O que nos deixa a COP28?

Foi uma Cimeira do Clima histórica no combate às alterações climáticas mas a saúde do planeta não está garantida. Houve avanços mas a “casa comum” precisa de mais. A análise de Murillo Missaci.

Concluída a COP28 no Dubai, podemos elencar alguns dos seus resultados mais importantes, entre as quais a conclusão do primeiro balanço global sob o Acordo de Paris, que avaliou a situação da resposta global à mudança do clima. Além disso, a inédita proposta de que o mundo faça uma transição para abandonar o uso dos combustíveis fósseis, com metas ambiciosas de triplicar a capacidade energética renovável e dobrar a eficiência energética média até 2030. Também foi iniciada a operacionalização de um Fundo de Perdas e Danos do Clima para os países mais vulneráveis, inicialmente administrado pelo Banco Mundial, que deve começar a atuar já em 2024.

As perspetivas sobre as mudanças climáticas e a Igreja católica após o encontro da COP28 no Dubai, porém, são mistas. Por um lado, houve estes avanços, como a aprovação do roteiro para a transição dos combustíveis fósseis, inédito neste tipo de conferência, e o aumento dos compromissos para melhorar a eficiência energética a partir das fontes renováveis. Por outro lado, pode-se dizer que houve muitas limitações, como a falta de vontade política, a lentidão dos processos, a insuficiência das metas, a influência dos interesses económicos, e a indiferença diante do clamor dos pobres e da Terra. A Igreja, portanto, deve continuar a colaborar e a criticar a ação climática global, buscando inspirar e desafiar o mundo e os fiéis a cuidar da casa comum.

As próximas COPs serão realizadas em 2024, no Azerbaijão, e em 2025, no Brasil, na cidade de Belém. O Papa Francisco ainda não confirmou se participará desses eventos, mas é provável que ele mantenha o seu interesse e a sua intervenção na questão climática, que considera uma prioridade para a Igreja e para a humanidade.

Concomitantemente, o próximo Jubileu de 2025 dará um destaque especial a essa temática, considerado pelo Santo Padre “um dom especial de graça da misericórdia de Deus”, e que como já se espera, deverá ser celebrado com “consciência ambiental” para diminuir o desperdício de alimentos e eliminar o uso de plásticos!

Foto: COP28 / Anthony Fleyhan
Sessão de Encerramento da COP28, Dubai

Murillo Missaci
missacimb@gmail.com
Artigo da edição de janeiro de 2024 do Jornal da Família

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