(III) Padre Joaquim Alves Brás – Cem anos de Sacerdócio em prol da Família

Um olhar sobre o jovem seminarista Joaquim Alves Brás e um regresso à sua primeira homilia para destacar o pedido que fez aos jovens.

Que ninguém te despreze por seres jovem. Sê, porém, um modelo para os fiéis
(S. Paulo – 1Tim 4, 12)

Joaquim Alves Brás, nascido em 1899, não obstante ter já dezoito anos feitos quando entrou para o Seminário, tinha apenas 26 anos quando foi ordenado sacerdote – em 19 de julho de 1925. Foi, pois, com esta idade que, logo nesse ano, foi nomeado e deu entrada, como pároco, na aldeia das Donas. Era, portanto, um jovem, entre os muitos jovens que foi encontrar nessa paróquia. Por isso, ao dirigir-se, pela primeira vez, aos seus paroquianos, embora não refira propriamente a sua idade juvenil, não deixa de realçar a sua inexperiência, dizendo:  sou um Padre que apenas há dois dias deixei os bancos do Seminário… No entanto, há que dizer, que não foi por acaso, que a sua ordenação fora antecipada de um ano, e rápida a sua nomeação como pároco. A avaliar pelo que rezam as crónicas, tal foi devido à sua elevada maturidade, e aos seus progressos no estudo e na vida espiritual. Com efeito, a vontade decidida do jovem Joaquim em ser padre, traduziu-se, logo desde o primeiro ano do seminário, num aproveitamento multifacetado e elevado, como o descreve, no final desse ano, a seguinte informação dos Superiores a seu respeito: Parece ser bastante inteligente, muito aplicado, é muito piedoso e de muita virtude. Comportamento disciplinar ótimo (18 valores); De caráter, é muito dócil, amável, franco e sincero, delicado e generoso. Bom aluno, e em algumas cadeiras distinto. (Arq. Seminário Fundão, Livro de Impressões 1917-23). E as informações, acerca do seminarista Joaquim Alves Brás, continuaram a ser altamente positivas, pelos anos seguintes do seminário.

Sendo assim, pode considerar-se, à partida, que o jovem Padre Brás estava apto para enfrentar os grandes desafios que o esperavam, vindos de qualquer das idades e circunstâncias da vida dos seus paroquianos. Nesta medida, a sua saudação primeira, ao bom povo que Deus lhe confiara, abrangeu todos os grupos etários nalgumas das suas caraterísticas, desde as crianças, aos pais, aos doentes e anciãos e, como iremos realçar agora, aos jovens. Demos-lhe, então, novamente a palavra: eu vos saúdo, jovens e donzelas, que vos encontrais, agora, na época da maior força, energia e entusiasmo. Quero aproveitar esta ocasião para vos pedir, com todas as veras da minha alma e em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que aproveiteis muito bem essas forças, essas energias e esse entusiasmo para progredir no caminho do bem e da santificação e para, por meio delas e com o auxílio da graça divina, mudardes, transformardes todas as paixões de que é centro o vosso coração, em paixões elevadas, nobres, sublimes, na paixão do amor de Deus.

Fazendo aos jovens estes apelos o Padre Brás poderia dizer-lhes como S. Paulo (1Cor, 11, 1): «Sede meus imitadores…», porque, tal como o Apóstolo recomenda a Timóteo: Sê um modelo para os fiéis…, o jovem Joaquim Brás foi um autêntico modelo de aproveitamento dessas energias e entusiasmo, tanto no seminário, como ainda antes.

Considerando que, aqui, o Padre Brás falou aos jovens numa época muito diferente da atual, poderemos ser levados a pensar que hoje o seu discurso seria outro, talvez menos exigente. Porém, quem o conheceu poderia garantir que seria ainda mais claro e mais exigente.  Então, vamos imaginar que, hoje, lhes faria estas exortações:

«Olhai, jovens, que as energias, capacidades e dotes de inteligência, vontade e sentimentos que possuis, são talentos que Deus vos confiou para, como diz o Evangelho, os fazerdes render, e aplicar para bem do próximo e vossa santificação. Esta é a vontade de Deus e a melhor garantia da vossa felicidade. Olhai que, hoje, vos são oferecidas condições que nunca os jovens, do meu tempo e de outros tempos, possuíram nem imaginaram. Porém, como sabeis, há muitos jovens que desperdiçam estes bens e, infelizmente, muitos outros que se servem deles para contraírem toda a espécie de vícios, e fazerem muito mal a eles mesmos e à sociedade. Peço-vos, com todas as veras da minha alma, que não os sigais. Pedi a Deus que vos mostre o que Ele quer de vós, ou seja, que vos ajude a descobrir a vossa vocação. A sociedade, a Igreja, a Família, precisam de vós. Sois os responsáveis de amanhã; alguns de vós sereis pais ou mães de família, ou então, sacerdotes, pessoas consagradas, bem como trabalhadores de várias profissões: professores, educadores, empresários, magistrados, políticos, seguranças, médicos, enfermeiros, etc., etc. E há que chegar a essas responsabilidades com energias, valores e maturidade acrescida, e não já desgastados por vícios e outros malefícios».

Depois disto, penso que o Padre Brás apresentaria aos jovens alguns modelos de santidade: santos contemporâneos mais jovens, tais como: o beato Carlo Acutis, 15 anos, Beato Pier Giorgio Frassati, de 24 anos, a Beata Chiara Luce, 19 anos. Porém, não duvido que lhes falaria, igualmente, de S. José – o carpinteiro, pai adotivo de Jesus, e de Santa Zita – a modesta auxiliar da família, que foi a um tempo, cozinheira, despenseira, educadora, catequista, protetora dos pobres, resgatadora de transviados. E, claro, que, acima de todos eles, com maior realce, lhes apresentaria a jovem Maria de Nazaré, a mais santa, a mais poderosa, a mais gloriosa, aquela que com o seu sim, pronto e incondicional a Deus, nos deu o nosso Salvador – Jesus Cristo, Senhor.

Conceição Brites – Cooperadora da Família
Artigo da edição de outubro de 2024 do Jornal da Família

Foto: Arquivo ISCF

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