Uma festa que foi lugar de encontro para as famílias

Uma festa que foi lugar de encontro para as famílias
A Festa da Família da diocese de Lisboa, no Parque das Conchas, no Lumiar, foi expressão da vitalidade da Pastoral Familiar.

Vieram de várias pontos da diocese e cedo começaram a salpicar de cor o relvado do Parque da Quinta das Conchas, no Lumiar. Largas centenas de famílias, na sua grande maioria jovens, participaram na Festa da Família da diocese de Lisboa, celebrada no domingo da Santíssima Trindade, e que teve como lema “Família: Lugar de Encontro com Deus” . 

A receber as famílias estiveram mais de duas dezenas de movimentos, associações e projetos ligados à Pastoral Familiar. Do Movimento Defesa da Vida ao Encontro Matrimonial, passando pelos Centros de Preparação para o Matrimónio ou pela Associação Família e Sociedade, todos fizeram parte da Feira Familiar . O objetivo foi dar-se a conhecer e promover atividades para todos os que percorriam os vários stands montados no recinto do Parque.

Família Blasiana esteve presente: divulgou carisma e dinamizou atividades para pais e filhos
Foi isso mesmo que fez a Família Blasiana dinamizada pelas Cooperadoras da Família. “Neste espaço da Feira, tentámos trazer aquilo que nos identifica como Família Blasiana, quer como Instituto, como Movimento por um Lar Cristão ou como Obra de Santa Zita. Tentámos dar a conhecer as nossas propostas e respostas em relação à família”, explica a Cooperadora da Família Elisabete Puga.

Mas também tentaram ir ao encontro dos mais novos. Trouxeram a experiência do trabalho que desenvolvem em inúmeras creches e jardins de infância espalhados pelo país e dinamizaram vários jogos e atividades lúdicas que envolveram pais e filhos. O balanço foi claramente positivo e às vezes até emotivo. 

Elisabte Puga conta a história de uma família que por ali passou logo pela manhã. Num dos jogos, uma das três filhas rebenta um balão cujo papel no interior tem o seguinte desafio: abraçar os pais e rezar o Pai Nosso.  “A menina foi procurar as irmãs, chamou o pai e abraçaram-se com uma serenidade tão grande! E ali ficaram a rezar! Olhei para os olhos daquele pai e percebi o quanto ele estava a viver aquele momento. Foi um momento muito bonito pela manhã e só isso já valeu este Encontro”, conta Elisabete. 

A vitalidade da Pastoral Familiar
Para D. Manuel Clemente, que desde cedo marcou presença por entre famílias e movimentos da Pastoral Familiar, esta Feira demonstrou a crescente vitalidade dos movimentos ligados à família. “Têm cada vez mais expressão porque também correspondem a uma grande necessidade”, afirmou o cardeal-patriarca. “O papel destes movimentos é  fundamental em várias vertentes: no  encontro de casais, na partilha da Palavra de Deus, na partilha da vida de cada família, na entreajuda, no estímulo. Este apoio muitas vezes é fundamental e decisivo para ultrapassar problemas no seio familiar”, acrescenta.  Um trabalho que acompanha todos aqueles que querem seguir a proposta matrimonial cristã.

 Da família para o mundo
Em ambiente de Parque, o encontro das famílias convidou também à caminhada. Uma caminhada por sete percurso que partiam da Família para abarcar os vários ambientes da vida real por onde a família se movimenta. “Uma família é chamada, no dia a dia,  a fazer vários percursos, desde a educação, à transmissão da fé, depois a ver-se como família evangelizadora e ir às periferias ou como família a ser chamada a construir a sociedade”, explicou o padre Rui Pedro Carvalho, responsável do Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa.

Dinamizados por vários movimentos, as famílias poderiam participar nos percursos: Família: Santuário Vivo; Família e Transmissão da Fé; Família e Educação; Família e Amor Conjugal; Família e Comunidade; Família e Periferias e Família e Sociedade. “Em cada percurso são salientados os carismas dos movimentos e ao mesmo tempo pretendem sublinhar aspetos da vida familiar”, referiu o padre Rui Pedro Carvalho.

A importância da unidade familiar
Numa tarde pautada por testemunhos de casais e por momentos musicais a cargo do grupo “Figo Maduro” e da fadista Cuca Roseta, a celebração Eucarística encerrou a Festa da Família e celebrou os jubileus matrimoniais de 250 casais que ao longo de 2019 completam 10, 25 e 50 e mais anos de casamento.  Para D. Manuel Clemente são exemplos de longevidade da união matrimonial numa sociedade onde “há tanta coisa que nos divide, numa sociedade tão dispersa e dispersante”.

O cardeal-patriarca enumerava as dificuldades que se colocam às famílias na grande cidade que dificultam a união da família; o trabalho, os transportes, a correria do dia a dia. Daí a “importância de nos reencontrarmos em dinamismos que mantenham a unidade familiar”, afirmou D. Manuel Clemente. 

“Muitos dos problemas que nos afligem como humanidade resultam da falta de vida familiar, da falta de vizinhanças ativas, da falta de acompanhamento mútuo”, acrescentou. E num mundo em que a tecnologia permite potenciar a aproximação nem sempre assim acontece, “ficamos mais separados mais individualizados”, referiu.

“Deus não nos criou para vivermos isolados”, continuou D. Manuel Clemente. Numa sociedade onde aumenta a longevidade, onde filhos, netos, bisnetos e trisnetos poderiam conviver, faltam as possibilidade para esse convívio que se tornam desafios para as famílias cristãs. 

Por fim, recordando o último Sínodo dos Bispos dedicado à Família,  D. Manuel Clemente lançava o desafio aos sacerdotes presentes: “que as vossas comunidades sejam famílias de famílias”. 

A próxima Festa Diocesana da Família terá lugar no dia 7 de junho de 2020 na Vigararia das Caldas da Rainha-Peniche, na paróquia de Óbidos. 

 

 

Domingo, 16 de Junho de 2019