Beber das fontes

Juan Ambrosio participou na peregrinação da Família Blasiana à Guarda. Acompanhou um grupo de peregrinos pelas ruas e lugares que marcaram a vida do Pe. Brás Alves Brás nesta cidade e conta-nos tudo neste artigo que escreveu para o Jornal da Família.

Foi um dia em cheio, onde tivemos a oportunidade de ir ao berço da Família Blasiana. No tempo em que tudo começou não havia certamente consciência de onde estaríamos hoje, nem existia a família Blasiana. Mas sem o que então começou a acontecer a sua existência não teria sido de todo possível, por isso a nossa peregrinação à Guarda, no dia 19 de março, foi mesmo um ir às fontes.

A jornada começou bem cedo, pois os peregrinos deveriam encontrar-se às 10h30, no largo, junto à Sé da Guarda. E assim foi, vindo de vários pontos do País e mesmo de Madrid fomo-nos juntando e dividindo em pequenos grupos que, à medida que iam sendo constituídos, começaram a sua caminhada percorrendo os lugares mais significativos dos primeiros passos desta família.

Passámos junto à casa de Maria José Lucas, mais conhecida por Zézinha, onde nasceu o primeiro lar da Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC, depois conhecida como Obra de Santa Zita). Zézinha foi a primeira pessoa que diretamente trabalhou com o Pe. Joaquim Alves Brás.

Muito unida ao Fundador, foi ela que ajudou a organizar as reuniões e encontros de formação com as criadas de servir na Igreja de São Vicente, na qual tivemos a oportunidade de fazer uma paragem, para ouvir mais um pouco da história nascente, beber um pouco mais da intuição que esteve na origem e dar graças pelo caminho até agora percorrido.

A partir destas reuniões, destinadas a todas as criadas de servir que quisessem participar, foi possível ir identificando algumas mulheres que, pelo seu envolvimento e empenho, poderiam ajudar a unir todas as associadas de forma a constituírem um grupo cada vez mais consolidado que pudesse ajudar, não só no seu desenvolvimento pessoal e social, como também no aprofundamento da sua dimensão espiritual. No dia 4 de junho de 1933, um grupo de seis mulheres, juntamente com o Pe. Brás, fazem a sua consagração a esta missão e assim se lançam os alicerces do que mais tarde será o Instituto Secular das Cooperadoras da Família.

Depois deste intenso momento na Igreja de S. Vicente, continuámos a percorrer as ruas que fazem parte desta história, passando pela Sede Fundadora da OPFC, casa de Santa Zita da Guarda e terminando junto ao Monumento em homenagem a Mons. Alves Brás, no já existente largo com o seu nome. Inaugurado no dia 21 de março de 1999, por ocasião do centenário do seu nascimento, está repleto da simbologia que nos remete para a vida da Família Blasiana. Feito em granito, pedra originária da região, tem três pilares e três repuxos, aludindo às três obras que o Mons. fundou – Obra de Santa Zita, Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Movimento por um Lar Cristão – e à sua vitalidade, tão bem expressa naquelas torrentes de água que se elevam em direção ao alto. Uma frase, da autoria do Fundador, foca-nos bem na intuição que está na base de todo este caminho: «a família é a nascente donde brota a humanidade»

Da parte da tarde, no Seminário da Guarda, lugar tão importante para esta história, pois lugar onde se consolidou a vocação de Mons. Alves Brás, nos momentos de formação como seminarista, e foi sendo discernida a concretização da sua missão, nos momentos da sua vida inicial como padre, tivemos a oportunidade de ouvir o testemunho de pessoas que, não o tendo conhecido pessoalmente, por ele se sentem inspirados e nele reconhecem a força do Espírito que esteve na origem e que hoje contínua a sustentar o caminho. Enriquecidos com este momento, que teve também a presença tão ternurenta e significativa de um grupo de crianças, pais e educadores da casa de santa Zita da Guarda, partimos para a Sé, onde juntos, como Família Blasiana, pudemos dar graças a Deus por todo o caminho percorrido desde então até hoje, pedindo-lhe igualmente a força para continuar a missão.

Neste dia tão significativo, inserido na caminhada trienal que nos leva à celebração do Jubileu do centenário da ordenação sacerdotal do Pe. Alves Brás, tivemos a oportunidade de percorrer algumas das ruas que o Fundador percorreu e de estar em alguns dos lugares onde ele também esteve. Para quem como eu teve a oportunidade de o viver intensamente sabe que não foi simplesmente uma romaria ao passado marcada pela saudade, pelo contrário, foi uma ida às fontes, para delas poder beber e assim poder continuar a desenvolver a obra então começada. Não repetimos só os passos, quisemos é neles inspirar-nos para continuar em fidelidade criativa a missão que agora e no futuro é pedida à Família Blasiana.

Juan Ambrosio

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