Pe. Joaquim Alves Brás homenageado em Donas

Em ano de Centenário de Ordenação Sacerdotal, a Família Blasiana peregrinou a Donas, a primeira e única paróquia do Pe. Joaquim Alves Brás. D. Manuel Felício, bispo da Guarda, que presidiu à Eucaristia de ação de graças, convidou a sociedade atual a “despertar para os valores defendidos pelo Pe. Brás” e Mons. Fernando Silva de Matos, Postulador da Causa de Canonização, lembrou que “é importante que as pessoas tenham esta convicção de que Mons. Alves Brás é um intercessor forte no Céu”

Foi “uma homenagem justíssima” na paróquia onde o Pe. Joaquim Alves Brás exerceu o sacerdócio durante cinco anos (de 1925 a 1930). As palavras são de Mons. Fernando Silva de Matos, Postulador da Causa de Canonização de Mons. Alves Brás, no dia 14 de setembro, dia em que a pequena igreja paroquial de Donas acolheu a Peregrinação da Família Blasiana. A data não foi escolhida ao acaso. Foi neste mesmo dia, de 1925, que o Pe. Brás tomou posse desta paróquia. 

A caminho da celebração dos 100 anos de Ordenação Sacerdotal, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF), entidade organizadora do Centenário, quis que as celebrações passassem por aquela que foi a única paróquia do Pe. Brás. O Pe. Luís Nobre, atual pároco de Donas, e a comunidade local acolheram de braços abertos a proposta do ISCF e D. Manuel Felício, bispo da diocese da Guarda, e verdadeiro conhecedor da Vida e Obra do Pe. Brás, juntou-se à homenagem e presidiu à Eucaristia de acão de graças.

“Penso que este homem é uma referência para a Igreja, mas é uma referência para a própria sociedade”, afirmou D. Manuel Felício ao Jornal da Família, pouco antes do início da Eucaristia. “A sociedade está a despertar para olhar este exemplo”, referiu ao recordar a homenagem que a Covilhã, sede do concelho da terra natal do Pe. Brás (Casegas), já havia prestado.  “Hoje estamos aqui nas Donas, a sua paróquia durante cinco anos, para dar visibilidade a este homem”, referiu.  Foi nesta paróquia que o Pe. Brás “começou a germinar o carisma”, acrescentou o bispo da Guarda, que convidou a sociedade atual a “despertar para os valores defendidos pelo Pe. Brás”.

Para Mons. Matos, que acompanha em Roma o processo de canonização do Pe. Brás,  o testemunho deste homem é “extraordinário” e estas iniciativas “ajudam a divulgar o seu nome, a sua obra, a sua ação, os seus carismas e o espírito de homem de Deus e de homem empreendedor na salvação das pessoas, sobretudo das mais carenciadas”.

No final da Eucaristia, foi descerrada uma lápide alusiva à passagem do Pe. Joaquim Alves Brás por esta paróquia. Foi estrategicamente colocada ao lado do púlpito, de onde tantas vezes o Pe. Brás se dirigiu aos seus paroquianos. Nela está gravada uma frase retirada da sua primeira homilia nesta paróquia: “…ordenei-me e vim para aqui para me ocupar daquelas coisas que são do meu Pai do Céu; para zelar os interesses da minha mãe, a Santa Igreja; para gastar todo o meu tempo e imolar até a minha vida no laborioso e árduo trabalho da santificação das vossas almas”.

Para Conceição Vieira, Coordenadora-geral do ISCF, este momento tem um duplo objetivo para a Família Blasiana: por um lado, é um “regresso às fontes”, por outro, “é uma forma de partilhar esta homenagem com a comunidade local e deixar esta lápide para dar a conhecer o Pe. Brás a todos os que entrarem nesta igreja”.  A lápide tem incorporado um QR Code que remete para o sítio na internet do Fundador da Família Blasiana (www.padrealvesbras.com).

Para o Pe. Luís Nobre, o objetivo é que este momento não seja apenas de homenagem, mas que “acabe por ajudar a perpetuar também a memória do Pe. Brás no tempo”. Um homem “que aqui semeou muitos valores que, passados quase 100 anos, continuam a dar frutos”, referiu o atual pároco de Donas.

  

A igreja de Donas foi pequena para acolher todos os que se quiseram associar a este momento. Foram inúmeras as pessoas que participaram na Eucaristia, antecedida pela oração do Terço, através de dois ecrãs colocados nas laterais do templo, paredes meias com a Casa das Memórias, o museu dedicado a António Guterres, em frente à casa dos avós onde o atual Secretário-geral das Nações Unidas passou a infância.

Antes de Donas, o Pe. Alves Brás foi recordado no espaço Octógono, do Fundão, ao som das notas musicais e das vozes do Coro do Orfeão da Covilhã. Um momento que contou com a presença da vereadora da Educação e Ação Social, da Câmara Municipal do Fundão, Maria Alcina Cerdeira.  

A sessão contou com curtos testemunhos de quem se cruzou com as Obras do Pe. Alves e de quem acabou por seguir o seu carisma. Foi também o momento para uma apresentação dos principais traços da Vida e Obra do Pe. Joaquim Alves Brás pelo Pe. José Dionísio, pároco das paróquias de S. José e de Sta. Maria, na cidade da Covilhã, e da Vila do Carvalho,  e uma outra apresentação sobre o poder da oração de intercessão, por Mons. Fernando Silva de Matos. 

Para o Postulador da Causa de Canonização do Ven. Pe. Joaquim Alves Brás “é importante que as pessoas tenham esta convicção de que Mons. Alves Brás é um intercessor forte no Céu, porque é amigo de Deus e Deus não ignora as preces dos seus amigos”. Quanto ao esperado milagre necessário para a elevação aos altares “isso será quando Deus quiser”, afirmou Mons. Matos ao Jornal da Família.

Nota: Em 1992 deu entrada, no Vaticano, o Processo de Beatificação e Canonização do Pe. Joaquim Alves Brás e em 2008 foi declarado Venerável pelo Papa Bento XVI.

IM
Artigo da Edição de outubro de 2024 do Jornal da Família

Fotos: ISCF

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