Nos passos do Pe. Brás

A Obra do Pe. Alves Brás deve ser “motivação” para todo o trabalho em prol da família, afirma D. Manuel Felício, Bispo da diocese Guarda.

Mons. Brás “viveu os problemas desta diocese e soube interpretar o que a Igreja e a sociedade conturbada dos anos 20, do passado século,  lhe pedia”, afirmou D. Manuel Felício ao juntar-se à peregrinação da Família Blasiana à Guarda, no passado dia 19 de março. O bispo da diocese da Guarda, um conhecedor da Vida e Obra do Pe. Alves Brás, fez questão de acompanhar um dos vários grupos de peregrinos que vieram de vários pontos de país e de Madrid  e percorreram as ruas e os locais outrora frequentados pelo Pe. Brás e onde nasceram as Obras que hoje integram a Família Blasiana. O Pe. Brás “soube ver por detrás da cortina daquelas jovens que encontrava desorientadas, abandonadas e exploradas e promoveu iniciativas em favor da família”, afirmou D. Manuel Felício. “O projeto que ele idealizou e pôs em prática está longe de chegar ao seu termo e nós somos aqueles que temos a obrigação de o continuar, dado que a família é a raiz onde tudo começa”, referiu. Para o bispo da diocese da Guarda, Mons. Brás “é um modelo de persistência e dedicação” e a sua Obra deve ser “motivação” para todo o trabalho em prol da família.

O Pe. Alves Brás, nascido em Casegas, no concelho da Covilhã, ficou para sempre ligado à cidade da Guarda. Nesta cidade foi ordenado sacerdote e ali fundou a Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC), hoje Obra de Santa Zita, fundando depois o Instituto Secular das Cooperadoras da Família.

Intitulada “ Beber na ‘Intuição Primeira’ – Revisitar as Fontes” esta peregrinação inscreveu-se  na caminhada trienal que a Família Blasiana está  a viver com vista à celebração dos 100 anos de Ordenação Sacerdotal do Pe. Brás e dos 25 anos de reconhecimento de Direito Pontifício do Instituo Secular das Cooperadoras da Família, que se assinalam em 2025.

Para Mons. Fernando Matos, Postulador da Causa de Canonização de Mons. Alves Brás, que viajou de Roma propositadamente para se juntar à peregrinação, esta iniciativa faz todo o sentido porque “ há muita gente que não conhece em  pormenor estes percursos de Mons. Alves Brás na cidade da Guarda” e fora  dos círculos de espiritualidade da Família Blasiana  a “grande maioria dos cristãos desconhece esta figura e desconhece o trabalho que Mons. Alves Brás fez em prol da família e em prol da dignidade da mulher”. O Postulador da Causa de Canonização do Pe. Brás defende que é importante que este testemunho seja passado aos jovens. “Com a erosão dos anos, se não houver  esta ligação ao passado, a memória tende a desvanecer-se e até desaparecer”, referiu.

O percurso pelos locais que marcaram a vida do Pe. Brás terminou com uma sessão  no Seminário Maior da Guarda que contou com a presença de Sérgio Costa.  O presidente da Câmara Municipal da Guarda afirmou que “poucos homens teriam a força para criar tantas Obras que ainda hoje perduram” e que o seu pensamento e as suas Obras, ainda hoje nos alertam para  a importância basilar que a família e a Igreja têm na sociedade de hoje”.

Já na Sé Catedral, na missa de encerramento da peregrinação, D. Manuel Felício confidenciava na homilia as preces que tinha feito de manhã na Capela do Paço Episcopal, onde o Pe. Brás fora ordenado sacerdote. O bispo da Guarda pedia a graça de ver reconhecida pela Igreja a santidade do Pe. Brás nos processos de Beatificação e Canonização em curso e pedia ainda que o exemplo de sacerdócio do Pe. Brás continue a inspirar os sacerdotes atuais de forma a continuarem a prestar à Igreja e à sociedade um “serviço de incontestável valor e insubstituível” que hoje lhes continua a ser pedido.

Para Juan Ambrosio, docente  da Universidade Católica Portuguesa (UCP), que integra o grupo de trabalho com vista à preparação do Centenário da Ordenação Sacerdotal do Pe. Alves Brás, “esta peregrinação é um ponto importante deste caminho de três anos que queremos fazer até ao Jubileu 2025”. Para o teólogo da UCP o “vir beber às fontes, passar pelos sítios por onde tudo começou a ser forjado,  a ganhar forma”  é muito importante “não só para dar graças a Deus pelo que existe mas para pensar, para reformular, para continuar a responder como o Pe. Brás respondeu há 100 anos, adaptando essa resposta ao que os tempos nos vão hoje pedindo”.

Ao juntar Igreja e sociedade civil, esta peregrinação veio demonstrar que a Família Blasiana não pode “viver esta dimensão só para dentro, tem de ser também uma dimensão que seja transformadora do tecido social, que ajude a construir um mundo diferente e estamos bem precisados de um mundo diferente”, conclui Juan Ambrosio.

Conceição Vieira, Coordenadora Geral do ISCF, fez um balanço “muito positivo” da iniciativa. “As vivências e as marcas deixadas em cada pessoa que acolheu o desafio de rumar até à Guarda, ‘cidade berço da vocação e missão do Pe. Brás’ deixaram, em cada participante, o desejo de o tornar mais conhecido e de recorrer mais à sua intercessão, para que Deus realize, por meio dele, o milagre necessário à sua beatificação”, refere Conceição Vieira. 

IM

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