O amor e a educação farão toda a diferença

O que pensa um avô quando abraça um neto e o vê crescer nos seus braços? “O amor e a educação farão a diferença”, responde Juan Ambrosio.

Por estes dias tenho dedicado muito tempo, juntamente com a Cristina, a cuidar do nosso neto Francisco. Isto tem sido para nós não só um gosto imenso, mas, sobretudo, algo que acolhemos como um dom e vivemos como uma graça.

Não há palavras para descrever aquele momento em que ele nos vê e imediatamente abre um sorriso que foca e atrai toda a nossa atenção. Há certamente muitas e boas maneiras de dizer ‘olá’, mas este sorriso está, sem dúvida, entre as melhores. E quando estende os bracitos para vir para o nosso colo, tudo se torna ainda mais intenso. Ser abraçado por ele é fazer a experiência de sentir a vida a palpitar.

Esta experiência, que é razão de profunda alegria e realização faz-me também persentir a força de uma pergunta que vai ganhando um peso cada vez maior no meu pensamento: que mundo vamos deixar ao Francisco, que mundo vamos deixar às nossas crianças, a todas as crianças?

As imagens que ultimamente passam nas nossas televisões, os sons que escutamos nas nossas rádios, o que lemos nos jornais, o que se partilha nas redes não nos pode deixar indiferentes, nem sossegados. É a ‘normalização’ da guerra, da violência, da lei do mais forte, da exclusão de quem fala diferente, pensa diferente, sente diferente.

Sei bem, que não podemos, de modo algum, pactuar com esta ‘normalização’ que vai acontecendo sempre que nós, apesar de não ficarmos indiferentes pelo que vemos e ouvimos, não fazemos o suficiente para denunciar e combater estas situações, já que elas não estão a acontecer perto, nem connosco, ou com os nossos.

Que podemos fazer quando não temos o poder de decisão nas nossas mãos, nem ocupamos cargos que possam influenciar essas decisões?

É aí que o Francisco de novo me inspira. Vejo como ele olha com atenção tudo. De olhos bem abertos, vai descobrindo o mundo com todas as criaturas que o habitam. É fascinante observar o fascínio dele com tudo o que o rodeia. Com as suas mãos também vai fazendo descobertas. O que agarra e toca é virado de todos os lados, é levado à boca, e assim vai percebendo como são as coisas. Mais fascinante ainda é perceber o esforço que faz para tentar imitar gestos e mesmo sons que vai vendo e ouvindo, sobretudo, àqueles que lhe são mais próximos e com os quais vai criando laços de vida.

Se ele está tão atento ao mundo e às pessoas, então a maneira como for educado, a maneira como ele aprender a cuidar desse mundo e dessas pessoas pode fazer toda a diferença.

O mundo que a Cristina e eu vamos deixar ao nosso neto, está também dependente do modo como nós o educarmos e prepararmos para edificar esse mundo.

Neste sentido é fácil perceber a importância da família neste percurso e, quando estamos a concluir as celebrações do Jubileu do Centenário da Ordenação Sacerdotal de Mons. Alves Brás, perceber igualmente a atualidade do carisma que legou às Cooperadoras da Família e que hoje podemos fielmente traduzir do seguinte modo: se queremos cuidar do mundo e da humanidade, então temos de cuidar da família.

Sempre que olhar para o Francisco e o pegar nos meus braços não me esquecerei disto. O modo como o amarmos e educarmos fará toda a diferença. Obrigado, Francisco, por nos entusiasmares a não deixar de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para denunciarmos e combatermos tudo aquilo que não promova, nem dignifique o ser humano.

Juan Ambrosio
juanamb@ucp.pt
Artigo da edição agosto/setembro de 2025 do Jornal da Família

Foto ilustrativa: Pixabay

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