Um novo ano político muito importante

Em 2024, mais de 60 países vão a votos, entre os quais Portugal. Murillo Missaci reflete sobre a necessidade de envolvimento dos jovens na política “de uma forma ativa, informada, crítica e responsável, tendo como referência a sua fé, a sua identidade e sua missão como cristãos”.

2024 será um ano de grandes oportunidades e riscos para os jovens, pois teremos a chance de influenciar o futuro do mundo através do voto e da participação política, já que organizar-se-ão eleições em mais de 60 países. No entanto, para isso, enfrentaremos vários desafios específicos, que variam de acordo com o contexto de cada país e região.

Em Portugal, e também no contexto da União Europeia, teremos de nos posicionar sobre questões como a integração europeia, a migração, o populismo, o nacionalismo, o terrorismo, a proteção ambiental e os direitos humanos. Nos Estados Unidos, os jovens terão de escolher entre duas visões opostas de país, que se refletem nas candidaturas de Joe Biden e Donald Trump, que disputam a reeleição. No Brasil, onde se vão realizar eleições municipais, é preciso enfrentar a crise política, social, económica e ambiental que se agravou nos últimos anos, considerando questões como a corrupção, a violência, a educação, a saúde, a desigualdade, a Amazónia e os direitos humanos. Votar-se-á também na Rússia, na Índia, no Irão, no México, no Reino Unido, na Ucrânia e na África do Sul, entre muitos outros países importantes.

Todos estes países e regiões têm algo em comum: a necessidade de os jovens se envolverem na política, de forma ativa, informada, crítica e responsável, tendo como referência a sua fé, a sua identidade e a sua missão como cristãos também. Como católicos, devemos discernir quais são os valores e princípios que devem orientar as nossas escolhas políticas, tendo em conta a doutrina social da Igreja, que defende a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade, a proteção da casa comum, a democracia e a paz. Testemunhamos a nossa fé no meio de sociedades cada vez mais secularizadas e pluralistas, que muitas vezes ignoram ou rejeitam as contribuições da religião para a vida pública. Nalguns destes países, os católicos representam uma minoria, que sofre até mesmo repressão e perseguições.

Como disse o Papa Francisco no Brasil em 2013, os jovens devem ser “protagonistas da mudança”, “construtores dum mundo melhor” e “missionários da alegria do Evangelho”. Somos os que mais sofrem com os problemas atuais, como o desemprego, a pobreza, a desigualdade, a violência, a discriminação, a falta de oportunidades e de participação. Por isso, temos o direito e o dever de nos envolvermos na política, de nos informarmos, de nos manifestarmos, de nos organizarmos e de votar.

Murillo Missaci
missacimb@gmail.com
Artigo da edição de fevereiro de 2024 do Jornal da Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Retalhos de amor que dão vida

No Centro de Cooperação Familiar | Lar Betânia, em Fátima, as marchas dos Santos Populares não são apenas uma festa: são um encontro de memórias e afetos que continuam a dar vida aos dias. Este ano, sob o lema “Vidas com História – Retalhos de Amor”, os utentes desfilaram no espaço exterior da instituição levando consigo meses de dedicação, figurinos feitos em conjunto e, sobretudo, pedaços das suas próprias histórias. São fragmentos de coragem, perdas, fé e superação que emocionaram colaboradores e famílias.

Ler Mais >>

Férias com afetos

As férias passam depressa, mas aquilo que vivemos em família permanece. Neste verão, queremos mais do que destinos e fotografias: queremos pais e filhos juntos, presentes, atentos uns aos outros, a criar memórias que o tempo não apaga. Porque as melhores férias são sempre as que fortalecem o afeto que nos une.

Ler Mais >>

A Santa Sé perante a crise do multilateralismo

Num tempo em que o multilateralismo parece perder fôlego perante a fragmentação global, Murillo Missaci propõe uma leitura do papel da Santa Sé na diplomacia contemporânea. Sem depender de poder económico ou militar, o Vaticano mantém-se como voz de diálogo e de equilíbrio, recordando que a credibilidade das instituições internacionais nasce da fidelidade à pessoa humana e da perseverança na cooperação.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada refrescada pela ‘Magnifica Humanitas’ de Leão XIV

A secularidade consagrada ganha hoje um novo fôlego, iluminada pela visão humanista e missionária da ‘Magnifica Humanitas’. Num tempo marcado pela busca de sentido, pela necessidade de diálogo e pela urgência de reconstruir vínculos humanos, os consagrados seculares surgem como testemunhas de uma Igreja que se faz próxima e que assume a missão de humanizar cada espaço onde a vida acontece.

Ler Mais >>

Livros e leituras

A leitura acompanha Juan Ambrosio no trabalho e na vida, mas ganha novo sentido nos momentos partilhados com o neto. Entre livros que alargam o pensamento e histórias que despertam a imaginação, Juan Ambrosio sublinha a importância de criar nas crianças o gosto pelos livros.

Ler Mais >>