O encanto de uma pequena capela

A rubrica “A Beleza da espiritualidade em viagem” da edição agosto/setembro do Jornal da Família passa por Portugal. Cristiano Cirillo esteve no Porto e deixou-se encantar pela Capela das Almas.

 

Portugal, um país que me é muito querido, é um lugar cheio de beleza, beleza artística, cénica, monumental e sobretudo beleza espiritual. Há muitos lugares sagrados de beleza única preservados em Portugal, mas há um especial que me chamou a atenção, a Capela das Almas, no Porto. Viajei juntamente com a minha prima, à ‘Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto’, uma cidade cheia de encanto e beleza, tal como os seus monumentos. Uma cidade à beira do rio Douro, cheia de gente, na ribeira e no centro. Na Rua de Santa Catarina, no centro da cidade, destaca-se em toda a sua beleza a ‘Capela das Almas’, uma pequena igreja escondida entre os prédios da avenida, mas destacada destes pelos numerosos azulejos que cobrem completamente as paredes exteriores, investindo-a de uma maravilhosa e brilhante luz azul.

 

Tem origem numa antiga capela de madeira construída em honra de Santa Catarina. A construção do edifício que hoje existe remonta a finais do século XVIII, altura em que a Confraria das Almas se mudou para a capela de Santa Catarina. A capela tem dois corpos, sendo o segundo mais baixo que o corpo principal, restaurado em 1800.

A fachada principal tem uma porta decorada e é completada por uma empena com uma grande pedra de armas. O corpo mais comprido é a torre sineira com a lanterna encimada por uma cruz metálica. A atual decoração da capela é composta por mais de quinze mil azulejos da autoria de Eduardo Leite que foram executados pela fábrica de cerâmica Viúva Lamego. Datam de 1929 e representam as etapas da vida de São Francisco de Assis e Santa Catarina, venerados na capela. Contrastando com o exterior, o interior é muito simples e alberga a imagem de Nossa Senhora das Almas, que remonta à data de construção da própria capela. O interior é de uma só nave, com um belo lustre de cristal no centro, e ao longo das paredes nichos com santos e pequenos painéis de azulejos e um altar de madeira muito simples, de cor creme. Esta pequena igreja é uma das mais íntimas e artisticamente interessantes da cidade, não só pelo seu revestimento de azulejos, mas também por ser depositária de uma espiritualidade, que comunica bem com a arte neste contexto.

A beleza, seja ela espiritual ou artística, está ao alcance de todos e pode ser encontrada por aqueles que a sabem procurar, porque, como dizia o escritor russo Fëdor Dostoevskij “a humanidade pode viver sem ciência, sem pão, mas unicamente sem a beleza já não poderia viver, porque nada mais haveria”.

Verão, tempo de descanso, de recarregar as baterias antes do regresso ao trabalho, e também tempo para planear novas viagens, novas descobertas.

Boas férias a todos os leitores e em outubro, se Deus quiser, iremos viajar até novos destinos…

Cristiano Cirillo
circri@libero.it
Artigo da edição de agosto/setembro de 2023 do Jornal da  Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Mães são “antídoto para solidão e violência”

A Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida afirma, na mensagem para o Dia da Mãe 2026, que o exemplo e o abraço materno constituem “o único antídoto” para a solidão e a violência, defendendo maior reconhecimento público do papel das mães na sociedade.

Ler Mais >>

Família: compromisso e lugar de esperança para transformar o mundo

Cerca de 20 casais reuniram-se em Fátima, nos dias 21 e 22 de março, para um retiro promovido pelo Movimento por um Lar Cristão (MLC), centrado na reflexão e vivência da família. Orientado pelo teólogo Juan Ambrosio, o encontro, sob o tema “Olhar, pensar e celebrar a família”, desafiou os participantes a aprofundar o papel do matrimónio cristão como fonte de esperança, sublinhando também a urgência de uma Igreja que acompanhe todas as famílias a partir da realidade concreta em que se encontram.

Ler Mais >>

A beleza emotiva da Via-Sacra

A Basílica de São Pedro, no Vaticano, recebeu durante esta Quaresma uma coleção de quadros que representam as catorze estações da Via-Sacra. Para Cristiano Cirillo que visitou a exposição, as obras da autoria do jovem artista suíço Manuel Dürer, transformam uma narrativa religiosa numa experiência visual e emocional.

Ler Mais >>

Palavras de Paz

Num tempo marcado por discursos e imagens de guerra, Juan Ambrosio lembra-nos que a paz começa nas palavras pela capacidade que têm de “construir pontes, promover a reconciliação, abrir novos horizontes, ensaiar novas possibilidades”.

Ler Mais >>