Regras e limites como ferramentas básicas na Educação

“A Educação começa em casa”, afirma a professora Goretti Valente, acrescentando que “regras e limites não são castigos”. São uma preciosa ajuda em sala de aula e preparam para a vida.

A Educação começa em casa, junto da família, e muito bem. É, naturalmente, o local ideal para se promoverem e desenvolverem um conjunto de princípios e valores básicos, fundamentais para uma vivência em sociedade e um crescimento saudável a todos os níveis. Acrescentar o incremento de regras e limites a este espaço educativo valoriza também a importância do saber estar com os outros. Aprendemos em casa a saber conviver ou não, bem como a gostar, respeitar ou simplesmente esquecer. Estes valores reunidos permitem uma formação humana mais responsável, autónoma, positiva e humanista. Todos sabemos e reconhecemos que viver em sociedade não é fácil, logo devemos estar preparados para todas as contrariedades e dificuldades que venhamos a encontrar. Preparar bem cedo estes cenários e dar ferramentas adequadas para responder da melhor forma, conforme as circunstâncias, é um objetivo educativo parental a considerar. Promover regras e limites acompanha as várias etapas da vida do ser humano e devem ser diferenciadas, conforme a época em que se encontrem: crianças, jovens ou mesmo adultos. Estes conceitos complementares aos princípios e valores desenhados por cada família, devem ser introduzidos na realidade da vivência quotidiana com alguma calma, clareza, objetividade, informação positiva e capacidade em saber ouvir. Explicar o motivo pelo qual a introdução de regras e limites está a ser considerada, isto é, o objetivo concreto desta atitude educativa, permite uma melhor compreensão e aceitação por parte do educando. Saber o que está certo ou errado permite, no futuro, um maior equilíbrio, maior e melhor organização da vida e até mesmo agir com mais conhecimento e confiança. Fortalece o ego e prepara para a vida.

 As crianças agem muitas vezes por impulso e na verdade não sabem estabelecer limites. Aos pais compete estarem atentos, prevenir e dar a melhor orientação. A escola vai complementar o que em casa já foi estipulado. Criar rotinas, horários, pausas melhora a organização da vida e também, neste caso, das aprendizagens porque evita, de certa forma, alguma indisciplina dentro da sala de aula, o que melhora o ambiente e rendimento escolar. Pequenas coisas que fazem grandes diferenças.

O aumento das tecnologias na vida das crianças e jovens tem vindo a ser cada vez mais notório. Como temos vindo a ser informados pela comunicação social e estudos nesta área, mas nem sempre equivale a melhor. Tudo se quer com conta, peso e medida, e este lema podemos aplicar perfeitamente nesta situação. Restringir o tempo de utilização ou até mesmo a consulta de algumas aplicações, não é pedir muito e pode prevenir muita coisa. No entanto é preciso também dar o exemplo, pois sabemos que a imitação também é um método de aprendizagem. E, neste sentido, permitam-me repetir algo que já sabemos desde sempre, que um exemplo vale mais que mil palavras. Poupemos palavras!

Estabelecer regras e limites não tem que ser entendido como um castigo, nem pensar! É um momento importante na formação do ser humano, traduzido num momento de troca de ideias tranquilo entre a criança ou jovem e os pais, aqueles que querem o melhor para eles, tendo em vista indicar e preparar o melhor caminho para a vida e para o mundo, onde se pretende que vivam em paz e harmonia. Ambientes saudáveis precisam ser preparados com alguma antecipação. É o que propomos ao falar da importância das regras e limites na educação, para o bem da humanidade.

 Cada vez mais temos a confirmação da importância da vivência familiar no desenvolvimento do ser humano. Contribuir para o êxito desta constatação é um conselho que fica!

A Família é o motor da Educação!

Goretti Valente
Artigo da edição de maio de 2026 do Jornal da Família

Foto: Pexels

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