Promover a leitura compete a todos nós

Saber ler não significa apenas juntar letras de forma a articular palavras. Ler implica, também, “interpretar” e “compreender”. O último relatório Pisa diz-nos que nestas questões Portugal baixou o seu nível. O mote para a reflexão da professora Goretti Valente.

Ler é uma ferramenta imprescindível para crescermos, desenvolvermos os conhecimentos e sentirmo-nos felizes. Conhecemos histórias de quem não sabia ler que nos tocam profundamente e o quanto gostariam de ter tido oportunidade de aprender. Outros tempos, outras realidades! Hoje, com a escolarização obrigatória, todos, ou quase todos, sabem ler, pelo menos articulam as palavras e os sons registados no papel. Já é bom! Mas, saber ler implica também saber interpretar, ou melhor, compreender o conteúdo da palavra e o contexto em que é referida.

O Relatório Pisa de que temos ouvido falar recentemente, e que avalia os conhecimentos dos alunos em vários campos da aprendizagem, refere que a nível da leitura Portugal baixou o seu nível. Muitas coisas influenciaram esta situação, entre elas podemos considerar os anos da pandemia que obrigou a outras metodologias de ensino. Com isto, a utilização acentuada e muito frequente do digital.  Acreditamos e compreendemos que tudo tem ou deve ter o seu lugar. A aprendizagem implica a utilização de várias ferramentas. Os jovens de hoje, mais digitais que nunca, querem tudo à velocidade de um click e esquecem-se que reter informação requer mais do que um simples click, requer tempo e concentração.

As escolas têm um conjunto de atividades diversificadas de promoção da leitura, mas nem sempre têm o público esperado por vários motivos. Nos primeiros anos de escolarização verificamos um interesse grande pela oferta de livros às crianças e jovens, o que aumenta o gosto pela leitura. Mais tarde, verificámos que este entusiasmo desvanece, não só na oferta, como na procura ou aquisição de livros em papel. As estantes em casa, quase já não existem. Tudo é digital!! 

Os hábitos de leitura devem ser estimulados por todos e sobretudo em casa. Falar no livro como uma forma de enriquecimento cultural é uma atitude positiva, bem como oferecer livros aos jovens, de acordo com as suas preferências temáticas. Ler o jornal ou  comprar uma revista é promoção.  Nós precisamos de gerações felizes, de gente boa, para que o mundo seja melhor. A leitura é uma forma de crescer e, se bem orientada, crescer bem. Vamos todos dar o exemplo e ler qualquer coisa.

 Boas leituras.

Goretti Valente
Artigo da Edição de fevereiro de 2024 do Jornal da Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Sinais de esperança, sinais proféticos

Não basta apelar à esperança, há que ser testemunha e agente dessa esperança. “O texto da Bula de Proclamação do Jubileu 2025 identifica alguns sinais de esperança que, neste momento, é urgente protagonizar”, afirma Juan Ambrosio que nos guia pelo itinerário traçado pelo Papa Francisco.

Ler Mais >>

A caminho de El Rocío

Cristiano Cirillo passou por terras da Andaluzia e não podia deixar de peregrinar à Romaria da Virgem de El Rocío. Um olhar atento à história, à devoção mariana que ali se vive e a toda a festa que envolve a peregrinação.

Ler Mais >>

Dia dos Irmãos

“Se não formos fraternos, não somos humanos”, escreve a Comissão Episcopal do Laicado e Família na mensagem para o Dia dos Irmãos que se celebra a 31 de maio.

Ler Mais >>