Basílica de Santa Cruz de Jerusalém

Neste mês de março, de caminhada rumo à Páscoa, viajamos com Cristiano Cirillo até à Basílica de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, para entrar na Vida de Cristo, através das relíquias da Paixão.

Entramos na Quaresma, o momento mais emblemático da liturgia cristã. Um tempo para pensar, esperar e, assim como na vida de Jesus, também a nós nos são oferecidos quarenta dias para refletir sobre a nossa existência. Para nos perguntarmos: qual é o desígnio de Deus para nós? Qualquer que seja o destino que nos está reservado, se é Deus que o dá, só pode ser bom e salvador. Neste tempo quaresmal, não podia deixar de visitar uma das Basílicas de Roma, que conserva algo particular que melhor nos pode contar sobre este tempo de aproximação da Páscoa. Na Basílica de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, encontrei as relíquias mais importantes da Paixão de Cristo.

A história desta Basílica remonta aos séculos III-IV d.C. Na zona do Esquilino, um bairro romano, naquela época periférica e residencial, erguia-se um complexo imperial que incluía um palácio chamado Sessorium. Por vontade do imperador Constantino e da sua mãe Helena, a primeira igreja foi construída no palácio imperial, numa sala do Palácio Sessoriano, por volta de 320 d.C.

Santa Cruz era originalmente chamada Basílica Heleniana ou Sessoriana. Desde o século IV, guardava as relíquias da Paixão de Cristo, encontradas em circunstâncias milagrosas em Jerusalém, no Monte Calvário, o local da crucificação.

 

Ao entrar no átrio da basílica, fiquei fascinado pela sua forma oval elíptica, construção original da arquitetura barroca. No interior, podemos admirar o pavimento cosmatesco, em perfeito estado de conservação e as colunas de mármore escuro da época romana.

No altar, dentro da urna de basalto, estão conservadas as relíquias dos santos São Cesário e Santo Anastásio. O altar é dominado pelo cibório, obra de Gregorini e Passalacqua.

A abside é decorada por um esplêndido afresco atribuído a Antoniazzo Romano, com Cristo abençoando, rodeado por serafins, que domina um ciclo de Histórias da Cruz, ambientadas em Jerusalém, com os episódios da descoberta da Cruz de Jesus e da cruz do Bom Ladrão. Os frescos apresentam umas cores vivas e perfeitas.

No lado esquerdo do altar està a Capela das Relíquias, que guarda as Relíquias da Paixão de Jesus. A relíquia mais famosa, que dá nome à igreja, é constituída pelos fragmentos da Cruz de Cristo, encontrados, segundo a tradição, por Santa Helena no Calvário, em Jerusalém.

Juntamente com os fragmentos da Cruz, são conservados: o Titulus Crucis, ou seja, a inscrição que, segundo os Evangelhos, estava colocada na cruz I.N.R.I. Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum; um prego, também encontrado por Santa Helena; duas espinhas, pertencentes, segundo a tradição, à coroa colocada na cabeça de Jesus; o dedo de São Tomás, o apóstolo que duvidava da ressurreição de Cristo; uma parte da cruz do Bom Ladrão. Relíquias importantes para nos lembrar dos sofrimentos que Cristo suportou para salvar a humanidade. Visitar esta Basílica é como voltar ao tempo de Jesus, entrar na Sua vida, aproximar-se da Páscoa e compreender que nada foi feito em vão.

Que este tempo de reflexão nos leve a redescobrir os valores, o dom da vida e nos guie para uma nova conversão. Caros leitores, acompanhem-me na próxima edição, porque para a Páscoa, iremos a…

Texto e fotos: Cristiano Cirillo
circri22@gmail.com
Artigo da edição de março de 2026 do Jornal da Família

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