Desenvolvimento pessoal

“O desenvolvimento conjugal implica, para ser efetivo, o desenvolvimento pessoal de cada um dos cônjuges”, afirma Furtado Fernandes num artigo em que inúmera algumas recomendações capazes de ajudar o casal no desenvolvimento pessoal/conjugal.

O desenvolvimento conjugal implica, para ser efetivo, o desenvolvimento pessoal de cada um dos cônjuges.

Estes processos devem ser convergentes, requerendo o empenhamento de ambos os membros do casal.

É indispensável que cada um não se deixe entorpecer pela rotina e, desse modo, assuma o compromisso de promover a melhoria sustentada da qualidade do relacionamento.

Por vezes diz-se que “está tudo bem”, porque dá menos trabalho…

Trata-se de um logro que, mais tarde ou mais cedo, se pagará com um preço acrescido.

Desejavelmente devem detetar-se, quanto mais cedo melhor, sinais que possam indiciar o desencadear de uma crise.

Neste sentido apresentam-se, seguidamente, algumas recomendações de modo que o exercício de certas características pessoais, em si mesmo positivas, não sejam, pelo seu exacerbamento, obstáculos ao desenvolvimento pessoal/conjugal:

  • Para que o rigor não “vire” perfecionismo:
    • Não rumine sobre os erros do passado, valorize o que conseguiu atingir de positivo;
    • Gira de forma adequada as suas expectativas; se for excessivamente exigente criará condições para ficar frustrado.

  • Para que a solicitude não “vire” paternalismo:
    • Saiba dizer “não”;
    • Assegure-se que os outros querem os seus conselhos.

  • Para que a eficiência não “vire” ansiedade:
    • Treine-se a “desligar”;
    • Oiça as pessoas com atenção, não esteja a pensar logo no que vai dizer a seguir.

  • Para que a sensibilidade não “vire” melancolia:
    • Evite ampliar e interiorizar as críticas que lhe forem dirigidas;
    • Viva o presente, evite a nostalgia do passado e a fantasia de um futuro “maravilhoso”.

  • Para que a racionalidade não “vire” frieza:
    • Não tenha receio de aceder às suas emoções;
    • Diga aos outros que eles são importantes para si, mesmo que isso seja “lógico”.

  • Para que a prudência não “vire” pessimismo:
    • Programe-se positivamente. Sem descurar as ameaças, concentre-se, sobretudo, nas oportunidades;
    • Festeje os seus sucessos sem pensar, de imediato, nas próximas dificuldades.

  • Para que o otimismo não “vire” irrealismo:
    • Programe-se com realismo, não esqueça as ameaças;
    • Desconfie quando “for tudo facilidades”.

  • Para que a frontalidade não “vire” agressividade:
    • Tenha consciência que a sua franqueza pode chocar certas pessoas;
    • Treine-se a, por vezes, não dizer logo o que pensa.

  • Para que a diplomacia não “vire” indecisão:
    • Não amorteça o impacto das suas críticas – não peça previamente desculpa;
    • Perceba que há conflitos que não podem ser geridos em “ganhar-ganhar”.

Furtado Fernandes
j.furtado.fernandes@sapo.pt
Artigo da edição de junho de 2024 do Jornal da Família

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