Mensagem para o Dia do Pai

A Comissão Episcopal do Laicado e Família divulgou a sua mensagem para o Dia do Pai, que se celebra a 19 de março (dia de S. José), e nela convida a “parar neste dia para que o coração ocupe o lugar que sempre teve e que, agora, a modernidade parece substituir pela frieza da técnica e da pressa”.

Despertar o coração
19 de março de 2024

O Dia do Pai, na Solenidade de S. José, acontece no centro da caminhada quaresmal. Não podemos, por isso, fugir ao programa de renovação pessoal e comunitário proposto pelo Papa Francisco para este tempo favorável. Com a sua habitual sabedoria convoca-nos para reviver a experiência do Povo de Israel quando teve de deixar a terra de escravidão, no Egipto, para alcançar a liberdade e felicidade, na Terra Prometida. Uma passagem marcada por muitas opções e coragem que nos devem inspirar. Trata-se de reestruturar um projeto de vida mais humano e, consequentemente, mais cristão.

O Santo Padre recorda que a quaresma é tempo de “parar para agir”. É aqui que podemos colocar a vivência do Dia do Pai. Um momento de graça que nos leva a viver de um modo diferente.

Olhando para o mundo hodierno, verificamos que é já um lugar comum reconhecer o enfraquecimento das relações dentro e fora da família. Estamos submetidos ao império da tecnologia, da informática, da inteligência artificial. Perdemos o sentido de viver em comum e contentamo-nos com relações protocolares e vazias de significado. Tornamo-nos frios e distantes, mesmo que a viver lado a lado ou comendo à mesma mesa. Parecemos ilhas ou bolhas fechadas, no mundo de um egoísmo despótico e desprezador onde o “essencial é invisível aos olhos”. Faltam-nos presenças, palavras, carinho, ternura, compaixão, em suma, gestos que mostrem sem-vergonha nem complexos que nos queremos verdadeiramente bem pois nos amamos apaixonadamente e sem receio de o mostrar e manifestar.

O “agir” da quaresma no mundo da família, interpelador para o Dia do Pai, deveria consistir em corporizar o que o Papa Francisco sugere na referida mensagem.

Precisamos de fazer com que “o coração atrofiado e isolado desperte”.

O que isto significa ou pode significar deverá ser discernido em família e em momentos de diálogo fecundo. Assumindo este compromisso, o Dia do Pai não será uma data fugaz e passageira, mas deixará marcas no quotidiano familiar. Importa, por isso, parar neste dia para que o coração ocupe o lugar que sempre teve e que, agora, a modernidade parece substituir pela frieza da técnica e da pressa.

“Reabilitar” o coração numa dupla vertente. Neste dia não basta pensar que “temos” um Pai. Não podemos, porém, negligenciar a outra certeza de que, também, posso “ser” pai. Diante do pai devemos permitir que os gestos de maior proximidade e ternura aconteçam. Não bastam as prendas ou as mensagens. Vamos mergulhar dentro do nosso ser família e dar outra profundidade ao conviver quotidiano. Sendo “pai”, o agir com o coração pode exigir maior presença silenciosa e despretensiosa que estimula, sem impor relacionamentos. Tudo muito mais sereno e calmo, mais positivo e propositado, feito de sinais que nada pretendem nem esperam. Espontâneos.

Expressos abertamente diante de todos ou nos espaços de maior intimidade.

Na caminhada libertadora do Êxodo que inspira este percurso quaresmal, Moisés foi amando o seu povo com muitas dádivas e ofertas, pois sabia ser filho diante de Deus Pai, ser amor e não apenas determinador de ordens e preceitos. O amor estava antes e acima. Daí que a paternidade humana, a oferecer ou a respeitar, tem de voltar à fonte do amor primeiro de um Deus que caminha com o povo em momentos de luta e consolação, nas horas de festa como no desânimo, mas sempre com sinais de doação e entrega. Despertar o coração exige que ultrapassemos os modelos humanos que estão imperando no ambiente familiar, e nos confrontemos com a fonte do amor para aí encontrar inspiração e coragem para um amor que nunca se cansa, mas sempre se renova.

S. José, Dia do Pai, momento de paragem para filhos e pais dando asas ao coração e a tudo o que ele sugerir. Ousemos ser concretos e audazes. Não tornemos o amor como algo meramente repetitivo e marcado por gestos impostos pela sociedade do consumo. Algo material e de momentos. Apostemos no permanente de um ambiente familiar, tornando-o mais acolhedor, simpático, gentil, com menos palavras, talvez invisível, mas carregado do que verdadeiramente permanece para além de um dia comemorativo.

E se as circunstâncias não nos permitem tais passos, no coração descobriremos “aquela voz” que nos sugerirá o que fazer, porque o amor não tem impossíveis.

Reabilitemos o coração. O que poderá significar esta expressão do Papa? Toca a cada um descobrir e em família discernir em conjunto. Recordamos, ainda, quanto o Papa Francisco refere em relação a S. José apresentando-o como o “homem com coração de pai” e um “pai com coragem criativa”. Os sonhos que comandaram a sua vida indicam que algo de surpreendente poderá acontecer se os colocarmos no seio da família. Não permitamos que o nosso coração seja “atrofiado” e “isolado”.

Comissão Episcopal do Laicado e Família
Março 8, 2024

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