CAF – Coimbra, 25 anos a escutar e a apoiar famílias fragilizadas

“O CAF tem sido uma história de generosidade, uma história de amor de muita gente para com a família”, afirmou D. Virgílio Antunes por ocasião da celebração dos 25 anos do CAF – Centro de Aconselhamento Familiar de Coimbra. Uma celebração que serviu para olhar o passado e projetar o trabalho do CAF perante a complexidade da realidade familiar dos dias de hoje.

Foi um serviço pioneiro, a nível diocesano, para dar resposta às problemáticas da família. O CAF – Centro de Aconselhamento Familiar de Coimbra foi constituído em torno de uma parceria entre o Secretariado Diocesano da Pastoral da Família (SDPF) de Coimbra e o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF). No passado dia 30 de janeiro, o CAF celebrou 25 anos de existência.

“É um projeto de que nos orgulhamos muito e nunca pensámos que pudesse durar tanto tempo”, afirmou Jorge Cotovio que esteve na génese deste serviço, na altura, como presidente do Secretariado Diocesano da Pastoral da Família de Coimbra.

Criado para atender e dar resposta às problemáticas da família, o CAF adotou um modelo de funcionamento pioneiro. Sob coordenação do ISCF e com um corpo de voluntários das mais diversas áreas, o CAF foi sempre uma porta e uma linha aberta, 24h por dia, para ouvir e reencaminhar os pedidos de ajuda. O rosto mais visível deste atendimento foi, durante 24 anos, o da Cooperadora Emília Cardoso.

Jorge Cotovio e Emília Cardoso

“ela resolvia 50% dos casos”

“A Emília Cardoso apaixonou-se por este projeto. Ela resolvia 50% dos casos que ali vinham pedir ajuda. Só os restantes 50% é que encaminhava para os voluntários. Estava disponível a todas as horas do dia ou da noite”, conta Jorge Cotovio.

O sucesso do modelo adotado e os resultados obtidos despertou a curiosidade de outras dioceses. Os responsáveis do CAF foram muitas vezes convidados a partilhar o segredo do sucesso. Um sucesso que para Jorge Cotovio se deve, em grande parte, a esta “disponibilidade” das Cooperadoras da Família.

“ainda hoje recordo os rostos dessas pessoas”

 Não é de admirar que, no dia em que se assinalou este percurso de 25 anos, Emília Cardoso estivesse visivelmente emocionada. “Eu fazia o trabalho de triagem e encaminhamento, mas isto foi um trabalho de equipa do qual muito me orgulho e nunca esquecerei”, conta Emília Cardoso.

“O que mais me marcou foi ver famílias que vinham à procura de atenção, de escuta e no final eu dizia-lhes que as ia reencaminhar para um psicólogo ou para um assistente social e elas diziam que já não era preciso, que já estavam bem porque tinham desabafado”, explica Emília. “Ainda hoje recordo os rostos dessas pessoas”, acrescenta.

Celebração eucarística presidida por D. Virgílio Antunes (Seminário Maior de Cloimbra)

“o CAF tem sido uma história de generosidade”

Para D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, “o CAF tem sido uma história de generosidade, uma história de amor de muita gente para com a família”. Nestes 25 anos o CAF “conseguiu encontrar as pessoas adequadas, com formação em diversas valências, capazes de ajudar as famílias”, refere. Neste contexto gostaria que o projeto tivesse repercussões noutras dioceses.

Quando ao futuro, a missão é a mesma, mas a palavra de ordem é “adaptação”. “Um serviço que queira ser um verdadeiro serviço tem que estar sempre em evolução, tem que estar sempre em transformação, tem de ter em conta as realidades diversas que vão surgindo, não significando que essas realidades sejam melhores ou piores”, refere D. Virgílio Antunes. O CAF “tem de estar atento, tem de se adaptar, e eu penso que tem capacidade para isso”, conclui.

A celebração dos 25 anos de existência foi um momento para olhar o passado, mas também para refletir sobre o futuro. No Seminário Maior de Coimbra, uma celebração eucarística deu graças pelo trabalho realizado e pelo apoio prestado a tantas famílias fragilizadas. No jantar/convívio que se lhe seguiu, recordou-se a génese do projeto e os que lhe deram ou continuam a dar vida. O final da noite olhou a complexidade da realidade familiar dos dias de hoje e interrogou-se sobre as respostas pastorais a essas mesmas realidades. O momento reuniu o Pe. Nuno Santos, atual Assistente do SDPF, e a psicólogo Filomena Gaspar.

Pe. Nuno Santos e Filomena Gaspar

“essas famílias não nos procuram porque elas sentem que não são aceites na Igreja”

“Quem nos continua a procurar no CAF são famílias que claramente se identificam com a Igreja, com a religião católica”, conta Filomena Gaspar, voluntária no CAF há mais de 15 anos.

A maioria dos casos que lhe chega às mãos são conflitos parentais pós-divórcio ou pós-separação. O CAF ainda não está a ser confrontado com esses grandes desafios das famílias reconstituídas num segundo casamento, com famílias de dois pais ou de duas mães. “Essas famílias não nos procuram porque elas sentem que não são aceites na Igreja, mas acredito que se a Igreja fizer esse caminho de aceitação, elas vão começar a aparecer”.

“hospital de campanha”

Quais os desafios da Igreja perante estas realidades? O Pe. Nuno Santos responde com uma expressão do Papa Francisco, em que a Igreja deve ser chamada a ser “hospital de campanha”“, ou seja, a Igreja deve ir ao encontro das dificuldades. “Eu diria que há aqui vários desafios, mas sobretudo esta imagem do ‘hospital de campanha’, de ir ao encontro das pessoas que estão a passar dificuldades”, refere. Mas para isso precisa de “mão-de-obra, de gente, de vontades”, reconhece o Pe. Nuno Santos.

Passados 25 anos, a equipa CAF, que tem contado com a generosidade, o saber e o compromisso de inúmeros voluntários precisa de novas “mãos”. “Temos de ser humildes e reconhecer que hoje precisamos de ter uma estrutura com mais capacidade, com mais recursos humanos, para poder responder aos desafios de hoje que são tão diferentes e tão exigentes”, afirmou o Pe. Nuno Santos. O importante é que as pessoas “continuem a ter confiança em nós, no nosso trabalho e no quanto nós podemos ser uma ajuda para as famílias”, para que o CAF seja aquilo que sempre foi: um lugar de escuta e de apoio a famílias fragilizadas.

Pe. João Paulo Vaz e Henrique Vaz

O momento que assinalou os 25 anos do CAF terminou com um momento musical com os irmãos Pe. João Paulo Vaz e Henrique Vaz, seguido de um brinde e da partilha do bolo comemorativo.

 

CAF Coimbra
O CAF – Centro de Aconselhamento Familiar, criado em 31 de janeiro de 1999, é um serviço afeto ao Secretariado da Pastoral da Família da diocese de Coimbra, em colaboração com o Instituto Secular das Cooperadoras da Família. É constituído por uma equipa de especialistas voluntários – assistentes sociais, juristas, psicólogos, psiquiatras, gestor financeiro, sacerdote – e uma coordenadora geral, atualmente a Cooperadora da Família Lucinda Teixeira, que atende e faz a triagem das famílias em dificuldade.

A  equipa do CAF procura aconselhar as pessoas, ajudando-as a encontrar respostas ou encaminhando-as, consoante as diferentes necessidades e problemas que apresentam.

É um serviço confidencial e gratuito que tem por objetivo esclarecer dúvidas e ajudar a resolver problemas relacionais, conjugais, conflitos entre pais/filhos, orientar sobre o amor, sobre o namoro, sobre o casamento, sobre a vida, traduzindo-se num espaço de aconselhamento.

Os contactos são feitos pessoalmente ou pelo telefone, a qualquer hora do dia ou da noite. Depois do atendimento, e havendo justificação, os casos são encaminhados para os técnicos. Um caso, por vezes, envolve a participação de vários técnicos e, normalmente, implica mais do que um atendimento.

Contactos:
Rua Gil Vicente, n.º 2, 3000-202 Coimbra
969 881 159
cafcoimbra@sapo.pt

 

IM
Artigo da edição de março de 2024 do Jornal da Família

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