Líderes mundiais reunidos para debater regras relativas ao Acordo de Paris

Líderes mundiais reunidos para debater regras relativas ao Acordo de Paris
COP24 – Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas decorre até dia 14 de dezembro, na Polónia (Foto: Lusa).

Por estes dias, Katowice, na Polónia, acolhe a COP24, a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.  Até dia 14, os líderes mundiais vão discutir várias matérias relativas ao Acordo de Paris, nomeadamente o “livro de regras”.
 

O objetivo deste documento é definir, com a maior transparência possível, como vão ser cumpridas as regras estabelecidas no acordo assinado em 2015 na capital francesa.
 

O “livro” deverá definir o modo como cada país poderá comunicar o cumprimento dos compromissos assumidos e como cada um pode rever as metas assumidas (o que deve ser feito de cinco em cinco anos). Deverá ainda indicar como deve ser feito o relatório final, onde os valores de cada país signatário irão ser comparados.

 

Além do “livro de regras”, os líderes mundiais deverão discutir, em Katowice, a maneira de os países mais ricos ajudarem os menos desenvolvidos a adaptarem-se às alterações climáticas – estando previsto um investimento anual de 100 mil milhões de dólares até 2020.
 

Um outro assunto sobre a mesa é a meta de dois graus para o aquecimento da Terra até ao fim do século. O limite foi estabelecido em 2015 pelos 195 signatários, mas os especialistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) avançam agora que o planeta não pode aquecer mais do que 1,5 graus até ao final do século.
 

O relatório do IPCC vai estar em discussão, bem como o papel das tecnologias e dos cidadãos na luta contra as alterações climáticas.
 

A conferência junta os representantes das partes da UNFCCC e é organizada pela Polónia pela terceira vez, juntando na fase final, entre 11 e 14 de dezembro, líderes de vários países.


Portugal estará representado oficialmente pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes. Ambientalistas e especialistas em alterações climáticas portugueses participam também na COP24.

 

O Vaticano está representado pelo secretario de Estado do Papa, cardeal Pietro Parolin. À COP24 a Igreja Católica leva um documento assinado em outubro, na cidade de Roma, pelos presidentes de seis confederações continentais das Conferências Episcopais, em defesa de ações políticas e da comunidade internacional contra os efeitos das alterações climáticas.
 

D. Gabriel Mbilingi, arcebispo do Lubango (Angola) e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SECAM), um dos signatários, explicou então à Agência Ecclesia que o objetivo do documento é dar um “contributo” ao debate em curso, apelando ao “cuidado da terra, ao cuidado das pessoas e da sociedade”.
 

“O grito da terra, da mãe terra, em relação ao uso que dela fazemos e até à destruição que está em curso, é equivalente ao grito que vem da humanidade, da sociedade que precisa de ser também ela acordada, para que não se cometa este suicídio”, sublinhou.
 

Os responsáveis da América Latina, Ásia, África, Oceânia e Europa pedem que os “grandes emissores de gases com efeito de estufa assumam responsabilidades políticas e atendam aos compromissos de financiamento climático”.

 

Entre os pontos centrais da proposta estão a limitação do aquecimento global a 1,5 graus celsius; a adoção de estilos de vida sustentáveis; o respeito pelas comunidades indígenas; ao fim da era dos combustíveis fósseis, com transição para formas renováveis de energia; a reforma do sistema agrícola, para um fornecimento saudável e acessível de alimentos para todos.
 

A declaração tem o apoio das redes católicas CIDSE, Caritas Internationalis e Movimento Católico Global pelo Clima.

 

Em julho, o Papa defendeu no Vaticano um maior compromisso ecológico de governos e instituições financeiras internacionais, exigindo que todos honrem os objetivos assumidos no Acordo de Paris.
 

“Todos sabemos que muito deve ser feito para concretizar este acordo. Todos os governos deveriam esforçar-se para honrar os compromissos assumidos em Paris para evitar as piores consequências da crise climática”, assinalou Francisco, perante os participantes no simpósio internacional ‘Salvar a nossa casa comum e o futuro da vida na terra’, por ocasião do 3.º aniversário da encíclica ‘Laudato Si’.
 

Entre as instituições presentes na Polónia está a Fundação Fé e Cooperação, ligada à Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Fonte: Rádio Renascença e Agência Ecclesia

 

 

 

Quinta, 6 de Dezembro de 2018