Uma experiência única e transformadora. O testemunho de alguns dos jovens que, integrados na Juventude Blasiana/Focos de Esperança, participaram no Jubileu dos Jovens. De 28 de julho a 3 de agosto, 10 jovens, acompanhados pelas Cooperadoras da Família Elisabete Puga e Alexandrina Gouveia, viveram em Roma a versão jubilar de uma Jornada Mundial da Juventude. Uma experiência única de crescimento na fé.
…reviver toda a emoção das Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa
A minha experiência no Jubileu dos Jovens, em Roma, começou como um sonho distante, após o convite do Papa Francisco durante as Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa. Sentia uma força interior e uma vontade imensa de viver o Jubileu, mas a incerteza quanto à possibilidade de participar fez-me acreditar que não iria conseguir. Quando surgiu a oportunidade de ir com os Focos de Esperança, o entusiasmo foi indescritível.
Chegada a semana do Jubileu, a viagem foi cansativa, mas o primeiro impacto ao chegar a Roma deixou-me sem palavras e compensou todas as horas de caminho. Senti uma mistura de felicidade, curiosidade e expectativa em relação à semana que estávamos prestes a viver.
Roma transborda história e fé por todos os lados. Cada lugar, cada detalhe da cidade e dos seus monumentos carrega séculos de história. É inexpressável o sentimento de poder andar, ver e sentir cada recanto daquela cidade. Claro que houve desafios e momentos mais difíceis, mas esses também permitiram desenvolver e sentir empatia e ajuda ao próximo, dentro das nossas possibilidades.
O primeiro grande e emocionante momento foi a Santa Missa de boas-vindas. No meio de toda a emoção que esse momento já trazia, ainda tivemos a surpresa do Papa Leão XIV, que passou pela Praça de São Pedro e deixou uma mensagem aos jovens presentes. Este momento fez reviver toda a emoção das Jornadas Mundiais da Juventude em Lisboa: as bandeiras de tantos países no ar, o grito dos jovens pelo Santo Padre, e pela fé que une milhares de pessoas. Todos os dias seguintes foram cheios de descoberta e emoção. Desde o encontro dos portugueses, o nosso momento de oração profundamente comovente, até à passagem pelas Portas Santas das quatro basílicas, cada vivência foi inesquecível.
Nem tenho palavras para descrever a sensação da presença de Deus connosco a cada instante, e a imensidão e beleza das basílicas, que enche o coração. Ainda assim, o momento que mais destaco e que mais me tocou foi a Vigília de Oração e a Santa Missa final com o Santo Padre, em Tor Vergata. A mensagem que o Papa nos deixou tocou-me de forma especial, mas o que mais trouxe comigo para aplicar na minha vida pessoal e no meu crescimento na fé foi esta frase: “A amizade é o caminho para a paz.” Esta frase fez-me refletir sobre como as nossas amizades e as pessoas que fazem parte da nossa vida podem ser portadoras de esperança e de paz para os nossos corações — e como também nós o podemos ser para elas. Na amizade, no amor e na fé não deve haver guerra, deve reinar a paz, a entreajuda, a empatia, o cuidado e a preocupação pelo próximo. Tudo isto leva-me a pensar sobre o tipo de pessoa que sou enquanto amiga, não só dos meus amigos, mas também enquanto amiga de Jesus, e sobre a forma como estou presente na minha fé.
Ana Sofia Marques, 21 anos
…um apelo a viver a fé com mais coragem e autenticidade
O Jubileu dos Jovens em Roma foi uma experiência inesquecível, que me marcou profundamente. Estar em Roma, no coração da Igreja, em comunhão com milhares de jovens vindos de tantas partes do mundo, foi sentir de forma concreta que a nossa fé é universal e que fazemos parte de uma grande família.
O momento mais marcante para mim foi a vigília. Aquele tempo de oração em silêncio, vivido em união com tantos jovens, fez-me sentir a presença de Deus de uma forma muito especial. No meio da multidão, havia uma paz que só podia vir d’Ele. A adoração também foi um dos gestos mais fortes desta peregrinação. Diante de Jesus, em silêncio, senti-me profundamente amada e envolvida por uma paz imensa.
O que mais me surpreendeu foi ver que, apesar das diferenças de língua e cultura, todos partilhávamos a mesma fé e a mesma alegria. Era bonito perceber que nos entendíamos sem palavras, porque aquilo que nos unia era muito maior do que o que nos podia separar.
Ficou gravada no meu coração a frase do Papa Leão XIV: “Vós fostes feitos para coisas grandes, para a santidade. Não vos contenteis com menos.” Senti-a como um desafio pessoal, um apelo a viver a fé com mais coragem e autenticidade.
Desta experiência trouxe também descobertas: percebi que é possível viver a fé de forma simples e alegre, mesmo fora da minha zona de conforto. Descobri que, quando confiamos, Deus faz-nos sentir em casa em qualquer lugar.
O que mais desejo agora é levar esta alegria, esta paz e esta esperança para o meu dia a dia. Quero que aquilo que vivi em Roma não fique apenas como uma memória bonita, mas seja uma luz que ilumina o meu caminho e me ajuda a testemunhar Deus com simplicidade.
Inês Macedo, 20 anos
…tive ainda mais certezas que a fé e a esperança estão vivas na juventude
Com 17 anos, vivi e senti o Jubileu dos Jovens, em Roma. É um dos eventos do Ano Jubilar da Esperança e a importância deste momento fez-se transparecer. Dizer que foi transformador na minha vida é muito pouco para descrever tudo o que se passou.
A semana começou com uma longa viagem, alguns percalços e incerteza, mas rapidamente percebi que não fazia sentido estar noutro lugar naquele momento. Ver pela primeira vez o Papa Leão, na missa de abertura, vindo de surpresa, sem ninguém esperar, foi provavelmente um dos momentos mais marcantes para mim. Senti a união de todos os peregrinos que tinham chegado até ali, a felicidade ao ouvir as palavras que nos dirigiu, a correria para o ver mais de perto, os abraços emocionados depois de conseguir. Não só aí, mas ao longo de toda a semana, tive ainda mais certezas que a fé e a esperança estão vivas na juventude, que quer estar perto de Deus.
Ter a oportunidade de passar as quatro Portas Santas foi também mágico. Rezar em cada uma das Basílicas, apenas com o grupo ou com centenas de outros peregrinos portugueses, enchendo o espaço com os cânticos; ver o corpo do querido Papa Francisco, que nos chamou a estar presentes em Roma naquela semana.
No fim da experiência, a vigília em Tor Vergata. Éramos um milhão, mas estivemos unidos, em silêncio, como se fôssemos apenas um na sua oração pessoal. Tentarei explicar o sentimento a todos a quem contar, mas não terei sucesso. É, sem dúvida, uma memória que guardarei para a vida.
Acabado o Jubileu, ficou muita saudade, risos, lágrimas, brindes trocados com desconhecidos, mas ficaram principalmente muitas certezas.
Tenho a certeza de que, tal como ouvi nas palavras do Papa na Sagrada Missa, a verdadeira amizade se encontra em Deus. Todos aqueles com quem me cruzei naqueles dias me tornaram alguém melhor: os peregrinos oriundos do outro lado do mundo, com uma cultura e costumes completamente diferentes dos meus, mas que, para além de todas as barreiras linguísticas, me compreendiam pela língua da fé; os portugueses com quem falei, que celebravam poder voltar a sentir o que sentiram nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa; os Focos de Esperança, o grupo que me incluiu como se sempre lá tivesse pertencido, e que me trouxe gente que considero, agora, família.
Tenho a certeza de que reiterei o meu compromisso com Deus, e de que esta experiência me aproximou ainda mais dele. Ao ouvir os cânticos e as orações do Jubileu, relembro-me de todos os momentos únicos que vivi, e sinto-me quase como sentia em Roma.
Tenho a certeza de que não “experienciei” esta semana, ou apenas visitei a cidade eterna, eu vivi e senti o Jubileu da Esperança, eu renovei a minha fé.
Lua Afonso, 17 anos
…experiência única e incomparável!!
Ir ao Jubileu foi uma experiência que nos marcou de uma forma muito especial. Não foi apenas um momento de festa religiosa, foi também de encontro, de fé e de partilha.
Estar ali, no meio de tantas pessoas, cada uma com a sua história, mas todas unidas pelo mesmo propósito, fez-nos perceber a beleza da fé quando é vivida em comunidade. As orações, os cânticos, os gestos simples, tudo ganhou um significado maior.
Foi também um momento de gratidão por estarmos presentes, por podermos viver aquilo, e por sentirmos que, de alguma forma, estávamos mais perto de Deus. Ver o Papa Leão XIV de perto foi realmente muito único.
Saímos com o coração mais leve, com uma sensação que é difícil de explicar em palavras, mas que sabemos que vamos guardar para sempre porque foi uma experiência única e incomparável!! Uma vivência que não se explica, só se sente. Algo diferente, intenso, transformador…
O momento em que estivemos diante do túmulo do Papa Francisco foi especialmente marcante. Sentimos verdadeiramente a presença dele ali, como se estivesse ao nosso lado.
O mais impressionante, no entanto, foi ver a multidão. Todas aquelas pessoas reunidas e unidas por um mesmo motivo, por uma única crença. Culturas diferentes, línguas diferentes, hábitos diferentes, mas o mesmo Deus!!
Participar no Jubileu foi mais do que estar num evento religioso. Foi sentir, de corpo e alma, a força da fé coletiva. Foi perceber que não estamos sozinhos, que há algo maior que nos liga e nos sustenta.
Joana e Amélia Daniel, 17 e 20 anos
Fotos: D.R.
Foto de capa: Grupo de jovens Focos de Esperança/Juventude Blasiana | Igreja de S. Domingo e S. Sisto, Roma





