Obrigado pelo dom da(s) Mãe(s)

No mês em que celebramos o Dia da Mãe, a memória torna-se oração e gratidão. Revisitando um texto escrito há 26 anos, Juan Ambrosio recorda o dom da vida da sua mãe e alarga esse agradecimento a todas as mães.

Por estas dias, ao reler um conjunto de textos escritos para um programa da Rádio Renascença intitulado Coisas da Vida deparei-me com um texto que a seguir transcrevo, por celebrarmos neste mês o Dia da Mãe.

O texto foi escrito há 26 anos e nessa altura a minha mãe ainda era viva. Agora, quando ela já habita de modo diferente o Mistério de Deus, as palavras deveriam ser escritas com algumas modificações, mas porque acredito na vida em Deus sei que ela as escutará e as saberá traduzir.

«Falar sobre o Dia da Mãe é uma tarefa que se me revela muito difícil. E não digo isto pela banal constatação de não ter a experiência de ser mãe, pois tenho a experiência de ser filho, o que me remete imediatamente para a realidade da maternidade. Mas aí é que reside, precisamente, a minha dificuldade.

Como pôr em palavras aquilo que é para mim uma experiência fundante? Como dizer uma relação que me marca no mais profundo da minha identidade? Sinceramente aquilo que me apetecia fazer era calar-me, não num silêncio oco e vazio, mas num silêncio cheio e pleno, dirigido ao Senhor da Vida, numa atitude de oração.

Por isso aproveito esta ocasião para dizer bem alto:

Obrigado, Senhor, pela minha mãe;

Obrigado por tudo o que ela é para mim;

Obrigado porque foi disponível para, através da sua vida me dar a vida a mim e ao meu irmão, porque no seu mais íntimo nos amou e nos gerou, porque foi espaço e tempo fecundo para cada um de nós;

Obrigado pelos seus braços, que durante tanto tempo nos transportaram e acariciaram, que nos foram ajudando a ter consciência da nossa existência e que hoje continuam a transportar e a acariciar os netos, na mesma sublime missão de dar sentido à vida;

Obrigado pelos seus beijos, que foram capazes de nos dizer o valor que cada um de nós tem como pessoa e que nos ajudaram a encarar a vida com confiança, beijos que continuam hoje a ter esse mesmo sabor de amor e de esperança;

Obrigado, Senhor, por tudo o que a nossa mãe foi e continua a ser para cada um de nós.

E Tu que conheces tudo, aceita esta oração, sobretudo naquilo que ela não é capaz de dizer, porque a verdade que quero exprimir é muito maior do que as minhas palavras conseguem traduzir.»

Renovo hoje esta oração, e com ela volto a agradecer a Deus o dom da minha mãe, e o dom de todas as mães.

Juan Ambrosio
juanamb@ucp.pt
Artigo da edição de maio de 2026 do Jornal da Família

Foto: Magnific

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Retalhos de amor que dão vida

No Centro de Cooperação Familiar | Lar Betânia, em Fátima, as marchas dos Santos Populares não são apenas uma festa: são um encontro de memórias e afetos que continuam a dar vida aos dias. Este ano, sob o lema “Vidas com História – Retalhos de Amor”, os utentes desfilaram no espaço exterior da instituição levando consigo meses de dedicação, figurinos feitos em conjunto e, sobretudo, pedaços das suas próprias histórias. São fragmentos de coragem, perdas, fé e superação que emocionaram colaboradores e famílias.

Ler Mais >>

Férias com afetos

As férias passam depressa, mas aquilo que vivemos em família permanece. Neste verão, queremos mais do que destinos e fotografias: queremos pais e filhos juntos, presentes, atentos uns aos outros, a criar memórias que o tempo não apaga. Porque as melhores férias são sempre as que fortalecem o afeto que nos une.

Ler Mais >>

A Santa Sé perante a crise do multilateralismo

Num tempo em que o multilateralismo parece perder fôlego perante a fragmentação global, Murillo Missaci propõe uma leitura do papel da Santa Sé na diplomacia contemporânea. Sem depender de poder económico ou militar, o Vaticano mantém-se como voz de diálogo e de equilíbrio, recordando que a credibilidade das instituições internacionais nasce da fidelidade à pessoa humana e da perseverança na cooperação.

Ler Mais >>

A secularidade consagrada refrescada pela ‘Magnifica Humanitas’ de Leão XIV

A secularidade consagrada ganha hoje um novo fôlego, iluminada pela visão humanista e missionária da ‘Magnifica Humanitas’. Num tempo marcado pela busca de sentido, pela necessidade de diálogo e pela urgência de reconstruir vínculos humanos, os consagrados seculares surgem como testemunhas de uma Igreja que se faz próxima e que assume a missão de humanizar cada espaço onde a vida acontece.

Ler Mais >>

Livros e leituras

A leitura acompanha Juan Ambrosio no trabalho e na vida, mas ganha novo sentido nos momentos partilhados com o neto. Entre livros que alargam o pensamento e histórias que despertam a imaginação, Juan Ambrosio sublinha a importância de criar nas crianças o gosto pelos livros.

Ler Mais >>