Jornal da Família – 60 anos ao serviço da família

O Jornal da Família assinala este ano 60 anos de vida. Entrevista com Maria da Conceição Vieira, diretora deste órgão de comunicação fundado por Monsenhor Alves Brás.

Jornal da Família (JF) – Em 2020 o Jornal da Família assinala 60 anos de existência. Que balanço faz o Instituto Secular das Cooperadoras da Família da presença deste jornal no panorama da imprensa em Portugal?

Maria da Conceição Vieira (MCV) – O Jornal da Família afirmou-se entre muitos outros, porque soube adequar-se nos seus conteúdos e na sua apresentação gráfica. Soube acompanhar a evolução da realidade familiar, eclesial, social e política pelo que, o balanço, 60 anos depois, é francamente positivo. Seja qual for o seu futuro, o Jornal da Família, “Paladino de uma causa nobre”, como o classificou o seu Fundador, calcorreou os caminhos de Portugal, e alguns do estrangeiro, desde os anos 60 até aos nossos dias. Foram poucas as casas onde ele não entrou. Na fidelidade ao seu propósito inicial – “Doutrinar, eis, pois o grande objetivo do Jornal da Família” (Ven. Pe Brás nº 1 1960) – foi muito louvado, procurado e apreciado. Soube ser veículo de cultura, de formação e informação, de apoio à formação dos pais e avós, na vivência da sua vocação e na sua missão de educadores. Mês após mês, sempre, mas com mais afinco nos seus primeiros anos, foi pioneiro na “formação à distância”, ensinando lições de corte e costura, economia doméstica, decoração e arranjo de interiores, boas práticas e maneiras. Realizou tudo isto em tempos de drástica escassez de meios de formação e informação e de recursos financeiros de grande parte das famílias portuguesas. E como cuidar a Família inclui todas estas vertentes, o Jornal da Família foi e continua a ser um instrumento valioso na realização do Carisma do Instituto das Cooperadora da Família, que tem por missão “O cuidado da Santificação da Família”.

 JF – Fundado por Monsenhor Alves Brás, em 1960, que contributo dá hoje para a formação e informação das famílias?
MCV –
 Com uma publicação mensal regular, nas oito páginas que edita, o Jornal da Família procura levar à Família tudo o que a ela diz respeito nas várias áreas da sua vocação e missão. À luz do Evangelho e da doutrina do Magistério da Igreja, procura: formar, informar, iluminar, sugerir; propor modos concretos de atuação e de compromisso; elucida sobre os seus direitos e deveres; informa sobre as políticas familiares, na conjuntura nacional, internacional e mundial e adverte sobre os princípios menos éticos que pretendem ferir a essência da vocação e da missão da família, como a crescente tendência a secundarizar o seu papel na construção de uma sociedade mais fraterna e harmoniosa. Na realização deste projeto, o Jornal da Família, conta com uma larga equipa de colaboradores especializados, a quem está profundamente agradecido, que a título gratuito e convictos do valor insubstituível da família, em articulação com a Equipa Redatora, enriquecem o Jornal com os seus artigos sobre os mais variados temas, possibilitando desse modo, a sua continuidade.

JF – Na era da internet, o Jornal da Família, disputa os leitores com as plataformas digitais. Como se está a adaptar a esta realidade?
MCV – Consciente da velocidade e da eficácia das plataformas digitais na comunicação e do seu impacto nas jovens gerações, onde todos são sujeitos e agentes de informação e comunicação, na fração de um clique, o Jornal da Família, continuando com a versão impressa, tem procurado marcar presença no digital: no site, no facebook,  no Instagram ou youtube, disseminando por aí parte dos seus conteúdos e publicitando-se neles. Num inquérito lançado há um ano atrás, o apuramento dos dados, revelam que a grande maioria dos atuais assinantes ainda prefere a edição impressa. Mas fica uma inquietação, a certeza de que os novos leitores vêm das plataformas digitais, o que significa que, com o apoio de profissionais da comunicação, o Jornal tem que conjugar cada vez mais e melhor a difícil arte/competência de fazer coexistir o analógico e o digital, como realidades complementares, adequando, com saber, os seus conteúdos e o modo de os apresentar.

JF – Quais são os maiores desafios que o futuro coloca ao Jornal da Família?
MCV – O Jornal da Família debate-se hoje com uma série de desafios, entre os quais se destacam: A captação de um maior número de assinantes; o ser um órgão inclusivo, que seja apoio para todas as famílias, sem negar nada dos princípios que o orientam; a sua sustentabilidade. Os custos com a impressão são ainda muito avultados e do digital ainda não se retiram lucros; a captação de leitores mais jovens e a necessária adequação dos conteúdos e da linguagem ao seu mundo; o cuidar da qualidade, da atualidade e da pertinência dos conteúdos. Que sejam úteis à família e o mais possível relacionados com as suas dinâmicas existenciais, relacionais e laborais. Por último, garantir um número de colaboradores, que num espírito de solidariedade com a defesa dos valores da vida e da família e em estreita interação com os profissionais da comunicação vinculados ao jornal, cooperem neste projeto, de forma voluntária e gratuita.

JF – De que forma vão ser assinalados estes 60 anos de existência?
MCV – Pretendemos dar algum destaque no Jornal a este evento reescrevendo pequenos excertos dos primeiros jornais, publicados ao longo do ano 60; cada impressão ao longo deste ano manterá vivo, de vários modos, este evento. Decidimos oferecer uma assinatura gratuita, por um ano, às famílias que inscrevem os seus filhos, pela primeira vez, nos Equipamentos da Infância, dinamizados pelas Cooperadoras da Família. A primeira edição deste ano integra um calendário para 2020, com o intuito de publicitar o Jornal. Aceitámos o desafio de uma entrevista no programa Ecclesia, inserido no espaço “Fé dos homens”, na RTP 2, falando destes 60 anos e que será emitida no dia 07 de janeiro. Estamos a estudar o modo de em cada localidade se assinalar, de forma muito simples, mas digna, os 60 anos do Jornal da Família. Faremos um apelo constante aos nossos assinantes para que consigam novas assinaturas junto de outras famílias, ao longo deste ano. Por cada 10 assinaturas oferecemos um fim de semana em Casegas – Terra do Fundador, ou em Fátima, (de sexta a domingo – diária completa). Tentaremos levar o Jornal a outras ‘paragens’ onde não está presente.

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