceiro domingo de outubro (18 de outubro, em 2020) e os donativos recolhidos nas Missas destinam-se a apoiar o trabalho das Obras Missionárias Pontifícias.

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