Caneta ou teclado

A crescente digitalização chegou também à escrita e o teclado e o ecrã tomaram o lugar da caneta e do papel. Mas a escrita manual, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, tem um papel primordial no processo de aprendizagem da criança. A professora Goretti Valente explica porquê.

Em plena era digital o teclado é rei. Com frequência verificamos a agilidade dos mais pequenos a manusear um teclado do computador ou mesmo de um telemóvel. Esta novidade quase poderia fazer crer que agora vamos ter mais escritores, melhores textos e mais gente a escrever bem. Escrever no teclado facilita a correção do texto, a harmonização visual do mesmo, mas não chega para promover a escrita e a leitura, se antes não se aprendeu a escrever manualmente, a desenhar as letras e a construir as palavras com a caneta ou com o lápis. Aprender a escrever manualmente é a base para uma maior memorização das palavras e uma maior concentração nas aprendizagens. Estimula também o pensamento e a atenção, de acordo com vários estudos relacionados com as aprendizagens. Agora, podemos, então, compreender melhor a realização das cópias, tarefas diárias a fazer em período escolar e nas férias, que tão bem todos conhecemos e realizámos. Concluímos também que é uma tarefa imprescindível a uma boa aprendizagem.

Todos queremos alunos que aprendam bem, então, nesta época tão digital é bom lembrar o quão importante é o uso da caneta e do papel, nem que seja para tirar apontamentos, porque a diferença vai ser notória, uma vez que o simples movimento de escrita pode envolver várias áreas cerebrais que se complementam.

Cada vez mais encontramos jovens com menos vontade e gosto por escrever. Têm dificuldade em organizar o conteúdo, o que escrever e, às vezes, como escrever. Pouca criatividade e capacidade discursiva. Escrever e registar manualmente os conteúdos poderá ser uma oportunidade de melhoria. Na escola primária é fundamental estimular esta prática para o bem das futuras aprendizagens.

A escrita digital é importante, mas deve ser doseada, sobretudo em idades de escolaridade inicial.

Agora que as férias grandes vão começar, altura ideal para voltar a pegar na caneta e no papel e, em família, estimularem-se algumas atividades que envolvam a escrita manual como por exemplo um concurso de caligrafia. É um mero exemplo porque estou certa que a criatividade familiar vai ser muito grande e melhor.

Escrever faz bem a todos e em qualquer idade!

Goretti Valente
Artigo da edição de julho de 2024 do Jornal da Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

“O amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas”

Ana Bem e Hélder da Silva celebram este ano 25 anos de casamento e 34 de namoro. São eles que nos ajudam a refletir sobre o Capítulo V da ´Amoris Laetitia’ – O Amor que se torna fecundo. Por entre a vida familiar, a vida profissional e o serviço à Igreja e à comunidade, afirmam que “o amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas” e “nunca fica mais pequeno quando é partilhado”.

Ler Mais >>

Retalhos de amor que dão vida

No Centro de Cooperação Familiar | Lar Betânia, em Fátima, as marchas dos Santos Populares não são apenas uma festa: são um encontro de memórias e afetos que continuam a dar vida aos dias. Este ano, sob o lema “Vidas com História – Retalhos de Amor”, os utentes desfilaram no espaço exterior da instituição levando consigo meses de dedicação, figurinos feitos em conjunto e, sobretudo, pedaços das suas próprias histórias. São fragmentos de coragem, perdas, fé e superação que emocionaram colaboradores e famílias.

Ler Mais >>

Férias com afetos

As férias passam depressa, mas aquilo que vivemos em família permanece. Neste verão, queremos mais do que destinos e fotografias: queremos pais e filhos juntos, presentes, atentos uns aos outros, a criar memórias que o tempo não apaga. Porque as melhores férias são sempre as que fortalecem o afeto que nos une.

Ler Mais >>

A Santa Sé perante a crise do multilateralismo

Num tempo em que o multilateralismo parece perder fôlego perante a fragmentação global, Murillo Missaci propõe uma leitura do papel da Santa Sé na diplomacia contemporânea. Sem depender de poder económico ou militar, o Vaticano mantém-se como voz de diálogo e de equilíbrio, recordando que a credibilidade das instituições internacionais nasce da fidelidade à pessoa humana e da perseverança na cooperação.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada refrescada pela ‘Magnifica Humanitas’ de Leão XIV

A secularidade consagrada ganha hoje um novo fôlego, iluminada pela visão humanista e missionária da ‘Magnifica Humanitas’. Num tempo marcado pela busca de sentido, pela necessidade de diálogo e pela urgência de reconstruir vínculos humanos, os consagrados seculares surgem como testemunhas de uma Igreja que se faz próxima e que assume a missão de humanizar cada espaço onde a vida acontece.

Ler Mais >>

Livros e leituras

A leitura acompanha Juan Ambrosio no trabalho e na vida, mas ganha novo sentido nos momentos partilhados com o neto. Entre livros que alargam o pensamento e histórias que despertam a imaginação, Juan Ambrosio sublinha a importância de criar nas crianças o gosto pelos livros.

Ler Mais >>