“O amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas”

Ana Bem e Hélder da Silva celebram este ano 25 anos de casamento e 34 de namoro. São eles que nos ajudam a refletir sobre o Capítulo V da ´Amoris Laetitia’ – O Amor que se torna fecundo. Por entre a vida familiar, a vida profissional e o serviço à Igreja e à comunidade, afirmam que “o amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas” e “nunca fica mais pequeno quando é partilhado”.

Em mais um episódio do podcast ‘Amoris Laetitia’ – 10 anos depois, olhamos para o Capítulo V – O Amor que se torna fecundo – e fazemo-lo através do olhar de Ana Bem e Hélder da Silva. Casados há 25 anos e namorados há 34, dividem a vida entre a família, a profissão e o serviço à Igreja e à sociedade. Uma história longa que tem feito caminho com uma certeza: “o amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas”. Primeiro o namoro, depois o casamento, depois os filhos, depois a comunidade: “o amor nunca fica mais pequeno quando é partilhado”, dizem.

Ao lerem a ‘Amoris Laetitia’, sentiram que o Papa Francisco lhes falava diretamente. “Ele não fala de uma família perfeita. Fala da família real: a que trabalha, educa filhos, anda cansada, discute, pede desculpa, recomeça… e continua a amar.” Nesse retrato reconheceram-se: “Sentimos que o Papa não aponta o dedo às famílias. Aproxima-se delas, escuta-as. E lembra-nos que Deus não espera que sejamos perfeitos para caminhar connosco.”

A paternidade e a maternidade foram uma revelação. “O Francisco e o Afonso são o fruto mais bonito do nosso amor”, diz Hélder. “Mudaram por completo a nossa vida… e às vezes também as nossas noites”, afirma com humor. Ana acrescenta: “Eles não são nossos. São um dom que Deus nos confiou. Cabe-nos amá-los, educá-los, transmitir-lhes valores… e depois respeitar quem eles são e o caminho que Deus sonhou para cada um.” E reconhecem que também aprenderam com eles: “A família é isto: um lugar onde todos ajudam a crescer.”

Com o tempo, descobriram que o amor fecundo não se esgota na família. “O nosso casamento não era só para cuidar de nós e dos nossos filhos”, diz Ana. “Deus também nos ia confiando outras pessoas para amar, acompanhar e servir.” Hélder recorda a frase de Baden-Powell que os acompanha nos escuteiros: “Procurem deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram.” E traduzem assim o amor fecundo: “Um amor que começa em casa, mas não fica fechado em casa. Vai chegando aos outros de forma simples e quase sem dar por isso”.

Na pastoral familiar, sentem que a exortação trouxe um novo olhar. “O Papa Francisco trouxe um olhar de proximidade e de humanidade”, diz Ana. Hélder acrescenta: “Nenhuma família acorda todos os dias feliz e sem problemas… há dias em que é melhor cada um beber um café primeiro.” Para Ana, a ‘Amoris Laetitia’ lembra uma verdade decisiva: “Deus não desiste de ninguém. Não desiste das famílias porque elas são imperfeitas, porque falham. É aí que Ele continua a caminhar connosco.”

Com 25 anos de casamento, continuam a aprender. “Às vezes parece que voltámos ao primeiro ano”, diz Hélder, “só que agora com mais cabelos brancos e dois filhos adolescentes.” O conselho que deixam é simples: “Nunca deixem de cuidar da relação. São quase sempre as pequenas coisas que fazem a diferença.” Ana recorda o presente mais marcante: “Um molho de grelos embrulhado como um ramo de flores… senti-me profundamente amada.” E resume: “O casamento faz-se destas pequenas atenções: um abraço num dia difícil, um café sem pressa, um pedido de desculpa, uma gargalhada depois de uma discussão.”

A sua história é feita de simplicidade: um luto que os aproximou de Deus, gestos leves, discussões que acabam em reconciliação, dois filhos que os transformaram e “um Deus que nunca desistiu de bater à nossa porta, mesmo quando demorávamos a abrir.”

Talvez por isso, quando tentam resumir o capítulo V numa única ideia, Hélder não hesita: “O amor nunca foi feito para ficar fechado entre duas pessoas.” E acrescenta: “É o amor que se deixa transformar, que faz bem a quem está à sua volta, que insiste e por isso persiste.”

E concluem com serenidade: “Daqui a mais 25 anos esperamos responder da mesma maneira: continuamos a aprender a amar, um dia de cada vez.”

O podcast ‘Amoris Laetitia’: 10 anos depois – Episódio 6 já está disponível e pode ouvi-lo na integra aqui.

Cada novo episódio estreia a 19 de cada mês, até ao final do ano, fazendo memória do dia da publicação da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’ – 19 de março de 2016.

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Ano Novo (letivo)… Vida Nova

O regresso às aulas traz consigo novos desafios para alunos, pais e professores. Este ano, uma das principais novidades é a proibição do uso de telemóveis até ao 3.º ciclo, uma medida que procura promover melhores aprendizagens e relações interpessoais. O sucesso da sua implementação dependerá, em grande parte, da colaboração entre a escola e a família.

Ler Mais >>

Uma vida a “tecer” gestos de cuidado

A Cooperadora da Família Custódia Lopes tem 98 anos de vida, 52 dos quais ao serviço do CCF – O Botãozinho, em Carcavelos. Depois de décadas a “tecer” gestos de cuidado, Custódia iniciou uma nova etapa no CCF – Lar Betânia, em Fátima, para o merecido descanso. Antes da partida, recebeu uma sentida homenagem das colaboradoras d’O Botãozinho, num gesto de gratidão por uma vida marcada pela dedicação às famílias.

Ler Mais >>

Institutos Seculares: Celebrar 80 anos entre os desafios e a esperança

A preparação da celebração dos 80 anos da constituição apostólica ‘Provida Mater Ecclesia’ já está em marcha. Reunidos a 19 de setembro, em Coimbra, os Institutos Seculares portugueses lançaram o caminho rumo ao encontro nacional de 30 de janeiro de 2027, em Fátima, numa iniciativa que pretende reforçar a identidade e a visibilidade desta vocação na Igreja.

Ler Mais >>

Pastoral Familiar – “Tenho a impressão que já se fez mais”, afirma o padre José Alves

Dez anos após a publicação da ‘Amoris Laetitia’, o padre José Augusto Gonçalves Alves teme que a pastoral familiar tenha perdido o impulso que já teve. “Tenho a impressão que já se fez mais”, afirma o sacerdote vicentino e assistente espiritual do núcleo de Viseu do Movimento por um Lar Cristão. O padre José Alves defende uma pastoral “missionária “e “em saída”, em que a formação dos agentes da pastoral deve ir além da formação filosófica e teológica.

Ler Mais >>

Retalhos de amor que dão vida

No Centro de Cooperação Familiar | Lar Betânia, em Fátima, as marchas dos Santos Populares não são apenas uma festa: são um encontro de memórias e afetos que continuam a dar vida aos dias. Este ano, sob o lema “Vidas com História – Retalhos de Amor”, os utentes desfilaram no espaço exterior da instituição levando consigo meses de dedicação, figurinos feitos em conjunto e, sobretudo, pedaços das suas próprias histórias. São fragmentos de coragem, perdas, fé e superação que emocionaram colaboradores e famílias.

Ler Mais >>