Dia dos Irmãos

“Se não formos fraternos, não somos humanos”, escreve a Comissão Episcopal do Laicado e Família na mensagem para o Dia dos Irmãos que se celebra a 31 de maio.

Se não formos fraternos, não somos humanos

O dia 31 de Maio é o Dia dos Irmãos. É uma iniciativa da Confederação Europeia das Famílias Numerosas que aproveitamos para salientar e valorizar o bem da família e da fraternidade humana.

A encerrar o mês da Família, ao falarmos dos irmãos estamos a lembrar os irmãos e as irmãs de sangue, aqueles que nasceram na mesma família e com os quais, naturalmente, estabelecemos um relacionamento fraternal espontâneo. Com os irmãos e as irmãs na mesma família crescemos e aprendemos a viver. Muitos ou poucos, o relacionamento com os irmãos é diferente do relacionamento com os pais, é o relacionamento com alguém que tem um estatuto semelhante e que goza dos mesmos afetos e apoio familiar.

Os anos em que vivemos como irmãos, em família e na mesma casa, deixam-nos memórias que permanecem para toda a vida. Daí a importância de uma família com bom ambiente humano, onde uma criança possa crescer com boas referências de apoio que a memória irá avivar ao pensar no caminho da vida em família em que o relacionamento entre irmãos foi experiência para aprender a viver em sociedade. A boa educação e apoio continuado na infância, adolescência e juventude é decisivo para a edificação de uma personalidade harmoniosa e rica de valores humanos.

É oportuno salientar a importância do crescimento no espaço e tempo da Escola. Um ambiente seguro com um companheirismo saudável entre colegas de turma, respeitabilidade pelos professores e outros funcionários, é decisivo para edificar pessoas felizes e uma sociedade mais fraterna. É necessário reconhecer que aquilo que distingue o valor dos irmãos não é o sangue, mas o espírito e o amor fraternal existente. Neste sentido, encontramos situações de fraternidade entre pessoas que se estimam como irmãos apesar de não terem a mesma origem familiar.

Para o Dia dos Irmãos queremos valorizar todos os que se assumem como verdadeiros irmãos e irmãs, que guardam uma estima especial. Embora não estejam sempre juntos, interessam-se e preocupam-se pelo seu bem-estar. Para quem nasceu numa família numerosa, por força das circunstâncias, desenvolvem-se cuidados de ajuda mútua muito cedo, mas também existem filhos únicos que são generosos e consagraram a sua vida a cuidar de outras pessoas.

A dimensão fraternal da vida humana é profética. Isto é, a sociedade mundial é chamada a ser uma família de irmãos e irmãs que se interessam uns pelos outros. As guerras e conflitos existentes em vários países denunciam que há muito caminho a percorrer para chegar à fraternidade mundial reconhecida por todos.

Também nos preocupa a sociedade portuguesa. As manifestações de ódio e o aumento de registos de violência e agressividade em Portugal, entre as pessoas da mesma família, contradizem o sonhado ambiente de fraternidade e de edificação da paz. Não desistamos, em família e em todas os espaços onde estivermos, pautemos a nossa existência em atitude de fraternidade.

Um homem ou mulher que segue na rua à nossa frente e cai no chão, inesperadamente, gera-nos um apelo espontâneo para ajudar a levantar e a estabelecer um diálogo. A dimensão fraterna está inscrita na nossa natureza humana. Se não formos fraternos, não somos humanos. Jesus reforça o apelo à nossa fraternidade, identificando-se com todo aquele que se apresenta necessitado de algum apoio: “o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (Mt 25, 40).

Não desistamos da nossa vocação humana à fraternidade com verdade.

“Francisco (de Assis) recebeu no seu íntimo a verdadeira paz, libertou-se de todo o desejo de domínio sobre os outros, fez-se um dos últimos e procurou viver em harmonia com todos”. (FT 4). Foi este pobre, mas grande Santo do amor fraterno, Francisco de Assis, que inspirou o Papa Francisco a escrever a Encíclica Fratelli Tutti (todos irmãos) onde nos desafia: “Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todos irmãos” (FT 8).

Acolhamos este desafio com o mesmo desejo confiante de São Francisco: “Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz”.

Comissão Episcopal do Laicado e Família

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