Cidade do Vaticano, a Capela escondida

A Capela do Espírito Santo, na Casa Santa Marta, no Vaticano, “acolhe todos os dias as orações do Vigário de Cristo na Terra”. Cristiano Cirillo foi visitá-la para nos contar a sua história.

Gosto de descobrir santuários, capelas, igrejas, por vezes inéditas, quando visito um país. Mas, há países que não são turísticos, como por exemplo, o Estado da Cidade do Vaticano. Um enclave, na Cidade de Roma, sede do cristianismo no mundo, e que com a sua bela e antiga Basílica de São Pedro, representa o abraço de Cristo ao Mundo. Mas no seu interior tem outras capelas escondidas, uma das quais, é a Capela do Espírito Santo, da Casa Santa Marta.

Os documentos da construção sobre a Capela fazem referência ao gabinete de arquitetura Astorino e a sua participação em dois projetos encomendados pelo Vaticano entre 1992 e 1997. O primeiro projeto da construção da Casa Santa Marta teve início em 1992 e foi financiado em grande parte pelo empresário de Pittsburgh John Connelly o qual, em 1993, recomendou a Louis Astorino e à sua empresa que colaborassem na remodelação do edifício. Embora as sugestões de Astorino não tenham sido incorporadas na construção da Casa Santa Marta, o Vaticano pediu-lhe que projetasse uma Capela adjacente ao hotel. A Capela do Espírito Santo foi recomendada para criar um espaço de oração e contemplação para o clero e outros visitantes alojados no hotel.

O objetivo de Astorino ao conceber a Capela era o de transmitir um significado espiritual e “o próprio mistério do Espírito Santo” através dos elementos físicos da estrutura. Com o triângulo como motivo central, o projeto de Astorino realça a figura eclesiástica da Santíssima Trindade e a inter-relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O triângulo é utilizado em toda a estrutura, tanto funcional como simbolicamente; está presente na grelha de mármore do pavimento e na estrutura externa do edifício, que se situa num local triangular entre as Muralhas Leoninas e a Casa Santa Marta. A primeira missa na Capela foi celebrada em 31 de outubro de 1996.

Dedicada à terceira pessoa da SS. Trindade, a Capela tem muitos elementos decorativos, que evocam o Espírito Santo. Uma pomba dourada, por exemplo, domina a absides. Sobre o altar, uma inscrição latina: “VENI SANCTE SPIRITVS REPLE TVORVM CORDA FIDELIVM”. Toda a Capela tem motivos triangulares, simbolizando a Trindade: o chão, cujas cores lembram a bandeira do Vaticano, o mármore do altar, o teto e até os pilares ao longo da nave.

Do lado direito, a capela é decorada com uma grande janela, que dá diretamente para os muros que formam a fronteira do mais pequeno Estado do mundo. Do lado esquerdo, a Virgem Maria em bronze que vela sobre o seu Filho, segurando-O nos braços. A sua cabeça está virada/inclinada para o ambão de mármore branco, de onde o Pontífice reza. É de salientar um pequeno órgão, doado ao Papa João Paulo II pela organização americana de beneficência “Cavaleiros de Colombo” em 1997.

Este pequeno oásis de paz, moderno e silencioso, acolhe todos os dias as orações do Vigário de Cristo na Terra. O Sucessor de Pedro, não só celebra a missa e reza ali, mas também dedica algum tempo ao silêncio, em certos momentos do dia.

Uma Capela inédita, belíssima e cheia de espiritualidade, quase fiquei sem palavras e com uma forte emoção, deslumbrado, quando tive a oportunidade de a visitar.

Caros leitores, acompanhem-me nestas viagens. Nas próximas edições, viajaremos pela Europa e pelo mundo para descobrir outros lugares inéditos e de forte espiritualidade.

Texto e foto: Cristiano Cirillo
circri@libero.it
Artigo da edição de junho de 2025 do Jornal da Família

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