Veneza, uma história entre ocidente e oriente

O pretexto para esta viagem foi o Carnaval, mas o encanto não se ficou pelas máscaras de Veneza. A icónica praça e Basílica de São Marcos captaram a atenção de Cristiano Cirillo que nos leva numa viagem pela história deste templo.

Fevereiro é o mês dedicado ao Carnaval, que é celebrado em quase todo o mundo, mas, em duas cidades é vivido de uma forma particular; no Rio de Janeiro, com os seus intermináveis desfiles de escolas de samba e em Veneza, cidade no norte de Itália, pela elegância e a história das suas máscaras.

Tive a oportunidade de visitar Veneza com um pequeno grupo de peregrinos portugueses no dia de Carnaval. Uma miríade de pessoas e máscaras emolduravam aquela que é a praça simbólica da cidade, a Praça de São Marcos. Fiquei encantado pela cidade, e em particular por esta praça, quadrara, e que alberga três monumentos importantes com vista para o mar: o palácio ducal, antiga sede do Doge, a torre sineira e a Basílica de São Marcos.

O Templo sacro encantou-me pelo seu estilo arquitetónico único e as referências históricas. As portas da entrada laterais foram construídas com inspiração árabe para recordar Alexandria do Egipto, onde ocorreu o martírio do evangelista. Ao entrar, fui imerso no aroma do incenso e no brilho dos mosaicos dourados que cobrem toda a Basílica, conhecida também como a Basílica dourada. A igreja tem uma planta a cruz latina com 5 cúpulas, e no altar, encontra-se o famoso Retábulo de São Marcos, uma jóia única. Trata-se de um painel de 334×212 cm, coberto de imagens sacras em ouro e prata com centenas de pedras preciosas e esmaltes. De cada lado da composição central, com Cristo e os quatro evangelista, encontram-se 12 profetas, 12 apóstolos e 12 arcanjos em posição hierárquica, emoldurado por preciosos painéis que representam a vida e o martírio de São Marcos. É o único exemplo no mundo de ourivesaria gótica de tais dimensões. É uma magnífica obra de arte que desperta fortes emoções, tendo em conta que esta obra foi criada há muito tempo.

    

Conta a história que no ano 828 um grupo de mercadores venezianos viajaram até Alexandria do Egipto com a intenção de levar para Veneza as relíquias de S. Marcos, tendo sabido pelo guardião do Santuário a ele dedicado, que os muçulmanos estavam a destruir igrejas cristãs para construir mesquitas. A 31 de janeiro de 828, depois de várias peripécias, o corpo de S. Marcos chega a Veneza e é recebido pelo Doge. As relíquias foram guardadas no Palácio ducal, mas durante a construção da Igreja (ano 1000 mais ou menos) as tão cobiçadas relíquias desapareceram, pelo que o povo todo e unido, decidiu fazer dias de jejum, orações e penitências pedindo a intercessão do Evangelista para as encontrarem. Um belo dia, durante a celebração da Santa Missa, uma das colunas desmoronou deixando em evidência o caixão que continha as relíquias; milagre que fez São Marcos, patrono da cidade e deu nome à bela e enorme praça em frente à Basílica.

  

Tive a oportunidade de assistir a uma Celebração na cripta onde repousam as relíquias de São Marcos e, estando abaixo do nível do mar, havia água no perímetro da Cripta. Foi uma emoção única, participar na Eucaristia neste lugar tão especial e particular. Desta viagem, levei comigo os rostos cheios de emoção dos peregrinos, as ruas e os edifícios particulares de Veneza e as múltiplas máscaras muito bonitas, e como diz a Designer Alexandra Stoddard: “quando deixamos um lugar bonito, levamo-lo conosco para onde quer que vamos”.

Estejam atentos leitores, pois em março, iremos visitar outro lugar encantado…

Texto e fotos: Cristiano Cirillo
circri@libero.it
Artigo da edição de fevereiro de 2024 do Jornal da Família

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