Uma mensagem para quem envelhece na solidão

O Papa vai dedicar a mensagem do VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, a celebrar a 26 de julho, às pessoas idosas que vivem na solidão ou se sentem esquecidas, sublinhando que o amor de Deus nunca abandona, mesmo na fragilidade da velhice.

2

O Papa vai dedicar a sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado a 26 de julho, a todos aqueles que “vivem na solidão ou se sentem esquecidos”. O anúncio do tema da mensagem do Papa para este dia foi feito pelo Vaticano no passado dia 10 de fevereiro, sublinhando a preocupação da Igreja com uma realidade cada vez mais presente nas sociedades contemporâneas.

O tema escolhido por Leão XIV é inspirado numa passagem do livro do profeta Isaías – “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15) – e pretende recordar que a fragilidade da velhice não diminui o valor nem a dignidade de cada pessoa. Segundo o comunicado divulgado pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, esta escolha “pretende sublinhar que o amor de Deus por cada pessoa nunca falha, mesmo na fragilidade da velhice”.

A nota oficial destaca que a mensagem se dirige, de forma particular, aos idosos que enfrentam o isolamento e o esquecimento, oferecendo-lhes palavras de consolo e esperança. Ao mesmo tempo, lança um desafio claro às famílias e às comunidades cristãs. O versículo bíblico escolhido é apresentado como “um apelo às famílias e às comunidades eclesiais para que não os esqueçam, reconhecendo neles uma presença preciosa e uma bênção”.

Instituído pelo Papa Francisco em 2021, o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é celebrado anualmente no quarto domingo de julho e tem como objetivo aproximar a Igreja das pessoas mais velhas, valorizando o seu contributo na vida familiar, social e comunitária. Este ano, a data coincide com a festa litúrgica dos Santos Joaquim e Ana, avós de Jesus, celebrada a 26 de julho, o que reforça simbolicamente o sentido da iniciativa.

Para assinalar a data, o Papa convida cada diocese a celebrar o Dia Mundial com uma “liturgia eucarística na igreja catedral de cada diocese”, envolvendo as comunidades locais. O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida exorta ainda dioceses, associações e movimentos eclesiais de todo o mundo a encontrarem formas concretas de valorizar este dia nos seus próprios contextos, anunciando que serão disponibilizados, oportunamente, instrumentos pastorais específicos.

Num tempo marcado pelo envelhecimento da população e pelo risco crescente de isolamento social, a mensagem do Papa surge como um convite a uma maior atenção, proximidade e reconhecimento daqueles que, muitas vezes em silêncio, continuam a ser memória viva, sabedoria e bênção no seio das famílias e comunidades.

IM
Artigo da edição de março de 2026 do Jornal da Família

Ilustração: Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Partilhar:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Relacionado

Outras Notícias

Pessoas que vivem com demência

Estantes que abanam, memórias que caem, emoções que permanecem. Foi esta simples metáfora que marcou Juan Ambrosio num encontro dedicado ao tema da demência. Viver com demência é perder memórias, sim, mas é, acima de tudo, continuar a ser pessoa. E, nesse território frágil, o carinho, a presença e a ternura deixam marcas que a doença não apaga.

Ler Mais >>

O elogio milagroso

“Um elogio justo e honesto” pode ser milagroso. A convicção é da professora Goretti Valente, que em época de exames convida a redescobrir o poder de dizer “Tu podes! Tu consegues!”, para levantar ânimos, fortalecer relações e transformar ambientes.

Ler Mais >>

Família é “terreno fértil” para uma cultura do cuidado

O Vaticano publicou o documento ‘A ecologia integral na vida da família’, reafirmando que “os valores que crescem na família são o terreno fértil de onde brota a vida da sociedade”. A nova publicação, fruto do trabalho conjunto de dois dicastérios, quer ajudar as famílias a “viver melhor o cuidado da Criação e de cada pessoa”.

Ler Mais >>

Inteligência artificial e educação – Que pensar? Que fazer?

A inteligência artificial (IA) entrou na escola com as suas potencialidades, mas também com riscos que não podemos ignorar. Entre o artificial e o natural, torna se essencial refletir sobre o lugar desta tecnologia na educação. E, sobretudo, recordar que nenhuma inovação pode substituir a relação humana que sustenta o ato de ensinar e aprender. A reflexão é do professor Carlos Campos.

Ler Mais >>