O Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF) promoveu uma Jornada de Espiritualidade Blasiana, realizada em três sessões. O objetivo foi dar a oportunidade a cada membro de optar pela data que mais lhe conviesse, e assim participar nesta jornada de formação, reflexão e partilha. O espírito sinodal marcou as três sessões: caminhar juntos, escutando, partilhando e aprofundando um carisma comum, recebido como dom e missão na Igreja.
O objetivo central da jornada foi refletir sobre a espiritualidade da Família Blasiana, fundada por Monsenhor Alves Brás, e sobre a forma específica como cada ramo encarna e desenvolve essa espiritualidade. O percurso formativo partiu do geral para o particular, da espiritualidade em sentido amplo à espiritualidade cristã, desta à espiritualidade blasiana e, finalmente, à identidade própria de cada ramo.
Em cada sessão, o teólogo Juan Ambrosio fez uma reflexão introdutória sobre o significado da espiritualidade, distinguindo-a da interioridade. A espiritualidade não é apenas um voltar‑se para dentro, mas uma abertura ao transcendente, que, para os cristãos, se concretiza na relação com Deus. A espiritualidade cristã é, assim, uma vida centrada em Jesus Cristo, vivida no Espírito, envolvendo cada um como um todo.
Nesta mesma linha, Anabela Freitas, membro do Movimento por um Lar Cristã (MLC)o, aprofundou a diversidade das espiritualidades cristãs, lembrando que elas não se opõem, antes oferecem caminhos distintos para a mesma comunhão com Deus. Ao longo da história da Igreja, surgiram várias famílias espirituais, cada uma respondendo aos desafios do seu tempo, mas todas com um centro comum: Cristo e o Evangelho. Também os movimentos eclesiais contemporâneos, com forte protagonismo dos leigos, se inscrevem nesta dinâmica de renovação missionária.
A reflexão ganhou densidade ao entrar na espiritualidade do Padre Brás, apresentada pela Cooperadora da Família Elisabete Puga. Enraizada na vida concreta e no sofrimento assumido com fé, esta espiritualidade assenta num triplo dinamismo espiritual do Padre Brás: relação consigo próprio, com Deus e com os outros. O cristocentrismo vivido no quotidiano, sintetizado no lema “mãos no trabalho, coração em Deus”, transforma o dia a dia em lugar de encontro com Deus e traduz‑se sempre em obras concretas, como resposta às problemáticas de cada época.
A Cooperadora Conceição Vieira apresentou a espiritualidade ISCF, destacando a missão de santificação das famílias e dos sacerdotes, tendo como modelo a Sagrada Família de Nazaré e como fonte uma espiritualidade eucarística que integra oração e ação. A consagração secular aparece como forma própria de viver este carisma no meio do mundo, para o transformar como fermento na massa.
A partir daqui o olhar incidiu sobre a especificidade de cada ramo da Família Blasiana, sempre em ligação à identidade comum. Na Obra de Santa Zita (OSZ), Centro de Cooperação Familiar (CCF) e Fundação Monsenhor Alves Brás (FMAB) destacou‑se a centralidade da família, entendida hoje como eixo de toda a ação formativa, educativa, evangelizadora e acolhedora, inspirada na Sagrada Família de Nazaré. A Juventude Blasiana/Focos de Esperança apresentou‑se como expressão de um carisma que ajuda os jovens a descobrir, viver e testemunhar a esperança cristã, alicerçada na fé em Jesus Cristo. Por seu lado, o Movimento por um Lar Cristão sublinhou a família como “igreja doméstica”, chamada a viver a fé no quotidiano e a assumir um compromisso missionário transformador da sociedade.
A tarde de cada sessão foi dedicada ao trabalho de grupos, em verdeiro ambiente sinodal, que culminou em momento de partilha. Como novidades da Jornada, os participantes destacaram, entre outros aspetos, a tomada de consciência da magnitude da Obra do Padre Brás, a espiritualidade vivida no quotidiano e a preocupação constante com a atualização do carisma fundacional. Quanto ao que cada ramo recebe do carisma comum, foi sublinhado o exemplo do fundador, o sentido de servir, a vivência da santidade no quotidiano e o impulso para cativar outros. Por fim, em relação ao que cada ramo oferece ao carisma, emergiram palavras como proximidade, testemunho, partilha, evangelização da família/s, expansão do carisma e acolhimento.
Esta jornada revelou‑se, assim, um espaço de comunhão, discernimento e renovação, confirmando que o carisma blasiano permanece vivo quando é acolhido, partilhado e recriado na fidelidade ao seu fundador e às exigências do tempo presente.
Pelas três sessões, realizadas nos dias 11, 18 e 25 de abril, passaram cerca de 200 membros da Família Blasiana, entre Cooperadoras da Família, casais do Movimento por um Lar Cristãos e outros casais interessados no Movimento, Mensageiras da Família e Juventude Blasiana/Focos de Esperança.
Texto e foto: IM
Artigo da edição de maio de 2026 do Jornal da Família
Foto: Um dos grupos participantes numa das três sessões da Jornada de Espiritualidade Blasiana





