A terapia da fala nas escolas está a aumentar. Como prevenir? Como melhorar?

Dificuldades em articular palavras e sons e, em alguns casos, dificuldades em formar frases têm aumentado os pedidos de aulas de apoio de terapia da fala para alunos do primeiro ciclo. Goretti Valente fala das causas deste problema e das formas de o mitigar.

O desenvolvimento da linguagem nas crianças é um fator primordial para comunicar e considerar-se um membro ativo do núcleo familiar ou escolar onde se encontra inserida. À medida que vai crescendo, a criança vai imitando os sons e articulando as palavras ou expressões. A maior parte delas reage muito bem e com muita alegria a esta fase de crescimento e integração. Aprende com a família, com os amigos, colegas, educadores e professores. A leitura, que acontece posteriormente, é um fator muito importante para este crescimento linguístico e continua a ser um momento de grande alegria e curiosidade. Um livro é um amigo. Ler é uma paixão e um desafio constante. Verifica-se algum decréscimo nesta euforia quando entram no ensino secundário e a leitura torna-se uma obrigação porque faz parte de um conteúdo programático. O gosto pela leitura é uma caminhada, com itinerários diferentes, de acordo com as caraterísticas de cada um. Mas é importante ler!

 Os alunos têm vindo a apresentar algumas dificuldades na expressão oral aquando da apresentação das suas dificuldades ou pensamentos ou de temáticas propostas pelas várias disciplinas de estudo. Para alguns, expor ou explicar não é fácil. Os mais crescidos relatam que falam pouco e quase sempre dos mesmos temas. Preferem as mensagens, pois não necessitam de frases tão organizadas, nem de grandes textos. Os mais jovens ainda não se apercebem muito bem desta realidade e do quão importante é comunicar, mas referem algumas vezes que em casa falam pouco porque às vezes não têm com quem ou preferem jogar no computador. O mais curioso é que esta realidade é, muitas vezes, confirmada pelos pais ou encarregados de educação.

 Neste momento tem-se verificado um aumento do pedido de aulas de apoio de terapia da fala, para alunos do primeiro ciclo, por se verificar que têm dificuldade em articular algumas palavras e sons e, em alguns casos, formar frases. Naturalmente que esta situação vai interferir com a aprendizagem, logo, é importante que seja avaliada, atempadamente. Como podemos resolver, atenuar ou prevenir esta situação? Não é fácil, mas podemos tentar fazer alguma coisa, mudando algumas rotinas ou atitudes, promovendo uma maior interação linguística, estimulando a repetição de novos sons ou novas palavras, proporcionando um maior convívio, elogiando a importância da fala e da linguagem como fatores de crescimento e de comunicação.

Percebemos e compreendemos que, depois de um dia de trabalho, muitas vezes extenuante, os encarregados de educação precisam de algum silêncio e paz, mas não seria nada desoportuno promover uma simples conversa de modo a que a criança ou jovem pratique a arte de bem falar, sem qualquer tipo de receio, pois o ambiente familiar proporciona, ou deve proporcionar, um pouco mais de confiança. Esta atitude, este bocadinho de conversa, pode prevenir grandes problemas de futuro a nível escolar e social.

A fala permite comunicar os nossos sentimentos e emoções, e, deste modo, não nos sentirmos sozinhos. Promover, fomentar e desenvolver a fala nas crianças é colaborar na construção de seres humanos melhores, porque conhecedores da importância de um instrumento fundamental de crescimento salutar.

Conversar é ,então, uma terapia a praticar.

Goretti Valente
Artigo da edição de março de 2024 do Jornal da Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Educação dos filhos pede tempo, limites e testemunho de vida, defendem Andreia Pereira e Paulo Saraiva

Educar não é apenas ensinar os filhos a portar-se bem, mas ajudá-los a tornarem-se boas pessoas. Esta foi uma das ideias centrais da conversa com Andreia Pereira e Paulo Saraiva no mais recente episódio do podcast ‘Amoris Laetitia’ – 10 anos depois. Na releitura do capítulo VII da exortação do Papa Francisco, o casal de Viseu refletiu sobre os desafios da educação dos filhos, sublinhando a importância do amor, dos limites, da paciência, do testemunho dos pais e da fé no crescimento integral das crianças.

Ler Mais >>

Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!

“Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!”. A divertida queixa da neta de oito anos serve de ponto de partida para a reflexão de Jorge Cotovio sobre os resultados do PISA. Mas é também um alerta para o papel da família, da escola face a uma geração que cresce rodeada de respostas imediatas, mas cada vez menos habituada ao esforço de pensar.

Ler Mais >>

Artesãos da fraternidade e da paz

Perante um cenário internacional cada vez mais marcado por tensões e narrativas de força, para Juan Ambrosio os cristãos são desafiados a escolher outro caminho: serem “artesãos da fraternidade e da paz no quotidiano”.

Ler Mais >>

Entre os dois

“Diz ao pai que…”, “Diz à mãe que…” Frases aparentemente simples podem colocar sobre os ombros de uma criança um peso demasiado grande. Nesta carta aberta, uma filha pede algo essencial: que os pais encontrem a sua própria forma de comunicar e lhe permitam ocupar apenas o lugar que lhe pertence, o de filha amada pelos dois.

Ler Mais >>