A caminho de El Rocío

Cristiano Cirillo passou por terras da Andaluzia e não podia deixar de peregrinar à Romaria da Virgem de El Rocío. Um olhar atento à história, à devoção mariana que ali se vive e a toda a festa que envolve a peregrinação.

Experimentamos uma emoção indescritível quando visitamos um lugar que sempre vimos em fotografias, vídeos e jornais, mas vê-lo e vivê-lo com os nossos próprios olhos é uma coisa completamente diferente.

Numa das minhas viagens, estive em Sevilha, visitando uma amiga minha, Lourdes, e com ela descobri a forte devoção mariana do povo sevilhano e a presença de numerosos santuários dentro e fora da cidade. 

O que mais me impressionou foi o Santuário de El Rocío. Este santuário situa-se no meio do parque de Doñana, na província de Huelva, no Sul da Espanha. O Santuário Mariano encontra-se numa pequena aldeia, toda branca, que ao chegar parece que entramos num filme de faroeste: areia amarela em vez de estradas, cavalos selvagens, carroças puxadas por cavalos, carruagens, e pequenas casas brancas.

          

A devoção à Virgem remonta ao século XIII, quando o rei Afonso, o Sábio, mandou construir uma ermida em sua honra junto ao Guadalquivir, perto da atual aldeia de Rocinas.

Com o passar do tempo, esta veneração tornou-se uma das mais importantes da Andaluzia, de tal forma que em maio se realiza a Romeria del Rocío, o caminho que os peregrinos das cidades e aldeias vizinhas fazem até este santuário, que se tornou uma das expressões mais autênticas da religiosidade popular andaluza.

A romaria desenrola-se sobretudo de forma tradicional. As várias confrarias iniciam o caminho a partir de Sevilha, ou de outros locais próximos, com o carro de bois acompanhado pelos cavalos.  As mulheres vestidas de flamenco e os homens de cigano caminham e cantam canções à virgem ao som de notas de flamenco. Todas estas pessoas, atraídas pela fé, deixam as suas casas para peregrinarem até aqui.

O santuário, mesmo na sua simplicidade, é um encanto. Logo que entrámos lembrei-me de uma canção que tinha ouvido há algum tempo: “la Salve Rociera”Dios te salve María del Rocío Señora, Luna, sol, norte y guía, y Pastora celestial (…). Parecia que as notas deste louvor a Maria ressoavam no interior. 

A ermida tem uma única nave, com capelas laterais, todas pintadas de branco e com o altar-mor, um retábulo de madeira dourada e a venerada estátua da Virgem do Rocío no centro. Milhares de pessoas reúnem-se aqui em maio para a vir homenagear. Também eu vim, com Lourdes, apresentar a minha homenagem à virgem, porque a amizade ensina-nos a cuidarmos uns dos outros, como fez Lourdes comigo. Ajuda-nos a compreendermo-nos, e partilhar a fé fortalece a amizade.

Há um azulejo colocado na parte da frente do Santuário que representa o Papa São João Paulo II, que visitou este santuário em 1993, a rezar diante da Virgem do Rocío, e também eu deixei as minhas orações diante dela, para que, tal como ela realizou um sonho meu, possa também realizar os sonhos daqueles que mais precisam. Estamos quase em julho, o verão está a começar e vamos a….

Fotos e texto: Cristiano Cirillo
circri@libero.it
Artigo da edição de junho de 2024 do Jornal da Família

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