“Nós não queremos apenas ensinar as nossas filhas a portar-se bem. Queremos ajudá-las a tornarem-se boas pessoas.” É desta convicção que parte a reflexão de Andreia Pereira e Paulo Saraiva, os mais recentes convidados do podcast ‘Amoris Laetitia’ – 10 anos depois, dedicado à releitura do capítulo VII da exortação do Papa Francisco, centrado na educação dos filhos.
Pais da Maria, de 13 anos, e da Alice, de 7, o casal, a viver em Viseu, partilhou a sua experiência de educação familiar enraizada na fé, sublinhando que educar é muito mais do que garantir sucesso ou bem-estar. Para Paulo Saraiva, significa “acompanhá-los, ensinar-lhes a escolher o melhor para a vida deles” e prepará-los para os desafios que irão encontrar ao longo do seu crescimento. Já Andreia Pereira resume a missão parental como a tarefa de ajudar os filhos “a crescerem em liberdade, responsabilidade, através de uma relação construída no amor”.
Um dos desafios que mais inquieta o casal é o impacto das tecnologias e dos ecrãs na vida familiar. Andreia admite que a situação é motivo de preocupação, uma vez que “podemos estar juntos fisicamente e, ao mesmo tempo, cada um no seu mundo”. Perante esta realidade, procuram estabelecer limites e acompanhar de perto a utilização das ferramentas digitais. “Tentamos estabelecer limites, acompanhando as nossas filhas, a conversar com elas e ajudando a utilizá-las sempre de uma forma responsável”, explica.
Também os ‘nãos’ fazem parte da educação. Em sintonia com o pensamento de Francisco, que recorda a importância das regras e do dizer ‘não’, Andreia considera que “os limites são uma forma de amor, quando são acompanhados pelo diálogo e o respeito”. Paulo acrescenta que dizer ‘não’, “não significa que a gente ama menos”, mas sim que procura criar condições para um crescimento mais saudável.
A conversa abordou ainda a importância da paciência e do respeito pelos ritmos de crescimento de cada criança. “Educar exige tempo”, afirma Andreia. “Muitas vezes temos que repetir, explicar, corrigir e voltar a explicar. Mas, às vezes, não temos o resultado imediato.” A mesma paciência é necessária quando surgem erros ou fracassos. “Errar faz parte desse processo”, sustenta, defendendo que as crianças precisam de aprender a lidar com as dificuldades. “Errar, cair e levantar”, refere.
Ao refletirem sobre as personalidades distintas das filhas, o casal reconhece que não existe uma fórmula única para educar. “Não podemos controlar todo o caminho das nossas filhas e esperar que sejam exatamente aquilo que nós imaginamos”, afirma Andreia. Paulo acrescenta que cabe aos pais conhecer cada filho e ajudá-lo a descobrir o seu próprio caminho.
A fé ocupa um lugar central neste percurso familiar. Ambos foram educados em ambiente cristão e procuram hoje transmitir essa herança através da oração, da participação na missa e do envolvimento na vida da Igreja. Atualmente, são catequistas, integram o Movimento por um Lar Cristão e dinamizam o Clube da Esperança (um movimento juvenil ligado aos Focos de Esperança). Para Andreia, contudo, a transmissão da fé acontece sobretudo através do exemplo: “A catequese ajuda muito, mas se não houver o exemplo dos pais, não vamos conseguir encontrar um caminho.” Uma ideia reforçada por Paulo, que considera essencial dar testemunho “através da nossa própria vida, em conjunto, como casal”.
No final da conversa, os dois deixam a marca daquela que é a sua principal intenção enquanto pais. Querem ver as filhas crescer como pessoas livres, responsáveis e resilientes, mas, acima de tudo, capazes de amar e de escolher o bem. Uma missão que Andreia resume numa pergunta que considera essencial para todos os pais: “Se as nossas filhas aprendem sobretudo aquilo que veem em nós, o que estamos hoje a ensinar-lhes?”.
O podcast “’Amoris Laetitia’: 10 anos depois” – Episódio 8 já está disponível e pode ouvi-lo na plataforma Spotify, bem como todos os restantes episódios.
Cada novo episódio estreia a 19 de cada mês, até ao final do ano, fazendo memória do dia da publicação da exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’ – 19 de março de 2016.





