O tempo costuma ser um conselheiro sábio, que promove muitos momentos felizes. Na vida precisamos de tempo para ouvir, falar, sentir, rezar, perceber, amar, rir, dar, trabalhar, estudar, brincar, divertir e até mesmo perdoar. O tempo regista momentos indescritíveis, memórias que ficam e se refletem pela vida fora. Mas, ter tempo hoje é um caso difícil. Andamos sempre a correr. Ele voa, foge, perde-se, desaparece, e nós continuamente a tentar procurar mais, porque precisamos dele para tudo, para viver. Com jeito, encontramo-lo, ainda que por momentos breves, e é um tesouro. Ele permite amar, descansar, reunir, trabalhar, refletir, visitar, organizar, escutar e decidir. É verdade! Às vezes parece longe, inalcançável, e, afinal, está tão perto de nós, à distância de um querer, de um organizar e também de um priorizar. Ter tempo para nós e para os outros é muito importante para a vida. Interiorizar e registar que é uma receita saudável, é o bastante para se tornar elegível. Uma obrigatoriedade que faz maravilhas e traz conforto à atividade profissional e ao ambiente familiar. Quando mantemos uma boa relação com ele, observamos e apreciamos a vida de forma diferente. Ter tempo e dar um pouco do nosso tempo aos outros, é a maior das riquezas e das prendas de natal.
O Natal é um momento de festa, de alegria e de família, pois comemoramos o nascimento de Jesus, o Salvador do Mundo, que nos propõe a Paz e o Bem, como lema para uma vida com mais tempo e com mais qualidade. É também o tempo dos presentes, das reuniões familiares, do reviver das tradições, dos encontros de amigos, da oração e de um ambiente com uma luz e um cheiro especial.
Todos os anos, nesta época, nos apercebemos da preocupação desmedida com os presentes, pelos mais variados motivos. O comércio local e internacional oferece um sem número de propostas alusivas ao momento. Oferecer e dar são gestos de um altruísmo incontestável. O valor económico pouco importa, regista-se o valor emocional. O tempo que se gastou em pensar no outro, a escolher, procurar e a fazê-lo chegar. Mais importante ainda, é, e foi, o tempo que se dispensa para estar junto do outro, numa simples conversa, num avivar de memórias ou simplesmente estar ali. É a lembrança, é a presença. Que presente formidável! O mesmo acontece com uma pequena mensagem, um telefonema, um postal, uma carta, um sorriso, um olá especial. Precisamos de tempo para isto tudo e precisamos também de tempo para nós. Investir no estar com os mais novos ou com os mais velhos da família, ou com os vizinhos sós, ou com os pobres, de quem poucos se lembram, e com quem nos cruzamos na rua, numa conversa construtiva com os colegas, numa visita a quem há muito precisa de nós e nos gostaria de ver, num abraço sincero, pode fazer deste Natal um momento diferente, de vida e de cor. E para os jovens, que nesta época estão de férias, grande lição de humanismo, de ternura e de vida! Um exemplo perfeito!
O tempo é precioso e os que o sabem aproveitar e organizar conseguem viver verdadeiras histórias de sonho. Para este natal, quinze ou vinte minutos da agenda, para ativarmos este desafio do “dar tempo” aos outros pode ser uma ideia a concretizar?! Estou certa que nos iremos sentir muito melhor.
Basta estar! É o melhor dos presentes! É o verdadeiro Natal.
Vamos, então, oferecer um bocadinho de tempo, numa caixinha feita de generosidade e com um grande laço de alegria.
Boas Festas e um Santo Natal, com tempo!
Goretti Valente
Artigo da edição de dezembro de 2025 do Jornal da Família
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