A audição, a visão e o reflexo nas aprendizagens

Para Goretti Valente a audição e a visão são “ferramentas básicas” que permitem a aprendizagem. Por isso, no início de um novo ano letivo há que estar atento à saúde da visão e da audição das crianças.

A preparação de um novo ano letivo começa em férias ou bem perto das aulas começarem. Convém lembrar que esta preparação não se deve apenas fazer relativamente aos materiais escolares, equipamentos, mudanças de escola ou de turma, escolha de locais de atividades extracurriculares, mas também deve ter uma especial atenção às ferramentas básicas de trabalho, isto é, os meios pelos quais se adquirem as aprendizagens: a audição e a visão. Importantes na questão comunicativa pois são elas que vão permitir um ambiente pedagógico diferenciado e resultados melhorados, quando a funcionarem corretamente. A perda de audição e de visão nem sempre é fácil de detetar nos alunos mais jovens. Os pais devem estar atentos a algumas situações de alerta, como por exemplo, aumento do tom de voz ou do som dos aparelhos televisivos, ignorar os sons do ambiente de casa e da rua, distração constante, não responder às questões efetuadas, falta de diálogo.

 Relativamente à audição, os jovens não costumam aperceber-se desta dificuldade e também não manifestam preocupação junto dos pais ou professores. Pedem com frequência para repetir, distraem-se com facilidade, fazem uma leitura facial e labial mais atenta e muitas vezes não realizam as tarefas ou indicações porque não ouviram.

No que respeita à visão a situação é mais fácil de detetar, uma vez que a criança ou jovem faz um esforço notório para ver o que está mais afastado. Outras vezes aproxima demasiado o texto ou imagem que tem que ler ou observar. Como nunca conheceu uma realidade diferente não se manifesta convencido de que o mundo é como o vê. Em alguns casos cai com frequência e na sala de aula está um pouco mais indisciplinado, pois quer ver aquilo que o colega escreveu, para registar no seu caderno, uma vez que o quadro ou o ecrã está longe e dificulta a leitura.

 Uma avaliação antecipada destes dois campos de ação tão importantes para o desenvolvimento da criança ou do jovem não pode ser descurada, porque interferem com as aprendizagens em sala de aula ou mesmo ambientes familiares.

Os alunos que vão frequentar pela primeira vez a escola (1º ciclo) merecem uma atenção especial na avaliação destes dois campos. Maior atenção ou um pequeno rastreio é o bastante para começarem bem um novo percurso escolar. Também os professores devem estar atentos a estes pormenores tão importantes para evitarem isolamentos, bullying, resultados menos positivos, desânimo, abandono escolar, ou mesmo indisciplina na sala de aula ou nos recreios. Mais do que uma mochila nova ou um estojo atraente, preparar o ano letivo também é verificar os instrumentos de comunicação que vão permitir uma melhor aprendizagem, um êxito para a vida futura.

 Este ano também é preciso preparar pais e alunos para uma nova realidade relativamente ao uso dos telemóveis nas aulas ou nos recreios. Vários estudos e especialistas na área consideraram que não é o mais adequado nas escolas do 1º e 2º ciclo, uma vez que pode interferir com as aprendizagens, socialização, dependências, concentração, integração, a não ser que faça parte de uma atividade curricular proposta pelo professor e monitorizada pelo mesmo.

Uma novidade e uma nova realidade escolar que precisa de muita interação com a família. Refletir em família sobre este tema é fundamental para que os resultados sejam bons para todos.

Boas férias, boas reflexões e uma boa preparação do novo ano letivo.

Goretti Valente
Artigo da edição de agosto/setembro de 2025 do Jornal da Família

Foto ilustrativa: Pixabay

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