Cooperadora Raquel Duarte despede-se do Brasil

“Vou feliz, continuemos juntos”, afirmou a Cooperadora Raquel no momento de despedida das gentes e da terra que a acolheu numa missão de 44 anos.

“Se vim, fiquei bem. Muita coisa eu fiz com a ajuda de vocês. Confiança, ajuda mútua…
Agradeço a Deus e ao Mons. Joaquim Alves Brás, fundador do nosso Instituto.
Que, das famílias, saiam jovens que testemunhem Jesus Cristo na vida consagrada.
É o amor de Deus que nos sustenta. Vou feliz, continuemos juntos”

(Palavras da Raquel durante suas despedidas e agradecimentos)

Maria Raquel Mendes Duarte, filha de Joaquim Duarte e Maria Rosa Mendes, nascida em 07/09/1936, natural de Casevel, Portugal e membro do Instituto Secular das Cooperadoras da Família desde o ano de 1971.

Filha de uma família muito simples, Raquel interrompeu os estudos aos nove anos de idade, quando era a melhor aluna da turma. A escola ficava distante da casa dela 4 quilômetros que ela percorria à pé e, quando o pai ficou doente precisou ajudar na vida doméstica

Trabalhou na roça apanhando figos, azeitonas e mondando o trigo semeado. Nessa época tinha 11 anos e era tão criança que as mulheres predominantes neste serviço a levavam ao colo do campo para o abrigo das oliveiras e carvalhos que lhes serviam de “tenda” nas horas das refeições.

Foi mais de uma década dedicada ao campo, à família e especialmente ao pai, de quem cuidava. Depois de casados seus 3 irmãos e do falecimento de seu pai, foi morar em Santarém com uma tia, a quem ajudou no pequeno comércio, por cerca de 5 anos.

Aos 28 anos, decidiu seguir a vida consagrada, no Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Decisão que não foi bem aceita pela família. Quando saiu de casa (1964) e foi para Lisboa seguir a sua vocação, seu irmão mais velho lhe negou a despedida e durante muitos anos não quis falar com ela.

Como Cooperadora da Família, trabalhou com as jovens que chegavam na cidade em busca do seu primeiro emprego, bem como nas visitas às empregadas domésticas e outros serviços. Aí continuou seus estudos equivalentes ao segundo grau(Ensino Médio).

Em 1971 foi para Itália onde trabalhou no serviço de acompanhamento das pessoas.  Ao ser perguntada se queria vir para o Brasil, como Maria, deu o seu SIM e em 1979 embarcou rumo ao Brasil. Guanhães era o seu ponto de chegada.

Os primeiros dois anos foram de adaptação aos novos hábitos, cultura etc. Como participante das ULTREIAS (movimento do Cursilho de Cristandade), Maria Raquel e Maria Otília começaram a visitar os bairros mais empobrecidos da cidade e se depararam com algumas situações degradantes em relação às crianças bem pequenas.

Ela e a Maria Otília, juntamente com alguns membros da comunidade começaram a sonhar em fundar uma creche nos salões do Instituto para minimizar o sofrimento dessas crianças. Em fevereiro de 1981 foi fundada a creche Lar dos Pequeninos, inicialmente em regime matutino, com 35 crianças, realidade essa que não atendia as necessidades das crianças e suas famílias, pois, a maioria mães solteiras que precisava trabalhar o tempo integral e pouco tempo depois passou a atender as crianças das 6 da manhã às 18horas.

Trabalhou na creche até o ano 2007. Inserida nas atividades pastorais da Paróquia, trabalhou na Cruzada Eucarística, na catequese para a Primeira Eucaristia, nas festas de São Miguel, na preparação para o Batismo e para a vida matrimonial, na Liturgia, nos Grupos de Reflexão , como Ministra extraordinária da Sagrada Comunhão, na Pastoral Familiar, nas visitas às famílias incentivando-as a cultivarem a espiritualidade da Sagrada Família de Nazaré.

Após 44 anos no Brasil, Maria Raquel Mendes Duarte, pela idade e limitações, preferiu voltar para a sua origem, Portugal. (Um sonho de 3 anos). A Maria Otília  retornou para Portugal em outubro de 2018.

No domingo, 21 de maio de 2023 , após a Missa, representantes dos Movimentos e Pastorais, da creche Lar dos Pequeninos e da Apae se reuniram para um delicioso café de despedida com a “Ir Raquel”, ao som d a música de Robertinho Zier. O amor supera todas as distâncias!

Nosso abraço e agradecimentos à Raquel , à Maria Otília , bem como as demais que se dedicaram com tanto amor e pelos valiosos trabalhos realizados  na Diocese de Guanhães.

O Instituto  Secular das Cooperadoras da Família veio para o Brasil – Diocese de Guanhães em fevereiro de 1967 a pedido do Dom Geraldo Proença Sigaud.

As Cooperadoras estão presentes na  Diocese de Guanhães (Guanhães, Rio Vermelho, Santa Maria do Suassuí, Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar; e Diamantina (Pirapora).

No momento, são 09 Cooperadoras e 01 Formanda.

Artigo de Eliana Alvarenga – Página da diocese de Guanhães

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

MLC reforça presença na Diocese do Funchal

Equipa Nacional do MLC esteve na Madeira para conhecer de perto a realidade das famílias locais e articular trabalho com os núcleos MLC ali presentes. O objetivo foi reforçar a presença do Movimento na Diocese do Funchal.

Ler Mais >>

A vida nascente (e mais uma mãe para a cadeia…)

Educação para o respeito integral pela vida humana, desde a conceção à morte, e educar para a sexualidade e para o amor/afetos. As premissas de Jorge Cotovio que devem estar no coração de todas as famílias para um novo ano de renovada esperança.

Ler Mais >>

Resiliência

Num mundo acelerado, onde a pressa mina a capacidade de esperar e enfrentar contrariedades, a resiliência torna-se vital. Furtado Fernandes aponta caminhos práticos para fortalecer essa força interior tão necessária ao quotidiano.

Ler Mais >>

Uma paz desarmada e desarmante

As primeiras palavras de um Papa nunca são apenas protocolares: são sinais, intenções e caminhos. Ao proclamar “A paz esteja convosco”, na sua primeira bênção Urbi et Orbi, o Papa Leão XIV apontou desde logo um caminho. Um caminho de uma paz desarmada e desarmante. É a partir dessa paz, retomada na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2026 e iluminada pelo mistério do Natal, que somos convidados, por Juan Ambrosio, a repensar a forma como a acolhemos, a vivemos e a testemunhamos no mundo de hoje.

Ler Mais >>