Todos Diferentes, Todos Iguais

A diferença individualiza-nos mas também nos torna complementares. Somos todos diferentes e todos iguais. Furtado Fernandes olha para este binómio aplicado aos membros do casal e à família.
  1. Todos diferentes

“Tu deves assumir a tua especificidade, renunciar corajosamente a copiar o outro, a excluí-lo e a te excluir. Tu aceitarás a necessidade da complementaridade, mas não te deixarás arrastar para um caminho que não é o teu por frivolidade, preguiça, subavaliação ou desconhecimento das tuas capacidades”(Simone Pacot).

Essas capacidades são variadas, cada qual revela aptidões próprias que o individualizam.

Adotando como referência, para o posicionamento de cada pessoa, o Modelo das Preferências Cerebrais, podemos agrupá-las em quatro blocos, simbolicamente representados por quatro cores:

  • Racional, Realista, Crítico;
  • Minucioso, Prudente, Sequencial;
  • Emotivo, Confiante, Mediador;
  • Global, Otimista, Simultâneo.

2. Todos iguais

Facilmente se compreende que as capacidades anteriormente elencadas são igualmente importantes e potenciam evidentes complementaridades nos diversos grupos sociais, designadamente nas famílias. Vejamos, a este propósito, alguns exemplos:

  • A racionalidade tempera a emotividade, quando o casal se confronta com situações especialmente “stressantes” que podem despoletar comportamentos precipitados;
  • O apurado sentido crítico de um dos pais beneficia, para a educação dos filhos, de ser conjugado com uma certa dose de diplomacia decorrente da capacidade de mediação do outro;
  • A prudência de um dos cônjuges compensa o otimismo, porventura excessivo, do outro, quando se trata, por exemplo, de tomar uma decisão que possa ter um impacto financeiro significativo;
  • Para avaliar corretamente uma situação é necessário articular a visão global com a minuciosa ponderação dos pormenores.

3. A importância da escuta ativa

A diversidade de perfis pessoais, designadamente entre os membros do casal, constitui, como se constata, um fator de enriquecimento, mas, também, pode suscitar dificuldades como seja causar atropelos à fluidez da comunicação.

A este propósito, no intuito de sincronizar a comunicação, é importante enfatizar o papel da escuta ativa que, sinteticamente, se caracteriza:

  • Preparar-se para ouvir (o que significa focar-se no interlocutor e não estar a pensar logo naquilo que se vai responder, temos de nos treinar a “desligar” o nosso diálogo interior);
  • Controlar e eliminar as distrações (não fazer outras coisas, como estar a olhar para o telemóvel que, atualmente, bem se pode considerar o principal “ladrão do tempo”);
  • Estabelecer adequado contacto visual (nós “ouvimos” também com os olhos, porquanto é a forma de captarmos as mensagens não verbais que, muitas vezes, são mais significativas que as verbais);
  • Parafrasear/reformular (a palavra comunicação procede do latim “communis” que significa comum. Portanto só há verdadeira comunicação quando o que é transmitido tem o mesmo significado para o emissor e para o recetor).

Furtado Fernandes
j.furtado.fernandes@sapo.pt
Artigo da edição de janeiro de 2024 do Jornal da Família

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