Família: compromisso e lugar de esperança para transformar o mundo

Cerca de 20 casais reuniram-se em Fátima, nos dias 21 e 22 de março, para um retiro promovido pelo Movimento por um Lar Cristão (MLC), centrado na reflexão e vivência da família. Orientado pelo teólogo Juan Ambrosio, o encontro, sob o tema “Olhar, pensar e celebrar a família”, desafiou os participantes a aprofundar o papel do matrimónio cristão como fonte de esperança, sublinhando também a urgência de uma Igreja que acompanhe todas as famílias a partir da realidade concreta em que se encontram.

Nos dias 21 e 22 de março, Fátima acolheu cerca de duas dezenas de casais que responderam ao convite do Movimento por um Lar Cristão (MLC) para um fim de semana de reflexão, partilha e oração. Subordinado ao tema “Olhar, pensar e celebrar a família”, o retiro foi orientado pelo teólogo Juan Ambrosio e procurou ajudar os participantes a redescobrir a riqueza da vida familiar à luz da fé cristã.

Partindo da realidade concreta das famílias de hoje, o encontro começou por um exercício de escuta e análise. “Num primeiro momento, olhámos a realidade a partir de estudos e inquéritos”, explicou Juan Ambrosio ao Jornal da Família, sublinhando a importância de compreender os desafios atuais antes de propor caminhos. A partir dessa leitura, o retiro procurou “pensar de que modo a família cristã pode abrir novas possibilidades para a construção de um mundo diferente”.

Mais do que um espaço de formação teórica, o retiro assumiu-se como um verdadeiro laboratório de vida. “Um retiro não é uma aula”, destacou o orientador, sublinhando a dinâmica participativa vivida ao longo do fim de semana. “As pessoas estiveram aqui não simplesmente numa atitude de assistir, mas de ser verdadeiramente protagonistas do processo.”

Essa participação ativa foi sentida pelos casais presentes, que encontraram no retiro uma oportunidade concreta de crescimento. Nívea Ramos e Luís Guerra procuraram algo que ajudasse “ao fortalecimento familiar”, convictos de que “a família é a base de tudo”. Para este casal, à espera do terceiro filho, a experiência foi particularmente marcante: “A família é como uma planta, deve ser regada todos os dias.”

Também Maria Clara e Diogo Jardim, com vivências em outros movimentos de famílias, como Famílias comVida e Equipas de Nossa Senhora, reconheceram o valor do encontro enquanto espaço de descoberta e comunhão. “Viemos muito interessados em aprender e admiramos muito o Juan Ambrosio”, afirmaram, destacando a oportunidade de conhecer outros movimentos e aprofundar a vivência da fé em família.

A reflexão sobre os desafios contemporâneos da vida familiar foi outro dos pontos fortes do retiro. Marta e Filipe Rebelo sublinharam a importância de “refletir sobre os desafios da família na atualidade” e valorizaram o equilíbrio entre momentos de casal e a experiência proporcionada aos filhos. “Foi uma experiência diferente para nós e para as crianças”, referiram.

Com efeito, uma das marcas distintivas deste retiro foi precisamente a inclusão de toda a família. Teresa e Gonçalo Barreto destacaram essa dimensão: “É um retiro que inclui a família toda. É para as crianças e é para nós.” Para este casal, o fim de semana traduziu-se numa renovada esperança: “Levamos daqui inspiração para o dia a dia difícil da vida.”

No ano em que se celebram 10 anos da Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia’, Juan Ambrosio recordou ainda a centralidade do acompanhamento nas diversas fases da família, desde os primeiros anos do casal até à viuvez, sem esquecer situações mais frágeis. “Devemos caminhar com as pessoas a partir do sítio onde elas estão”, afirmou, defendendo uma Igreja capaz de acolher e acompanhar todos com prudência e proximidade, mesmo aqueles que vivem situações mais frágeis ou consideradas “irregulares”.

Reconhecendo que ainda existe alguma distância, o teólogo admitiu que “muitas dessas famílias não têm essa experiência de ser acolhidas” e que, por isso, hesitam em procurar este tipo de movimentos. Ainda assim, defendeu com clareza que o caminho não pode ser de exclusão: “há aqui uma proposta que quer ser uma proposta para chegar a toda a gente”.

Para o professor da Universidade Católica Portuguesa, o essencial é partir da realidade concreta de cada pessoa: “devemos caminhar com essas pessoas a partir do sítio onde elas estão”, o que implica também repensar linguagens e formas de propor o matrimónio cristão. “Não podemos deixar de caminhar no acompanhamento destas famílias também”, reforçou.

O retiro terminou de forma simbólica e festiva. No final, os filhos juntaram-se aos pais para apresentar o resultado das suas atividades: uma grande árvore em cartolina, representando a família com raízes, tronco e ramos. Houve ainda lugar a um animado teatro de mímica com passagens bíblicas, envolvendo adultos e crianças.

A celebração eucarística final marcou o envio dos participantes, com um gesto simples, mas cheio de significado: as crianças distribuíram um “kit de sobrevivência familiar”, composto por uma mola para “agarrar” a família, um chocolate para “adoçar” os momentos difíceis e uma borracha para “apagar” os dias menos bons.

Num tempo de desafios e mudanças, o retiro do MLC deixou uma certeza partilhada: a família, vivida com fé e compromisso, continua a ser um lugar de esperança e transformação para o mundo.

Texto e fotos: IM
Artigo da edição de abril de 2026 do Jornal da Família

 

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