40 anos a acompanhar as problemáticas da vida familiar

40 anos a acompanhar as problemáticas da vida familiar
Em 2017 o Movimento de Defesa da Vida acompanhou 400 famílias

A fundação remonta ao ano de 1977. O Movimento de Defesa da Vida (MDV) completou 40 anos de existência no seio da sociedade civil portuguesa. Graça Delgado está lá desde a primeira hora. E o que mudou desde então? ”A questão do aborto generalizou-se, hoje em dia não é questionável, os divórcios aumentaram exponencialmente e as crianças e os jovens estão muito desacompanhados”, afirma a diretora do MDV. Um Movimento que se tentou adaptar às problemáticas da vida familiar procurando respostas com base nos valores que lhe deram origem.

Génese

Nasceu ligado a quatro organizações católicas: a Associação Católica de Enfermeiros e Profissionais de Saúde (A.C.E.P.S.), a Ação Católica Rural (A.C.R.), a Associação de Médicos Católicos Portugueses (A.M.C.P.) e o Serviço de Entreajuda e Documentação Conjugal (S.E.D.C.). Uma génese cristã para servir toda a sociedade.

Vivia-se o final dos anos 70 do passado século XX e começava-se a falar da despenalização do aborto. O Movimento de Defesa da Vida nasceu muito à volta desta questão. Fizeram-se campanhas, manifestações, angariaram-se assinaturas. Em 1984 a lei de despenalização do aborto passou na Assembleia da República e o MDV refletiu sobre a melhor forma de continuar a lutar pelos valores da vida. O resultado da reflexão ditou que “mais importante do que fazer manifestações era importante apostar na formação das pessoas”, afirmou Graça Delgado.

Foi uma época em que o Movimento de Defesa da Vida levou a cabo, um pouco por todo o país, inúmeras formações de formadores em educação sexual, planeamento familiar e orientação conjugal e familiar, no sentido de preparar técnicos que espalhassem esta formação por toda a sociedade. Um trabalho que passava pela formação de pais e pela  formação nas escolas. “Fizemos um protocolo com o Ministério da Educação e fizemos formações em centenas de

Projeto Família para manter as crianças junto das famílias biológicas

Estava na altura de parar e voltar a refletir. Nova etapa surgiu na vida do MDV. Do resultado da reflexão chegou-se à conclusão que as ações de formação que chegavam a pais, jovens e técnicos deixavam de lado uma franja da sociedade. “Havia uma franja de pessoas a que as nossas ações não chegavam e essa era a franja mais desprotegida, quer económica quer culturalmente”. Graça Delgado refere-se aos bairros das grandes cidades.

Da constatação até ao trabalho no terreno foi um passo. Uma formação nos Estados Unidos trouxe para Portugal o projeto Family First que por cá adquiriu o nome Projeto Família. Um projeto que é o espelho da postura do MDV perante a sociedade e perante os problemas que vão surgindo ligados à família e à vida. “Não vale a pena condenar ou julgar as pessoas. O que é preciso é ajudá-las e acompanhá-las e este Projeto Família faz isso mesmo. Vai ter com as famílias que têm crianças e jovens e vive com elas”, explica Graça Delgado. São seis semanas de trabalho intensivo feito por técnicos com formação específica. O trabalho é feito na casa da própria família. A família não tem de se deslocar a gabinetes. “Os técnicos entram na casa da família tornando-se seus aliados”. A grande missão é saber o que cada família precisa e de que forma é que pode ser ajudada.  “Os resultados são muito bons”, afirmou a diretora do MDV. “Desenvolvemos este trabalho desde 1996, há mais de 20 anos, e nunca os resultados foram abaixo dos 70% de sucesso”. E qual é o sucesso deste trabalho? No final de um ano de intervenção deste projeto, as crianças permanecem em casa da família biológica.

No início do projeto a sinalização das famílias vinha dos Centro Sociais e Paroquiais, das Creches e das escolas. Hoje estes casos chegam ao MDV, cada vez mais, através das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), das equipas de apoio dos tribunais ou diretamente através dos tribunais. O objetivo do Projeto Família é, ao longo de um ano, transformar a família de modo a que esta crie condições para que as crianças não lhe sejam retiradas.

O número de famílias acompanhadas é determinado pelo financiamento que o MDV possui. Atualmente tem 29 técnicos a funcionar em três grandes polos: Porto, Gondomar e Gaia, Lisboa, Almada e Seixal e em Évora. Em 2017 foram acompanhadas 400 famílias. “Isto é muito gratificante e vai acumulando todos os anos”.

Paralelamente ao Projeto Família o MDV criou um serviço de psicologia para dar apoio a famílias e crianças deste projeto. “Estas vidas deixam sequelas, quer nas crianças, quer nos adultos e temos um serviço de apoio psicológico para as famílias do Projeto Família” .

Mas o apoio e a formação MDV passa também pelo serviço de Orientação Conjugal e Familiar e pela sempre presente área da Sexualidade e do Planeamento Familiar. “Os valores mantém-se”, conta Graça Delgado: “Muitas das famílias deparam-se com a questão do aborto. O que nós procuramos é que a família se auto consciencialize das suas responsabilidades mas nem sempre conseguimos evitar que façam aborto”.

Como pode ajudar o MDV

- Para além dos donativos particulares e empresariais, uma das formas de ajudar o MDV é através do voluntariado.

- O MDV possui, na sua sede em Lisboa, um espaço para festas e eventos, particulares e empresariais. O donativo que entrega aquando da sua utilização reverte para ajudar a continuidade dos projetos da instituição.

- Pode ainda fazer-se sócio do Movimento ou apadrinhar o Projeto Família.

- Até ao final de maio pode ainda consignar os 0,5% do IRS para esta instituição preenchendo o campo 1101 do quadro 11 da folha de rosto do Modelo 3 com o NIPC:500929041.

Para mais informações sobre a forma de ajudar o MDV visite o site: www.mdvida.pt

 

Sexta, 4 de Maio de 2018