A capacidade de amar é um dom de Deus

"‘Namorados’ é uma palavra que tem dentro de si o amor, e o amor é mistério, não se explica, vive-se como um dom e traduz-se por gestos, sinais, atenções e doação de vida", refere a mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o Dia dos Namorados.

A capacidade de amar é um dom de Deus

14 de fevereiro de 2025

Há dias fixos no calendário para comemorar acontecimentos históricos de elevada importância para a comunidade e há dias fixos para salientar valores humanos importantes para o bem de todos. O Dia dos Namorados, 14 de fevereiro, é oportunidade para uma breve reflexão sobre o que se entende por ‘namoro’ e que valor existe ou deve existir nessa experiência de vida.

Na versão mais tradicional, por ‘namorados’ entende-se um casal de jovens, um rapaz e uma rapariga, que se acompanham por encantamento, para se conhecerem melhor, tendo como possibilidade e objetivo a celebração do matrimónio (casamento). Porém, os comportamentos humanos alteram-se de acordo com um novo quadro de valores ou a falta deles e, nesta situação, a palavra ‘namorados’ já se utiliza nas situações mais diversas, seja entre crianças, idosos, pessoas de género diferenciado e do mesmo género. Também é utilizada por pessoas que resolveram viver maritalmente, sem a celebração do casamento. Enfim, ‘namorados’ é uma palavra utilizada para traduzir relacionamentos humanos em contextos muito diferentes, perdendo o significado de pessoas com um relacionamento com projeto. Na linguagem corrente, ‘namorados’ são pessoas com relacionamento afetivo diverso sem necessidade de qualquer vínculo ou projeto.

‘Namorados’ é uma palavra que tem dentro de si o amor, e o amor é mistério, não se explica, vive-se como um dom e traduz-se por gestos, sinais, atenções e doação de vida. O amor ou existe ou não existe, não se compra em parte alguma nem se fabrica, e pode gerar muito sofrimento quando é correspondido por um falso amor.

Existem ‘namoros’ falsos ou vazios porque não têm o mistério do amor como conteúdo. Há ‘namoros’ que são uma sedução para levar à escravatura, afirmações de poder com objetivos de falsa grandeza pessoal. Entretanto, progressivamente, foi aumentando uma cultura de violência. Há uma contradição inaceitável em alguns jovens namorados que aceitem a violência no seu relacionamento como um dado cultural próprio da atualidade.

Ao contrário do que se diz popularmente, o Amor não tem de ser cego, necessita de vigilância e sabedoria para traduzir a verdadeira vocação humana. Como ensina a Igreja, “Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata de todo o ser humano. Porque o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus que é Amor, tendo-os Deus criado o homem e a mulher, o amor mútuo dos dois torna-se imagem do amor absoluto e indefetível com que Deus ama o homem. É bom, muito bom, aos olhos do Criador este amor, que Deus abençoa e que é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum do cuidado da Criação” (CIC 1604).

A capacidade de amar é um dom de Deus no coração humano que cresce, amadurece e nos torna sempre mais semelhantes ao Criador. Este dom tem de ser traduzido em ensinamento e sabedoria vigilante para que se torne parte do todo da pessoa humana e não um apêndice. Num tempo marcado pelo domínio da economia e da tecnologia, o Amor é desvalorizado e, portanto, não admira que tenhamos um mundo cada vez mais violento, governado por pessoas violentas onde não se reconhece a compaixão pela pessoa humana. Como escreveu o Papa Francisco: “Na sociedade atual falta o coração”.

Aos namorados de todas as idades fica o desafio de levar a sério o Amor como o grande dom que Deus a todos concedeu. Amor que faz alargar a morada interior e dá sentido a grandes opções. Amor que vence a solidão cresce, se for verdadeiro e fiel, e inspira aventuras grandes, confiantes e com esperança.

Comissão Episcopal do Laicado e Família

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Papa pede Igreja unida no Centenário do Dia Mundial das Missões

No ano em que se assinala o Centenário do Dia Mundial das Missões, o Papa Leão XIV apelou a uma Igreja unida, reconciliada e orientada para a evangelização. Na mensagem para este centenário, alerta que conflitos e polarizações enfraquecem o testemunho cristão e defende a colaboração entre comunidades e carismas para a missão comum.

Ler Mais >>

Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!

“Ó avó, o avô está a obrigar-me a pensar!”. A divertida queixa da neta de oito anos serve de ponto de partida para a reflexão de Jorge Cotovio sobre os resultados do PISA. Mas é também um alerta para o papel da família, da escola face a uma geração que cresce rodeada de respostas imediatas, mas cada vez menos habituada ao esforço de pensar.

Ler Mais >>

Artesãos da fraternidade e da paz

Perante um cenário internacional cada vez mais marcado por tensões e narrativas de força, para Juan Ambrosio os cristãos são desafiados a escolher outro caminho: serem “artesãos da fraternidade e da paz no quotidiano”.

Ler Mais >>

Entre os dois

“Diz ao pai que…” “Diz à mãe que…” Frases aparentemente simples podem colocar sobre os ombros de uma criança um peso demasiado grande. Nesta carta aberta, uma filha pede algo essencial: que os pais encontrem a sua própria forma de comunicar e lhe permitam ocupar apenas o lugar que lhe pertence, o de filha amada pelos dois.

Ler Mais >>

Ano Novo (letivo)… Vida Nova

O regresso às aulas traz consigo novos desafios para alunos, pais e professores. Este ano, uma das principais novidades é a proibição do uso de telemóveis até ao 3.º ciclo, uma medida que procura promover melhores aprendizagens e relações interpessoais. O sucesso da sua implementação dependerá, em grande parte, da colaboração entre a escola e a família.

Ler Mais >>