Pastoral Familiar – “Tenho a impressão que já se fez mais”, afirma o padre José Alves

Dez anos após a publicação da ‘Amoris Laetitia’, o padre José Augusto Gonçalves Alves teme que a pastoral familiar tenha perdido o impulso que já teve. “Tenho a impressão que já se fez mais”, afirma o sacerdote vicentino e assistente espiritual do núcleo de Viseu do Movimento por um Lar Cristão. O padre José Alves defende uma pastoral “missionária “e “em saída”, em que a formação dos agentes da pastoral deve ir além da formação filosófica e teológica.

Dez anos após a publicação da ´Amoris Laetitia’, o padre José Augusto Gonçalves Alves considera que a pastoral familiar perdeu dinamismo e ousadia. “Tenho a impressão que já se fez mais”, afirma no mais recente episódio do podcast ‘Amoris Laetitia’ – 10 anos depois, que relê o capítulo VI – Algumas perspetivas pastorais.  Sacerdote vicentino e assistente espiritual do núcleo de Viseu do Movimento por um Lar Cristão afirmou que “os movimentos familiares já foram mais criativos” e lamenta que hoje se fique “pelo aspeto burocrático”. Para o sacerdote, a mudança necessária é clara: “A pastoral familiar deve ser fundamentalmente missionária”, uma pastoral “em saída”, capaz de presença e proximidade.

O padre José Alves sublinha que as famílias cristãs devem assumir o papel de protagonistas, defendendo “que nas paróquias se organizem grupos de famílias cristãs em que se possam apoiar todos os jovens casais”. Esta rede de apoio é decisiva para enfrentar dúvidas, crises e fragilidades que marcam os primeiros anos de vida conjugal.

A formação dos agentes pastorais é outro ponto crítico. “Hoje, sobretudo as famílias cristãs, os agentes pastorais, sobretudo os ministros ordenados, têm necessidade de uma formação que vai muito, muito para além da formação filosófica e teológica”, afirma. Defende conhecimentos de sociologia, psicologia e animação de grupos, mas sobretudo “uma grande capacidade de disponibilidade, uma grande capacidade de estar presente, de acompanhar, de escutar”. As famílias procuram, antes de tudo, alguém que as acolha: “Escuta” e “orientação” é o que as pessoas mais procuram, diz, insistindo que é preciso olhar cada situação “não com o olhar frio de um juiz, mas com a empatia de quem partilha o seu sofrimento”.

Sobre a preparação para o matrimónio, o sacerdote critica a tendência para centrar tudo nos preparativos da festa. O essencial, afirma, é preparar “um projeto de vida”, ajudando os noivos a conhecer-se verdadeiramente e a compreender o “casamento como sacramento”, sinal vivo do amor de Deus. Defende também que o acompanhamento não termine no dia da celebração: casais experientes devem acompanhar os mais jovens, ajudando-os a evitar ruturas quando elas estão iminentes e promovendo encontros onde se fale mais do “realismo da vida” e menos do “idealismo”.

O padre José Alves destaca ainda duas situações particularmente delicadas: a rutura conjugal e a morte de um familiar. Sobre separações e divórcios, reconhece uma mudança na atitude da Igreja: “Eu creio que estamos perante uma postura menos julgadora e mais misericordiosa”. Já perante o luto, sublinha que a Igreja deve oferecer “esperança” e presença contínua: o pastor “não deve estar presente só no dia do funeral”, mas acompanhar a família ao longo do luto.

Dez anos depois, o sacerdote considera que a ‘Amoris Laetitia’ “nunca foi objeto de uma atenção muito especial, como algo a ser trabalhado”. Ainda assim, acredita que o documento permanece atual e decisivo: pode ajudar “a desenvolver uma pastoral familiar de maior acompanhamento e por isso mesmo também de maior estabilidade das famílias cristãs”.

O podcast ’Amoris Laetitia’: 10 anos depois – Episódio 7 já está disponível e pode ouvi-lo na integra aqui, bem como os restantes episódios já publicados.

Cada novo episódio estreia a 19 de cada mês, até ao final do ano, fazendo memória do dia da publicação da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’ – 19 de março de 2016.

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