Casamento como ato de amor e coragem

Num tempo marcado pelo efémero e pelo descarte “é preciso tomar a cultura do cuidado em relação ao matrimónio”, afirma o Pe. Quirino Sapalo, autor do livro “Casamento-to Hoje – Um desperdício de tempo ou ato de coragem”.

É um livro que fala sobre o casamento “como um ato de amor e, por isso, um ato de coragem e entrega que precisa de acompanhamento, uma vez que vivemos numa cultura do descarte e provisório”, lê-se na contracapa do livro “Casamento-to Hoje – Um desperdício de tempo ou ato de coragem”, do Pe. Quirino Sapalo.

O Pe. Quirino é originário da diocese de Benguela (Angola) e ao abrigo de um acordo com a Diocese de Coimbra está em Portugal desde 2022 e, atualmente, é  vigário pastoral da Unidade Pastoral de Miranda do Corvo.

“O livro surgiu da observação que fui fazendo do modo como os casais, os noivos vivem, as dificuldades que têm e as feridas profundas que carregam dentro de si”, explicou o Pe. Quirino ao Jornal da Família no final da apresentação da obra, que decorreu no passado dia 22 de junho na Casa das Artes, em Miranda do Corvo. “Como pastor tenho a missão de apoiar, rezar e incentivar para que os casais não desistam e tenham coragem, porque o matrimónio é um caminho que se vai fazendo”, acrescentou. Para o Pe. Quirino “é preciso tomar a cultura do cuidado em relação ao matrimónio”, num tempo marcado pelo efémero e pelo descarte.

Tomando as orientações do Papa Francisco, o livro fala ainda da necessidade de “aprender a respeitar a diferença sem marginalizar ninguém, mas integrar a todos na misericórdia de Deus”. Alguns dos capítulos do livro falam do acompanhamento a divorciados a viver ou não em nova união ou a membros   da comunidade LGBTQI+.

Para o Pe. Nuno Santos, Reitor do Seminário Maior de Coimbra, prefaciador e apresentador da obra, escrever este livro é também um ato de coragem. “Há dramas nas famílias e nós podíamos ignorá-los ou acompanhá-los. O que o Papa sugere, e este livro também pode provocar, é este desejo de estar ao lado”, afirmou o Pe. Nuno Santos na apresentação da obra. “Quando um pai está ao lado de um filho não quer dizer que esteja a concordar com tudo aquilo que ele faz, mas quer dizer que ‘mesmo que tu faças alguma coisa que não seja o mais correto eu não te vou abandonar. É preferível eu estar a teu lado do que estares sozinho’”, referiu o Pe. Nuno. A segurança de estar alguém ao lado é também uma garantia que não se caminha só. Para o Pe. Nuno Santos independentemente das opções de vida de cada um “a vida partilhada faz-nos ver mais longe, faz-nos saborear a vida de outra maneira. Por isso, casar só pode servir para multiplicar alegrias e dividir dificuldades e não o contrário”.

“Tal como este livro é um ato de coragem, eu diria que todos os casamentos são um ato de coragem. A palavra ‘casamento’, no sentido etimológico, tem a ver com a construção de uma casa e essa nunca está acabada. Com 60, 70 ou 80 anos ainda há coisas por casar e aspetos por acertar”, afirmou o Pe. Nuno.

A apresentação do livro “Casamento-to Hoje – Um desperdício de tempo ou ato de coragem” contou também com a presença do Pe. Pedro Miranda e de Miguel Batista, Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo. Uma apresentação pautada por vários momentos musicais e declamação de poesia.

Em declarações ao Jornal da Família, após a apresentação da obra, o Pe. Quirino agradeceu também o contributo que este Jornal lhe tem vindo a dar no estudo dos assuntos relacionados com a família. “A Cooperadora Olímpia Saraiva soube que eu gostava de tratar assuntos relacionados com a família e, pacientemente, foi-me dando o Jornal para ler. Sempre encontrei no Jornal notícias que me tocam profundamente e me colocam a par da situação das famílias. Por isso, eu sou muito agradecido ao Jornal da Família pelo trabalho que fazem e queira Deus recompensar um dia os que fazem parte do Instituto e todos os que cooperam com a Família”, referiu o Pe. Quirino.

O sacerdote angolano, especialista em Teologia pela Universidade San Dâmaso de Madrid, tem dois novos livros na forja: um mais poético, sobre o “cuidado” no casamento, e um outro sobre o amor e o cuidado dos pais para com os filhos.

IM
Artigo da edição de julho de 2024 do Jornal da Família

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